Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
O Comissário [político] Moscovici em campanha pela austeridade. A Grécia não quer!
Michel Lhomme, MOSCOVICI EN CAMPAGNE POUR L’AUSTÉRITÉ. La Grèce n’en veut pas !
Metamag, 19 de Dezembro de 2014
(conclusão)
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A insurreição e a greve geral, isso é para quando?
Anunciando a eleição antecipada do Presidente da República, o governo grego procura sair de um contexto político cada vez mais tenso e bloqueado. O Presidente da República tem apenas uma função honorífica em Atenas mas a sua eleição exige uma maioria de 180 dos 300 deputados. Ora a coligação governamental, composta pela direita e o Pasok, dispõe apenas de 155. Se o governo não tiver êxito em reunir o número de vozes exigido, será obrigado a convocar eleições antecipadas que veriam infalivelmente a vitória de Syriza, como o dizem todas as sondagens. Syriza representa a esquerda radical grega. O que detesta Moscovici. É com efeito esta eventualidade que Samaras e os seus aliados europeus tentam evitar custe o que custar antecipando as eleições e exercendo em especial pressões sobre os deputados independentes, tentando por exemplo os seus votos.
Entretanto, o combate dos Gregos na rua tornou-se a parábola da rebelião. A este combate juntou-se também o protesto dos refugiados sírios abandonados pela Europa nas ruas de Atenas já num caos.
Em todo o caso, qualquer coisa de novo se passa ali: nas ruas, os manifestantes gritam a sua cólera; nas prisões, os prisioneiros recusam regressar para as suas células; as centrais sindicais de Atenas e de Salónica estão ocupadas. Mas a mobilização policial é também ela consequente: estarão em Atenas mais de 8.000 polícias, os canhões de água, centena de granadas ofensivas, e os gases lacrimogéneos além disso dificultam a respiração. Pela primeira vez, polícias à civil, disfarçados de desordeiros, fizeram o seu aparecimento. Protegidos pelas unidades de manutenção da ordem, foram vistos a porem fogo, a quebrar as montras e agir como se fossem anarquistas. Salvo que, contrariamente a estes últimos, no fim de cada acção, reagrupavam-se sabiamente por detrás dos cordões da polícia.
Esta história da austeridade grega será em breve a nossa ? A curta distância geográfica deste país não nos deve fazer esquecer que no nosso país, os mesmos processos de destruição do cimento social estão a ter lugar e em vias de consolidação.
Actualização: Como previsto e mesmo mais largamente que previsto, os deputados gregos falharam em eleger a partir da primeira volta, na quarta-feira, um novo presidente da República. No total, 295 dos 300 deputados votaram e somente 160 se levantaram ao serem chamados pelo seu nome para pronunciar o nome de Stavros Dimas, o ex-Comissário europeu pilar do partido conservador do Primeiro- ministro Antonio Samaras, que o governo de coligação direita-socialistas apresentou como candidato ao posto honorífico de presidente da República. Os outros 135 satisfizeram-se em responder “presente”, como o quer o procedimento grego. Era necessário uma maioria de 200 sim para eleger Stavros Dimas. O governo, dispõe de 155 deputados, e esperava oficiosamente 165 votos mas não realizou o mínimo esperado pelos observadores.
Haverá por conseguinte uma segunda volta a 23 de Dezembro, sempre com uma maioria de 200 votos. Se o presidente não for eleito à terceira volta de 29 de Dezembro, então o limiar mínimo é baixado para 180 votos, as eleições legislativas antecipadas serão organizados daqui até Fevereiro. O malogro de quarta-feira à noite, embora muito esperado, vai aumentar a apreensão dos mercados sobre uma possível chegada ao poder de Syriza. “O lugar da Grécia está na Europa. Este lugar nunca mais é posto em questão como o esteve no passado.”, insistiu na terça-feira o nosso Comissário Europeu para os Assuntos de Economia, Pierre Moscovici, aquando da sua visita a Atenas. O líder de Syriza, Alexis Tsipras, saboreava o resultado quarta-feira: “A estratégia do medo desmoronou, porque não se pode estar a fazer chantagem contra a democracia. É o povo que será em breve o protagonista das evoluções, e é ele que vai dar a solução”, assegurou-nos.
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Ver o original em:
http://metamag.fr/metamag-2536-MOSCOVICI-EN-CAMPAGNE-POUR-L-AUSTÉRITÉ–La-Grece-n-en-veut-pas–.html
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