ALGUMAS OBSERVAÇÕES TECIDAS SOBRE AS DECLARAÇÕES DE DURÃO BARROSO RELATIVAMENTE À FRANÇA, ALEMANHA E A PORTUGAL, por JÚLIO MARQUES MOTA

Algumas observações tecidas sobre as declarações de Durão Barroso relativamente à França, Alemanha e a Portugal

 Júlio Marques Mota

PARTE III
(CONTINUAÇÃO)

O senhor Durão Barroso, tal como o fez em Portugal, parece estar fortemente motivado para insultar os povos em nome da política suicida da austeridade imposta pela Comissão Europeia, e muita desta austeridade é devida a que face à crise era necessário salvar o dinheiro que os bancos privados tinham investido nos países ditos em dificuldade. Bravo, senhor Durão Barroso, politicamente desejo-lhe um futuro semelhante àquele que com as suas políticas austeritárias está a criar para a juventude europeia, mesmo para aqueles que se julgam ao abrigo da crise que o senhor cegamente está a despoletar.

Nessa sua sanha não hesita na manipulação pura e simples conforme o atestam as suas declaração feitas em Paris sobre o drama de muitos milhões de jovens que claramente nunca terão emprego condigno, remuneração condigna, se é que alguma vez terão ocupação a que se possa chamar emprego. Com efeito afirma:

‘‘En fait, il n’y a pas de chose plus urgente aujourd’hui que de faire en sorte que l’on puisse offrir à notre jeunesse de réelles perspectives d’avenir.

Et là, notre priorité, bien sûr, est d’avoir des résultats concrets. (…)

Et c’était sur cette urgence, dans cet esprit du concret, que nous avons eu aujourd’hui cette réunion. (…)

Et là, notre priorité, bien sûr, est d’avoir des résultats concrets. Et c’était sur cette urgence, dans cet esprit du concret, que nous avons eu aujourd’hui cette réunion. Vous savez que la Commission a présenté, déjà en décembre 2012, un paquet Emploi Jeunes, et notamment cette initiative qui s’appelle Garantie pour la Jeunesse. Cela a été approuvé par tous nos Etats membres. Maintenant, c’est aux Etats membres de la mettre en œuvre.

Nous avons aussi proposé des mesures susceptibles d’avoir des effets immédiats. Nous avons ainsi anticipé la mise en œuvre de l’Initiative pour l’Emploi des Jeunes, en engageant, dès 2014 et 2015, les 6 milliards d’euros prévus à cet effet. Donc, ce qu’on va faire, c’est le frontloading: les 6 milliards d’euros (voire même 8 milliards d’euros, mais les 6 milliards d’euros qu’on a pus déjà affecter directement), et qui ont été approuvés lors des négociations au Conseil européen pour le budget pluriannuel. Nous avons décidé de faire le frontload, ça veut dire le concentrer sur les 2 premières années.

En tout cas, il faut relever que l’essentiel des compétences et des moyens (des moyens politiques, administratifs et financiers) sont dans les Etats membres qui doivent se mobiliser pour éviter cette “génération perdue”. Et là, ‘mobilisation’ a été précisément le mot d’ordre aujourd’hui dans notre réunion. Et notre message aujourd’hui est simple : il faut du concret! Il faut des résultats, vite!

Cela se fera seulement s’il y a l’engagement des Etats membres. Le gros du travail reste à faire sur le terrain, dans les Etats membres, dans nos régions, au niveau local et aussi au niveau régional, et là en soutien aux initiatives de ces acteurs. C’est donc un défi fondamental. Je crois qu’aujourd’hui nous avons plus de moyens, plus d’engagement, plus le sentiment d’urgence qu’il est nécessaire pour avoir la victoire dans cette bataille tellement importante. ’’

