A FUGA DOS DEPÓSITOS DOS BANCOS EUROPEUS ESTÁ A DESGASTAR FORTEMENTE A MOEDA ÚNICA. Por Yalman Onaran

Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota

Parte I

Nota de leitura  ao texto de Yalman Onaran

Depois do texto  A Europa está a morrer, depois de A bomba de neutrões, depois de  François Asselineau,  um dirigente político francês,  acusar de alta traição os dirigentes políticos da zona euro num texto sobre Portugal, todos eles textos  publicados neste blog, eis aqui um artigo profundamente sério da Bloomberg a dar também ele a ideia que a actual lógica de Bruxelas está  a destruir a Europa e, portanto, a poder ser entendido como a  significar objectivamente o mesmo.

De várias formas está-se a matar a Europa, tenhamos consciência disto.  E se nos devemos opor com todas as nossas forças ao que governos   como o de Passos Coelho estão a fazer a Portugal , devemos com igual força protestar contra os assassinos sediados em Bruxelas que se servem de traidores menores, na óptica do deputado francês,  para destruir país a país aqueles que estão em dificuldade, vitimas dos vários mecanismos de extorsão cuaj criação é imputável a Bruxelas.

Um texto da Bloomberg  necessariamente a ler, um texto que nos faz reflectir, é o texto que aqui vos deixo..

Júlio Marques Mota

A fuga dos depósitos dos bancos europeus está a desgastar fortemente a moeda única

Por Yalman Onaran – 19 de Setembro de 2012

A aceleração da fuga dos depósitos bancários em quatro países europeus está a prejudicar a retoma do crescimento económico e a minar uma das principais linhas de defesa da moeda comum: um sistema financeiro integrado.

Um total de 326 mil milhões de euros (425 mil milhões de dólares) foi retirado dos bancos em Espanha, Portugal, Irlanda e Grécia, nos últimos 12 meses, de Julho a Julho, segundo dados compilados pela Bloomberg. O problema das instituições financeiras com créditos sobre a Irlanda e a Grécia, as quais estavam a perder muito dinheiro em 2010, espalhou-se a Portugal e a Espanha no ano passado.

A fuga de depósitos destes quatro países coincide com o aumento de cerca de 300 mil milhões de euros de créditos registados nas sete nações consideradas como o núcleo duro da zona euro (designadamente a Alemanha e a França), e quase a igualar os montantes de saída daqueles países. Esta fuga de capitais está a conduzir a uma fragmentação do crédito e a um sistema bancário de dois níveis que está a bloquear a retoma económica e a esboroar a política do Banco Central Europeu no terceiro ano de crise das dívidas soberanas.

“A fuga de capitais está a conduzir à desintegração da zona euro e a aumentar as divergências entre a periferia e o núcleo duro dos países da zona euro”, afirmou Alberto Gallo, director do departamento de investigação sobre o crédito na Europa do Royal Bank of Scotland Group Plc, sediado em Londres. ” Na periferia, as empresas pagam 1 a 2 pontos percentuais a mais para conseguirem contrair empréstimos. Não se consegue retomar o crescimento com uma tal divergência.”

Taxas dos empréstimos

A erosão dos depósitos está a forçar os bancos daqueles países a pagarem mais para os poderem reter – chegando a atingir os 5 por cento na Grécia. Maiores custos de financiamento reflectem-se nas taxas de empréstimo às empresas e aos consumidores. A taxa média dos novos empréstimos às sociedades não financeiras, em Julho, foi superior a 7 por cento na Grécia, 6,5 por cento e 6,2 por cento em Espanha e em Itália, respectivamente, segundo dados do BCE, enquanto terá sido de 4 por cento na Alemanha, França e Holanda.

Algum deste declínio dos depósitos deve-se ao facto de os bancos alemães e franceses terem vindo a reduzir a sua exposição ao crédito concedido. Cortaram empréstimos aos seus parceiros dos quatro países periféricos, além da Itália, em 100 mil milhões de dólares, nos 12 meses anteriores a 31 de Março, segundo os últimos dados disponíveis do Banco de Pagamentos Internacionais. Os dados do BCE contabilizam os empréstimos interbancários como depósitos, bem como a detenção de dinheiro pelas empresas e pelas famílias.

Os bancos dos países do núcleo duro da zona euro também têm estado a reduzir as suas posições em títulos de dívida pública do governo espanhol, português, italiano, irlandês e grego. Ao mesmo tempo, os operadores financeiros dos países da periferia têm estado a comprar mais dívida pública dos seus próprios governos. Isso contribuiu ainda mais para a fragmentação do crédito ao longo dos espaços nacionais pelo facto de os bancos receberem depósitos dos particulares e das empresas dos seus próprios países e os emprestarem internamente.

Aviso do FMI

As Organizações tais como o Fundo Monetário Internacional alertaram para o perigo de uma tal fragmentação. A desintegração financeira ao longo dos espaços nacionais “restringe os benefícios da integração económica e financeira” em que se alicerça a moeda comum, refere o FMI num relatório de Abril.

A desintegração pode inflamar um ciclo de deterioração das condições económicas e enfraquecer os bancos, disse David Powell, economista da Bloomberg sediado em Londres. Quanto mais os bancos pagam pelos depósitos obtidos, menos rentáveis serão alguns dos seus negócios, disse ele. Um banco espanhol que recebe depósitos a 4 por cento, e que está limitado pelo nível de taxas de juro no espaço europeu, se cobrar apenas 2,5 por cento num crédito hipotecário, está a perder dinheiro.

“A divergência financeira é um sintoma da divergência económica que lhe está subjacente, mas estas duas divergências alimentam-se uma à outra, tornando mais difícil uma saída”, disse Powell. “Até que as empresas e indivíduos se convençam de que o euro irá sobreviver, não investirão na periferia, e isso fará com que o dinheiro se mantenha longe daqui.”

Empréstimos do BCE

O BCE tomou o lugar antes ocupado pelos depositantes e outros credores, os quais têm retirado o seu dinheiro nos últimos dois anos, através, em grande parte, das suas operações de refinanciamento de longo prazo, também conhecidas LTRO. O banco central europeu sediado em Frankfurt já tinha concedido, no final de Julho, 820 mil milhões de euros às instituições de crédito dos referidos cinco países, segundo dados compilados pela Bloombergr. Os bancos centrais da Irlanda e da Grécia emprestaram adicionalmente 148 mil milhões de euros às instituições financeiras que não dispunham de colaterais suficientes para satisfazer os requisitos do BCE.

Porque o financiamento pelos bancos centrais é contabilizado como um depósito de uma outra instituição financeira, os dados oficiais mascaram alguma da deterioração em causa. Subtraindo estes valores, revela-se uma fuga de capitais bem maior da Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal. No caso dos bancos italianos, o que aparece como um aumento de 10 por cento é, na verdade, uma diminuição de quase 1%.

Se o financiamento pelos bancos centrais não for contabilizado, os dados mostram que os depósitos gregos diminuíram 42 mil milhões de euros, ou seja, 19 por cento, nos 12 meses até Julho. A poupança em Espanha caiu 224 mil milhões de euros, ou seja, 10 por cento; na Irlanda, 37 mil milhões, ou seja, uma queda de 9%; em Portugal, 22 mil milhões, ou seja, 8 por cento.

(continua)

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