AS RAZÕES DA CRISE NA EUROPA. ANÁLISE DO CONTEXTO GLOBAL E DAS RESPOSTAS POSSÍVEIS À DRAMÁTICA SITUAÇÃO ACTUAL – 1. GRANDIOSA MANIFESTAÇÃO EM ROMA CONTRA A DESREGULAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO – 1. B IMAGENS DE ITÁLIA PARA AQUÉM E PARA ALÉM DA MANIFESTAÇÃO – por JÚLIO MARQUES MOTA – II

Falareconomia1

Selecção, tradução, nota introdutória e organização por Júlio Marques Mota, a partir de estatísticas oficiais

mapa itália

1.B Imagens de Itália para aquém e para além da manifestação:

(continuação)

Adicionalmente, é todo um programa implícito de austeridade pura e dura que nos propõem estes altos quadros. Propõem-no de forma delicada, soft como convém nestes tempos de dura crise. Veja-se então, e não traduzimos intencionalmente:

  1. B) “Fiscal policy needs to strike a delicate balance between setting the debt ratio on a downward path while helping the economy recover. To support growth, the priority should be to lower marginal tax rates through spending savings and lower tax expenditures. But given the low growth and high interest rate environment, stronger fiscal balances are needed to bring down debt faster. Conditional on the recovery taking hold, a modest structural surplus next year would be appropriate.

Policies at the European level could also support growth by easing further monetary conditions should inflation remain too low, and reducing financial fragmentation.”

Como nos dizem do site Zero Hedge, claro, há uma forma “difícil” de resolver a questão, como no fixing, e então aqui ….está a via europeia de resolução do problema.

A dívida pública relativamente ao PIB da Itália para 2013 foi exactamente “reduzida” em 5%, fazendo com que o país apareça muito mais “sustentável” e atraente para os investidores em dívida pública de Itália (o BCE)?

Como assinala  Bloomberg, a dívida pública de 2013 da Itália foi revista para 127.9% do PIB a partir de uma estimativa anterior de 132,6% do PIB. O que diz Istat, a agência de estatísticas de Itália, equivalente ao nosso INE?

Dados macroeconómicos e contas públicas oficialmente revistas, segundo o ISTAT:

  1. Dados macroeconómicos: PIB e componentes da despesa

Dados obtidos de New annual national accounts according to Esa 2010,publicados a 22 de Setembro de 2014

O Instituto Nacional de Estatística publica as estimativas do produto interno bruto (PIB) e da dívida pública em conformidade com as definições do sistema europeu de contas (SEC 2010) e do Regulamento (CE) n. 549/2013 Do Conselho.

Em 2013, o PIB a preços correntes diminuiu em -0.6% (para 1.618.904 milhões de euros) em comparação com o ano anterior.

A variação do PIB em volume foi de – 1,9%, depois de uma diminuição de 2.3% em 2012.

A queda do PIB foi devido a uma forte contracção na formação bruta de capital fixo (-5.4%) e das despesas de consumo final (-2.3%). As importações diminuíram em – 2,7%.

As necessidades líquidas de financiamento público foi de -45.358 milhões de euros (-2.8% do PIB), comparando com – 3,0% do PIB no ano anterior, enquanto a dívida do governo foi de 2.070.165 milhões de euros (127.9% do PIB).

Tabela II – PIB e componentes da despesa

Renzi - XXII

Gráfico I – Evolução do PIB de 2010 a 2013

Renzi - XXIII

Tabela II – Posição financeira líquida do Estado Italiano

Renzi - XXIV

Gráfico II – Posição financeira global do Estado e posição orçamental primária:

Renzi - XXV

Ou seja, como a situação orçamental primária é positiva, o Estado italiano recebe anualmente dos contribuintes mais do que o valor dos serviços que lhes presta e é, portanto, captor de uma parte dos rendimentos gerados na economia e recebidos pelos agentes económicos, daí o excedente primário como se mostra na figura. Contudo, apesar disto, essa captura não chega para pagar o elevado serviço da dívida e portanto a dívida vai subindo, subindo, e a Itália vai privatizando, privatizando. Todos nós nos lembramos de um outro país em que as coisas acontecem exactamente assim. Vai privatizando, vai ficando cada vez mais pobre para poder pagar no futuro e a dívida sai subindo, subindo…até que alguma coisa há-de acontecer.

(continua)

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Para ler a parte I desta análise de Júlio Marques Mota sobre a situação em Itália, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

AS RAZÕES DA CRISE NA EUROPA. ANÁLISE DO CONTEXTO GLOBAL E DAS RESPOSTAS POSSÍVEIS À DRAMÁTICA SITUAÇÃO ACTUAL – 1. GRANDIOSA MANIFESTAÇÃO EM ROMA CONTRA A DESREGULAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO – 1. B IMAGENS DE ITÁLIA PARA AQUÉM E PARA ALÉM DA MANIFESTAÇÃO – por JÚLIO MARQUES MOTA

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