Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. VII – Jesus, Júpiter, Luis XIV… e Emmanuel Macron

François Mitterrand: “A luta de  classes não é para mim um objetivo. Procuro que esta deixe de existir!”

Lionel Jospin:  “Eu sou um socialista de inspiração, mas o projeto que proponho ao país  não é um projeto socialista. É uma síntese do que é necessário hoje. Ou seja, é  a modernidade. ”

François Hollande   “Vivi cinco anos de poder relativamente absoluto. (…)  Eu naturalmente impus ao meu campo que, sem nenhuma sombra de dúvida, só iria aprovar as políticas que eu consideraria serem justas.” 


Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF

A farsa acabou. O povo francês, Macron escolheu. Um outro ciclo de tragédia e de  farsa já começou.

Jesus, Júpiter, Luis XIV… e Emmanuel Macron – Texto VII

(Alice Develey, in Figaro, 16/06/2017)

MACRON7

O Presidente Macron  no Palácio Real em  Rabat

O presidente da República, Emmanuel Macron, beneficia de termos elogiosos raros na imprensa. Um léxico que encontra a sua inspiração no vocabulário religioso, mitológico e monárquico. Viagem em Macronie.

Homem de todos os poderes, homem que nos traz a chuva e o bom tempo (mas sobretudo o bom tempo) desde a sua eleição à presidência da República, Macron  não hesita em resistir a uma outra cabeça, loura, a  Donald Trump; ligeiro, cúmplice, com o Primeiro ministro canadiano Justin Trudeau e ousa passear-se com Vladimir Putin nos jardins dos reis em Versailles. Emmanuel Macron é já tão grande quanto o seu nome. “Um macro” no país “dos micros”.

Não é  necessário dizê-lo, ele é forte, o nosso presidente.  De tal modo forte  que  a terra parece ter encontrado  o seu novo sol. “Macronmania: Putin? Mesmo nada de medos! ”, colocava ironicamente em título no princípio de Junho a revista L’Express. Macron irradia literalmente a paisagem política francesa. Impossível não ouvir o seu nome nas discussões. Plana sobre todos nós. E sobre ele graceja-se pouco, A idolatria e a mitificação do nosso chefe de Estado são uma realidade, hoje.

Como se tivesse descido do céu – um messias vindo para salvar a França em situação de aflição. Emmanuel Macron tem agora o seu próprio léxico religioso. “Salvador”, “Taumaturgo”, “Marchar sobre a água”… As redações rivalizam em palavras e expressões para descrever a sua ascensão. Ascensão, palavra seja dita, nem que seja de passagem que nos vem do final do século XII,   com “a ascensão  miraculosa de Jesus Cristo ao céu”. Portador da boa palavra, Emmanuel Macron faz o trabalho de Deus entre os homens. Um imaginário que transparece na sua associação mitológica à figura de Júpiter mas também, à figura solar de um rei.

Le Figaro analisa estes elementos de linguagem que traduzem textualmente esta irresistível fascinação pela estatura presidencial.

Um messias e um salvador sabendo marchar  sobre a água

Der Spiegel em Fevereiro e Mediapart em Maio passado. O termo “messias” fez uma entrada observada na imprensa para designar o novo presidente Emmanuel Macron. Uma palavra surpreendente, que encontra as suas raízes no léxico religioso.

Originário do latim católico e do aramaico, o termo messias, ele mesmo derivado do hebreu bíblico masah “ungir”, o termo  messias designa na origem, no Antigo  Testamento, “todos os que são investidos de uma missão divina, confirmada pela unção”. Hoje em dia, emprega-se para falar “de Aquele que, em virtude da promessa de Deus renovada pelos profetas do Antigo Testamento, é esperado pelo povo judaico como o libertador que instaurará o Reino de Deus.” Para além desta aceção, recordemos que messias é também “uma pessoa providencial cuja vinda se espera; pessoa que se acredita investida de uma missão excecional”.

No mesmo registo, reencontra-se a palavra “salvador”. Recorde-se contudo que a palavra designa no vocabulário religioso a pessoa de Jesus Cristo (ou por extensão Deus) e que qualifica “Aquele  que salvou os homens”. Aquele que por conseguinte chegou ao fim da sua missão.

Por fim, e para fechar este curto glossário religioso, regressemos por  momentos à expressão um tanto trocista  de The Economist que recentemente apresentava Emmanuel Macron em comboio “a  andar sobre a água”. A expressão – que não é original faz  realmente referência a um dos milagres feito por Jesus. . Um episódio bíblico que figura designadamente no Evangelho de acordo com S. João. Uma maneira subjacente de nos indicar que  o nosso presidente é provavelmente um super-homem e que, assim, pode ser capaz de realizar, tal como Jesus, verdadeiros milagres.


 O oitavo texto desta série será publicado, amanhã, 01/09/2017, 22h


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