A N0SSA PENÍNSULA – 19 – A língua portuguesa – por Carlos Loures

 

No passado sábado, 5 de Maio. foi o Dia da Língua Portuguesa.

Esta data foi criada a partir de uma resolução da XIV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, em 20 de Julho de 2009, realizada em Cabo Verde – A ideia era, como é evidente, celebrar o idioma comum. Esperava-se a realização de eventos culturais – palestras, recitais de poesia…Porém, a celebração, pelo menos em Portugal, se foi feita, foi em moldes clandestinos.

Falou-se no Festival da Eurovisão, Nada tem a ver com a nossa cultura ou com coisa alguma. É um negócio. Durante meio século, Portugal concorreu, algumas vezes com bonitas canções – E depois do adeus, por exemplo – nunca ganhou. No ano passado, com uma composição modesta, interpretada por um rapaz simpático, mas com capacidades musicais limitadas, Portugal vence. Dá ideia de que mais nenhuma das 43 nações envolvidas, se quis meter nesta alhada. Mas deixemos o Eurofestival. A língua portuguesa, nascida na Galiza, é um factor cultural de uma inegável importância.

Idioma falado por muitos milhões de pessoas em todo o mundo, com a margem de progressão demográfica que os países africanos lhe conferem, poderá ultrapassar o castelhano e ombrear com o inglês. Ainda este século. Não necessita de acordos ortográficos e deve mesmo ostentar com orgulho as diferenças que lhe conferem o carácter universalista, diferenças a que os idiomas mais falados não se podem, nem devem, furtar. Os nossos irmãos galegos querem que a língua se chame galego-português (os mais radicais, querem mesmo que a designemos por galego). Logo na primeira vez que visitei a Galiza, há cerca de 60 anos, verifiquei que apenas os galegos mais pobres falavam galego. A burguesia das cidades caprichava em falar um castelhano formal, correcto. No Brasil, cresce a ideia de chamar brasileiro, ao português que ali falam…

Resumindo, povos a que estamos ligados por laços indissolúveis, não querem que essa ligação se torne evidente. Como aquelas famílias da classe média, que se envergonham dos parentes pobres. Aos amigos galegos, digo que lamentamos (eu, por acaso não) não ser escandinavos e aos brasileiros que vão buscar nomes italianos, ingleses… não vá supor-se que descendem deste povo de labregos que precisa de três “caras” para enroscar uma lâmpada. Os holandeses teriam feito uma colonização muito mais correcta e hoje o Brasil teria uma democracia moderna, com pintores e escritores de grande nomeada, como, por exemplo, a Indonésia. Pedimos desculpa por  ser pobres – só pudemos legar a escrita do Padre António Vieira e nas artes plásticas, não deixámos que o Brasil fosse além do Aleijadinho e do Cândido Portinari. O problema é – podemos escolher os amigos – os irmãos e os vizinhos, não.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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