NÃO HÁ HOMEM LIVRE por Luísa Lobão Moniz

Homens, mulheres, crianças e violência parecem estar a preocupar a sociedade e os políticos. Já se fala e reconhece que as leis terão que mudar, mas todos sabemos que não se mudam leis sem se mudarem mentalidades.

Mais anos de prisão, mais separações físicas, mais proibições de possíveis encontros, mais segurança para as vítimas, mais psicólogos para acompanharem quem sofre de violência, mais coragem por parte das mulheres para denunciarem os maus tratos a que estão sujeitas, mais expressões de indignação quanto ao número de mulheres mortas pelos seus companheiros ou amantes, mais dificuldade em perceber porque tudo isto se passa.

A mulher através dos tempos foi vista como uma pessoa “naturalmente” frágil que tinha como missão servir o homem em todos os seus caprichos, ter filhos para dar continuidade à família, tratar do lar para que o homem se sentisse confortável.

Para a mulher era indiferente que o homem tivesse outra mulher com quem desfrutasse do prazer sexual, desde que ele viesse para casa e assegurasse a alimentação e ,enfim, algum bem estar.

O homem podia chegar a casa tarde para jantar, mas os filhos e a mulher não se atreviam a comer sem ele chegar, ele era o primeiro a servir-se, quantas mulheres ficavam em pé à espera que o homem acabasse a refeição para depois ir comer.

A mulher era a pecadora à semelhança de Eva, era um corpo de virtudes como Maria, era aquela a quem se atiravam pedras como a Madalena.

A mulher era a bruxa má, a feiticeira com feitiços maléficos, era a culpada de não dar filhos varões ao seu homem que desesperavam por falta de quem seguisse os seus ofícios ou negócios.

A mulher foi durante muito tempo representada nas artes com um corpo disforme que, segundo os homens, representava a feminilidade mais propriamente maternidade.

As mentalidades, as representações da Mulher, foram-se modificando devido aos modos produtivos de trabalho. A propriedade privada, as elites sociais, as “naturais” motivações para tocar piano, cantar, dançar, ser sedutora, os diferentes modos de produção, a revolução industrial forçaram a mudança das representações, tal como as que conhecemos hoje.

O espaço privado é a cortina de ferro que não deixa transparecer o sofrimento que as famílias vivem por causa de um homem que se sente senhor absoluto e poderoso para mandar na mulher e nos filhos, nas sogras, nas cunhadas e irmãs… se for preciso matam, mas como matar é algo reprovável socialmente e porque estão debaixo de uma grande auto pressão, alguns acabam também por se matarem.

Não vão conseguir aguentar a humilhação de serem presos, aguentam apenas o prazer de maltratar.

As mulheres não são “coitadinhas” para serem só elas a lutar pela sua liberdade de ser. Porque é que os homens não dão a cara para se associarem a este inferno de vida que não foi criada pelas mulheres, mas pelas sociedades como um todo.

Não há homem livre enquanto houver mulheres maltratadas e mortas, só porque são mulheres.

Os Direitos Humanos são baseados na Humanidade.

Estes factos não são exclusivamente portugueses, veja-se os outros países da Europa…todos se regem mais ou menos pela mesma bitola criada na crença de que a Mulher é inferior.

Li há tempos uma afirmação interessante, e citando de cor, que dizia que a Eva não foi tirada da cabeça do Homem porque se o fosse seria um ser superior, não foi tirada do pé porque se o fosse seria um ser superior, por isso só poderia ser da costela para ser igual.

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