A propósito de gente sem nada nos bolsos e pouco na vida, de gente talvez sem futuro
Júlio Marques Mota
Domingo, final de Maio. Revejo os textos que estive ontem à noite a preparar para o blog sobre a Grécia, sobre a zona euro, sobre a França. Unidade entre eles? Haverá alguma?
Revejo a síntese de cada um deles :
1. O Guardian diz-nos que a casa de apostas Paddy Power aposta 11/10 sobre a Grécia deixar o euro – e depois dos últimos acontecimentos não me surpreende que a casa de apostas ofereça as probabilidades mais baixas sobre um Grexit. Depois de meses de batalhas, a Grécia ainda não alcançou um acordo com os seus credores para garantir assistência financeira fresca e não tem o dinheiro disponível para fazer um pagamento que deve ao Fundo Monetário Internacional no final da próxima semana.
Uma aposta de 11 em dez, uma aposta sobre um acontecimento dado como quase certo!
E o jornalista comenta:
O argumento económico para que a Grécia permaneça no euro é fraco. A produção nacional desceu em cinco anos cerca de 25%. A relação dívida / PIB está a subir rapidamente para cerca dos 200%. Uma em cada quatro pessoas estão desempregadas e há uma enorme pobreza generalizada.
As exigências dos credores da Grécia para se aplicar mais austeridade são, nestas circunstâncias, desumanas e economicamente absurdas. Se a Grécia não fosse um membro do euro, mas antes um país em guerra na África Subsaariana, o remédio do FMI seria a desvalorização, o perdão parcial da dívida e uma rede de segurança social para proteger os mais vulneráveis.
O Primeiro-ministro da Grécia tem que decidir se quer aceitar mais austeridade como sendo o preço a pagar para permanecer na moeda única
Então, quando o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, investe contra a estupidez do que lhes está a ser exigido em troca do duvidoso privilégio de ficar no euro, ele está absolutamente certo.


