RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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Recuo histórico da população espanhola

Anne Cheyvialle – Le Figaro – 23 de Abril de 2013

Texto enviado por Philippe Murer, do Forum Démocratique, e presidente da Associação do Manifesto por um Debate sobre a Liberdade de Comércio.
Spain Financial Crisis EvictionUma manifestação contra as medidas de austeridade, em Madrid. Sob o efeito da crise, a população espanhola está em baixa. Crédits photo: Andres Kudacki/AP

A população espanhola diminuiu em 2012, pela primeira vez desde a década de 1940. Em causa o desemprego, que faz fugir os espanhóis e os imigrantes.

Este é o efeito directo da crise, que dura desde 2009 até agora na Espanha, depois do colapso da bolha imobiliária. Pela primeira vez desde há décadas, a população espanhola está a diminuir. O número de residentes diminuiu em 2012 de 206.000 para uma população de 47,1 milhões, segundo os dados divulgados na segunda-feira, pelo Instituto Nacional de Estatísticas. A população de nativos de Espanha só aumentou de 10 mil pessoas no ano passado, registando pois a sua mais baixa progressão desde há anos.

A recessão persistente – a queda do PIB de 5% desde 2009 – e a explosão do desemprego, que cada mês bate novos recordes, está em 26 por cento agora, empurram a população a fugir do país. A esta situação económica muito difícil é agravada pelas medidas de austeridade , congelamento dos salários, cortes nas despesas sociais, aumento de impostos, tudo isto a levar à redução do poder de compra das famílias. A economia paralela e solidariedade familiar não já não são suficientes.

Os espanhóis estão a tentar a sorte na América Latina

Durante os anos de euforia, de especulação imobiliária desenfreada, houve milhares de estrangeiros (equatorianos, bolivianos…)  que afluíram à Península Ibérica, atraídos pelo eldorado da construção. Entre 2000 e 2010, a população de imigrantes passou de 924.000 para 5,7 milhões. A situação agora está a inverter-se completamente. Não  somente os imigrantes regressam aos  seus países, mas a falta de perspectivas faz crescer os candidatos à emigração.

Os jovens sobretudo, verificando-se que mais de um em cada dois está desempregado, vão tentar a sua sorte no estrangeiro, onde há crescimento, visando em prioridade a América Latina, o México e o Brasil. “A Espanha deixou de ser atraente porque já não tem mais empregos,”, diz o demógrafo Albert Esteve, do Centro de Estudos Demográficos de Barcelona.

http://forumdemocratique.fr/2013/04/26/recul-historique-de-la-population-espagnole/

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