DIÁRIO DE BORDO, 17 de Outubro de 2012

 

Parece que o FMI, esse famigerado organismo, que há décadas que persegue o nosso país com exigências e controlos, acaba de constatar dois factos muito graves: 1) o chamado efeito multiplicador fiscal, que relaciona o efeito dos cortes nos impostos ou na despesa do estado com a consequente evolução no PIB, e que tem sido a base das políticas de austeridade, tem sido mal calculado nos últimos anos, e é muito superior ao previsto. Verifica-se que a quebra induzida no PIB é assim muito superior á prevista; 2) as bruscas transferências de capitais entre países, efectuadas sem controlo são altamente nefastas, e desestabilizam as economias. Criam as chamadas bolhas à entrada, e deixam buracos enormes à saída. Quem acredita que o FMI só agora compreendeu estes factos? Com tantos técnicos, tantas bases de dados, tanta experiência? Tanto peso político, tanto poder?

As recapitalizações bancárias e mais operações similares são outra face do problema: metem dinheiro nos bancos, mas não na agricultura, na indústria, na economia em geral. O dinheiro, dinheiro público, na maioria proveniente de impostos, de cortes nos salários e prestações sociais, vai para a especulação, e para os fluxos de capitais que vão circulando pelo mundo. Daí as manifestações dos responsáveis do FMI em sentido antagónico às orientações de desregulamentação, liberalização, etc. Se vão ter efeitos práticos, vamos a ver. Entretanto, por cá o Gaspar diz que quer pagar a dívida que tem para com o país. Dando cabo de nós, que somos o país. Ou não somos? Diário de Bordo pede licença para dizer que o homem está mesmo doido.

Entretanto as eleições nos EUA, a fortaleza do capitalismo, são para o mês que vem. O Obama já se viu que é frouxo e não convence ninguém; o outro, o tal que foi pastor mórmon, parece que é totalmente desvairado. Portanto, não vão escolher o menos mau, mas o menos pior, ou nem isso. Nessas eleições, não votamos, mas os resultados vão-nos cair em cima. A União Europeia ganhou o prémio Nobel da Paz, mas está toda a gente a ver que ela não está ali para nos ajudar. Há quem tenha percebido isso há muito tempo, mas não serve de consolo.  A Inglaterra, perdão, o Reino Unido, só complica, a Alemanha acha-se superior aos outros, e a França pouco adianta.

O FMI, a Senhora Lagarde, etc., devem estar a temer coisas ainda mais complicadas. Daí a mudança de rumo. Eles têm medo de perder os seus belos lugares com um colapso generalizado, é óbvio. Parece que a fuga de capitais em Espanha é muito superior ao visto até hoje em situações semelhantes noutras partes do mundo, e que países como o Brasil vão ter que tomar medidas para impedir bolhas financeiras muito complicadas.

E o jardim à beira mar plantado? Contra o orçamento, marchar, marchar. A prioridade é outro governo, claro, mas tem que ser um que sirva. De esquerda, e portanto anticapitalista. Se não for assim, não vamos lá.

 

 

1 Comment

  1. Pois eu já não peço licença a ninguém, e o Gaspar está mesmo desregulado do miolo. Já abri tantas vezes a boca com o que vou ouvindo que, qualquer dia, não consigo fechá-la. Então, tudo isto por que estamos a passar é o Gaspar a pagar a dívida que contraíu com o país? Não pode pagar do bolso dele? Eu tenho que pagar a minha. Se conseguissemos todos pagar à maneira dele, era melhor fecharmos a porta.
    Não é muito difícil substituir este governo. Vamos lá formar governo com um grupo de amigos. De certeza, que fazíamos menos asneiras, mau grado as dificuldades. Nunca se viu coisa igual! Isto é gente?

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