Sejamos honestos, uma política de emprego não pode ser constituída apenas uma massa de subsídios e direcionada para formações e estágios, pois se assim for o resultado será o de que no fim do financiamento nada se irá alterar, ou antes, nada irá melhorar, porque sem saídas é evidente que a situação económica se irá degradar.. Acrescente-se, que este projecto vai depender ilogicamente sobretudo dos Estados membros e não da política global europeia, que se prefere, seja de submissão e não de insubmissão aos mercados mundiais. A desindustrializar- se, com os Estados membros a perderem cada vez mais possibilidades de acção política por falta de meios e de modelo de política económica à altura e ainda com todos eles prisioneiros no esquema económico acima representado, é então bem claro que esta política dita de apoio ao emprego jovem ou não segue em frente ou sairá apenas do bolso do contribuinte para acalmar a tensão social, para que no fim de contas se conclua que fique tudo na mesma ou ainda pior. A mentira pura vinda de Bruxelas acompanha-se por todas as pressões e chantagens indignas da Democracia. Mas saberá Bruxelas o significado e o que representa a Democracia? Será que Bruxelas prefere tapar os ouvidos face ao barulho ensurdecedor que vem de toda esta Europa, como afirmava um alto funcionário europeu, em declarações publicadas pelo jornal Público? E Durão Barroso, o Pinóquio-mor deste continente, diz-nos : ‘‘Et notre message aujourd’hui est simple : il faut du concret! Il faut des résultats, vite!’’

Depressa e rápido! Não seria melhor lembrar-lhe que a crise rebentou há cinco anos e que desde aí para cá a Europa parece estar condenada à descida aos infernos?

Depressa e rápido, diz-nos Durão Barroso. Veja-se o último comunicado de Eurostat sobre a evolução do PIB, para que se perceba o que pode significar esta expressão dita pelo Presidente da Comissão.

“No decorrer do terceiro trimestre de 2013, o PIB aumentou 0,1% na zona euro e 0,2% na UE (UE a 28).

No decorrer do segundo trimestre de 2013, o PIB tinha crescido 0,3% em ambas regiões. Em comparação com o trimestre homologo, o PIB corrigido das suas variações sazonais diminuiu 0,4% na zona euro e aumentou de 0,1% na UE no terceiro trimestre de 2013, respectivamente, contra respectivamente de (.0,6%) e de 0,2% no segundo trimestre.

No decorrer do terceiro trimestre de 2013, o PIB dos EUA aumentou 0,7% relativamente ao trimestre anterior (depois de + 0,6% no segundo trimestre de 2013). Em comparação com o período homologo, o PIB aumentou 1,6% (após + 1,6% no segundo trimestre).”

Esta é a situação na Europa, cinco anos volvidos em crise, sendo pois claro o que vale a afirmação do Presidente da CE: não vale absolutamente nada, nada mesmo!

E se olharmos para o mapa da dívida pública a ser vencida nos dois próximos anos estamos mesmo a ver com que com este Depressa, resultados rapidamente, o que nos pode esperar:

críticabarroso - II

A não ser que o BCE faça para cada um dos grandes países o mesmo que fez com a Irlanda, transformando dívida de curto prazo em dívida de muito longo prazo e a uma taxa de juro notoriamente baixa. Há muito dinheiro em jogo! Então mas porque não pensar que o senhor Draghi o pode fazer, pelo menos em parte, aliviado a tensão nos mercados? Foi assim com a Irlanda. Na maturidade, esses títulos seriam pagos com o dinheiro cedido pelo BCE, em troca de obrigações do governo francês de valor correspondente, com uma baixa taxa de juro e com maturidades de 30, 40 ou até de , 50 anos. Não é possível, gritar-me-ão, dir-me-ão que não está nos Tratados. Surge-me então de imediato uma questão: e está nos Tratados o que o BCE fez com a Irlanda, trocar dívida pagável a curto prazo e com taxas altas contra obrigações da Irlanda a 40 anos e a uma taxa de juro baixa? Não corresponde isto a um financiamento do estado irlandês? Porquê então não fazer o mesmo com a França, com a Itália, com a Espanha? Com Portugal, com a Grécia, com o Chipre, isso não, não têm força negocial, é o que nos dirão! Mas se assim é, isto levanta uma outra pergunta: o que é ser-se Estado-membro de uma União Monetária?

(continua)

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Para ler a Parte II deste trabalho de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/11/22/algumas-observacoes-tecidas-sobre-as-declaracoes-de-durao-barroso-relativamente-a-franca-alemanha-e-a-portugal-por-julio-marques-mota-2/

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