É IMPORTANTE A POESIA PARA A INFÂNCIA ? por clara Castilho

 

 

 

 

 

 

Não duvidamos da importância da poesia na infância. Sobretudo se for de qualidade. E cá pelas nossas terras temos muita. E pelo Brasil. O INFOCEDI nº 41, do Instituto de Apoio à Criança, trouxe-nos mais um importante contributo, ao condensar informação diversa. E é de lá que iremos retirar algumas informações, com indicação de onde poderão aprofundar a leitura.

Comecemos com a opinião de Sidónio Muralha, cujos livros encantaram a minha infância:

Para Georges Jean (1979) os contos e a poesia são as duas grandes vias de construção do imaginário da criança por serem “canais desse profundo rio” que é o inconsciente coletivo de cada povo. (…) Para o mesmo autor (2002), a forma poética aparece quando a língua se rege por regras prosódicas, específicas de cada língua, que conduzem a ritmos e a uma sintaxe rigorosa ou desconstruída, quando a densidade e a raridade de imagens retóricas (metáforas, imagens, metonímias) permitem uma multiplicidade de sentidos que constituem um desvio à norma.

Vejamos a divisão que Juan Cervera (1991) faz da poesia para crianças, distingue indo três grandes grupos: lírica, narrativa e lúdica. A poesia lírica caracteriza-se sobretudo pela expressão de sentimentos e juízos do sujeito poético perante situações e objetos. Na poesia narrativa, embora o elemento lírico não esteja totalmente ausente, a atenção incide sobretudo nos factos e na ação, o que conduz a um maior dinamismo e objetividade. Quanto à poesia lúdica, campo particularmente fértil na escrita para os mais novos, caracteriza-se por um reforço do poder de comunicação sonora, o que resulta numa menor atenção ao significado das palavras e uma maior incidência no efeito de jogo das sonoridades construídas pelo poema.

 Assim Nasce o Poema ou as Palavras à Procura de um Poeta (2010) foi a intervenção de  José Jorge Letria no XVIII Encontro de Literatura para Crianças sendo totalmente constituída por um poema.

 Juntaram-se as palavras

num largo círculo de sons,

agitadas, cantantes e nervosas,

sem saberem ao certo como haviam

de passar o seu tempo,

talvez a cantar,

talvez a brincar,

fazendo trocadilhos sem parar,

mesmo que não lhes desse,

nesse jogo, para rimar.

Foi então que uma delas

arregalou os olhos,

luminosos como sílabas,

e sugeriu sem hesitar:

“Por que não pedimos

a um poeta, sim, a um poeta,

que faça connosco um poema

em que todas

possamos entrar?”

As outras palavras,

suas companheiras

em tantas loucas andanças da fala,

em tantas aventuras da escrita,

gostaram muito da ideia

mas ficaram sem palavras

no instante da resposta.

De entrar num poema

quem é que não gosta?

Todas as palavras gostam,

querem uma aposta?

No mesmo Congresso, Ana Luísa Amaral disse:“ Andei às voltas com a designação “poema para crianças” (ou “poema infantil”) e a necessidade de a fazer contrastar com a outra, “poema para:..”. Pergunto: “para adultos?” Não. Ninguém diz isso. Quando é preciso falar destas coisas, fala-se de literatura infantil e de literatura – só”. (p. 54)(http://www.leitura.gulbenkian.pt/boletim_cultural/files/Especiais_Julho_2010.pdf#page=48)

Sobre escritores portugueses deixo algumas pistas:

“A produção literária de Luísa Ducla Soares: uma obra multifacetada” (2008), de Carina Rodrigues  (http://195.23.38.178/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/ot_LuisaDuclaSoares_a.pdf)

“O canto de Tila: um universo poético a descobrir” (2007), José  AntónioGomes (http://195.23.38.178/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/ot_mat_jagomes_a.pdf)

“Anjos de Pijama: espaço de reencontro de Matilde Rosa Araújo e Maria Keil” (2006), Ana Margarida Ramos (http://195.23.38.178/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/ot_mat_jagomes_a.pdf)

“Coisas que não há: a escrita poética para a infância de Manuel António Pina” (2006), Sara Reis Silva (http://195.23.38.178/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/ot_escrita_poetica_MAP_a.pdf)

Dêmos às nossas crianças o que de melhor tivermos!

 

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