A ESCOLA REIS (Nº 85) DA FOZ DO DOURO

Escola Reis
De uma maneira ou de outra, muito se tem falado sobre a Escola Primária nº 85. Ora porque está num estado de degradação enorme, ora porque, há cerca de dez anos, a Câmara fez obras de beneficiação do prédio pelo exterior, mantendo-se a degradação interior, ora porque a sede da Junta de Freguesia se iria mudar para lá, tendo chegado até a ser elaborado um projecto para esse efeito, encomendado pelo anterior executivo da Junta, ora porque era a Marinha que iria ocupar o espaço, saindo da rua Nova da Alfandega, ora como agora, se propõe que sirva como moeda de troca com o Lawn Tennis da Foz, para, libertando a muralha do Forte de São João Baptista, afastar os “courts” de ténis e as restantes instalações, algumas dezenas de metros.
No que ao Lawn Tennis da Foz diz respeito, nada me chocaria que fosse deslocalizado para outro local, para a Ervilha ou para o Parque da Cidade, onde poderiam construir, de raiz, os campos e todas as infraestruturas necessárias ao seu bom funcionamento, servindo, essa sim, como uma excelente moeda de troca para a libertação das muralhas do Forte de São João Baptista, que como se sabe, é um Monumento Nacional.
A escola está sem qualquer actividade relevante há cerca de vinte e cinco anos, altura em que, tanto a actividade escolar como as instalações da DREN encerraram, muito embora, em parte da cave do edifício esteja instalada, actualmente, a sede da Academia de Danças e Cantares de Portugal.
Sei que o actual executivo da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, tem trabalhado, até ver ingloriamente, com vista à utilização da antiga escola, para fins culturais.
Inclusivamente, foi apresentado à Câmara Municipal do Porto um projecto para lá ser criado e implantado o Centro de Tecnologias Audiovisuais, cujo objectivo estratégico seria o de promover a Foz, Nevogilde e Aldoar, e consequentemente a cidade do Porto. Nele seriam montados estúdios de gravação áudio e de imagem, e haveria uma sala de edição e uma pequena residência artística.
Tanto quanto julgo saber, a Câmara do Porto não terá dado seguimento aos anseios e projectos da União de Freguesias, no que respeita à Escola Régia nº 85, pelo que suponho que quererá reaver o edifício para um outro qualquer uso.

Na carta que, como contribuição para a discussão pública sobre o “Plano de Estrutura para a Frente Marítima do Porto”, enviamos em conjunto (o dr Joaquim Pinto da Silva e eu), como elementos do Grupo Cultural “O PROGRESSO DA FOZ”, dizíamos sobre a Escola Primária nº 85.

A Escola 85
Nesta perspectiva, a “Escola Reis” (alcunha popular para a Escola Régia n° 85), dada a sua importância histórica e arquitetural, não deveria ser moeda de troca com o Lawn Tennis.
Antes deveria transformar-se no centro cultural e cívico que a Foz necessita: um centro cultural em sentido lato, uma biblioteca moderna e de acesso facilitado (parceria com a Municipal), talvez com café concessionado (café exclusivamente!), com internet livre, um percurso (de objectos e virtual) de História local e, acima de tudo, um ponto permanente de discussão cívico-política local, da cidade e do país.
Inovador sempre que possível, deveria também na sua gestão integrar o Município, a União de Freguesias, a Universidade, as associações e cidadãos (estes em voluntariado indicados pelas instituições e autopropostos).
Temos um nome: Centro Cultural e cívico Raul Brandão (valoroso escritor ainda sem apadrinhar uma instituição na terra que o viu nascer).
Acrescento, como aditamento à parte da carta que acima transcrevo, algumas ideias e considerações, nas quais poderíamos enquadrar facilmente as apresentadas pela União de Freguesias à Câmara Municipal do Porto.
Não mudaria de modo algum a planta do edifício, que é lindíssimo, tanto pelo exterior como pelo interior.
Neste Centro Cultural, haveria lugar, numa das antigas salas de aulas, para a criação de um espaço de reunião para activistas cívicos, uma sala de encontros, sem horários, dedicada a tertúlias de pensadores e artistas de quaisquer vertentes, para caminhar e educar pelas artes, e para pensar a cidade.
Haveria também lugar para uma biblioteca dedicada à cidade e à Foz do Douro em particular, onde coubessem todas as obras publicadas por escritores e artistas nascidos no Porto, e por todas as obras que, não sendo da autoria de naturais da cidade, sobre elas falassem ou as abordassem. É evidente que aqui estão contempladas todas as obras de natureza histórica, que transformariam este Centro Cultural, num local de estudo, consulta e permanência.
Uma fototeca, uma videoteca e uma galeria de arte, em constante crescimento, seriam uma mais valia, bem assim como uma loja de venda de artigos diversos, fotografias, livros etc., sempre e exclusivamente sobre a cidade do Porto,
No espaço, amplo, que em tempos foi o recreio interior da escola, pode, e deve, ser montado um auditório que conviveria com uma sala de exposições.
As várias salas, incluindo a da vertente cívica, seriam dedicadas à leitura, à escrita e à discussão.
Todo o edifício estaria preparado e montado para colocar o utente e o pontual visitante, numa viagem permanente pelo Porto, de uma forma geral, e, particularmente, pela Foz do Douro.


É, de facto, importante terminar de vez com a degradação desta escola, invulgar pela sua arquitetura e com uma vista soberba sobre o rio e a sua foz…embora nunca tenha nela lecionado, tive de me deslocar lá muitas vezes pois aí funcionou durante anos a 10ª Delegação Escolar do Porto. Aí mantive acesas conversas com o dedicadíssimo Delegado Profesor Marques…
Mais tarde, depois de ter fechado chegou-me aos ouvidos que lá iria ser montado um tipo de museu sobre a Escola Primária…parece que também essa hipótese caiu por terra…(embora não inviabilizasse as outras).
Ab
Mais um prédio com História da Nossa Cidade, que urge preservar não só, para o presente, e essencialmente para os nossos vindouros
Nos anos 80,levei a filha da chefe dos Correios da Foz,à Escola 85…Alguns anos depois,lembro-me de existir
uma Biblioteca e um pequeno espaço do Grupo das Cruzadas de Bem-Fazer da Foz do Douro…A ideia de
Centro Cultural e Cívico Raul Brandão é magnífica (um dos objectivos há muito reclamados pelos fozeiros)…
Lutar por esse espaço ao serviço da “agora” União das Freguesias da Foz,Nevogilde e Aldoar é de sublime
importância!