A independência não pode ser avaliada em termos económicos.
A questão da independência da Catalunha, tema tão em foco por estes dias, merece uma reflexão sobre o que os catalães ganham e o que perdem ao autonomizar-se. Ganham em aumento da auto-estima, no reconhecimento da sua secular cultura, da sua história. Ganham em dignidade. No entanto, há um factor a considerar – o catalão (nas suas três variantes) é falado por cerca de doze milhões de pessoas. O castelhano é, oficialmente, o idioma de trezentos milhões! O que esta diferença significa em termos de expansão económica, de penetração em mercados emergentes, é uma conta fácil de fazer. E se há coisa que os catalães fazem bem é contas – até a dançar, pois a sardana, dança tradicional já registada no século XIII, compõe-se de passos meticulosamente contados. Diz-se que os judeus na sua eterna diáspora passaram por Barcelona e assistindo a uma baile popular, comentaram:
– «Vamo-nos daqui. Se estes tipos até a dançar fazem contas, este não é um bom lugar para nós» Há quem diga que a sardana tem mais a ver com a matemática do que com a dança…
Mas os catalães parecem ter tomado uma decisão e os sinais de que vão separar-se do Estado Espanhol, são muitos.
Aqui, a circunstância de não estarmos submetidos a Madrid permitiu-nos desenvolver a língua e difundi-la pelo mundo. Sem a Restauração da independência, as colónias de então seriam castelhanizadas e o português estaria, como o catalão, confinado aos falantes europeus. E o galego-português é a língua ocidental com maior margem de progressão, pois prevê-se uma enorme expansão demográfica em Angola e Moçambique. A independência na Galiza, permitiria e inserção do país numa comunidade cultural de grande dimensão. Em termos culturais a Galiza ganharia muito. No plano económico, não sei.
A independência é um imperativo de ordem moral. A contabilidade não é para aqui chamada.
