Em 1999, uma criança nasceu, de parto prematuro e com deformidades congénitas: o Euro 20 anos depois – alguns textos sobre a sua atribulada existência. Texto nº 18. O euro tem 20 anos: quem são os perdedores? quem são os ganhadores? – Parte II


O euro tem 20 anos: quem são os perdedores? quem são os ganhadores?

Mesmo 20 anos após a sua introdução, o euro continua a ser controverso. No presente trabalho utilizou-se o método do controlo sintético para analisar quais os países que beneficiaram e os que perderam  com a criação do euro

► A Alemanha é de longe o país que mais beneficiou com a introdução do euro: de 1999 a 2017, com um ganho de quase  1,9 milhão de  milhões  de euros. Isto corresponde a cerca de 23.000 euros por habitante. Além da Alemanha  só os Países Baixos beneficiaram substancialmente com a introdução do euro.

► Nos primeiros anos após a introdução do euro, a Grécia beneficiou massivamente  do euro, mas sofreu perdas significativas desde 2011. Durante todo o período, o saldo é levemente  positivo em +2 mil milhões de euros, ou seja, +190 euros por habitante.

► Em todos os outros países estudados, o euro levou a uma queda na prosperidade: em França, 3,600 milhões de  milhões de euros e até mesmo 4,300 milhões de  milhões de euros na Itália. Isto corresponde a uma perda de 56 000 euros por habitante em França e 74 000 euros por habitante em Itália. 


(Alessandro Gasparotti et Matthias Kullas, Fevereiro de 2019)

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  1. Resultados por país

Este capítulo apresenta os retratos dos países da zona euro analisados. Trata-se da Bélgica, Alemanha, França, Grécia, Itália, Holanda, Portugal e Espanha.

Cada um dos retratos começa por indicar, para cada país, os efeitos da introdução do euro sobre a riqueza, durante todo o período desde a adesão , tanto per capita como para a economia no seu conjunto.

Cada retrato de país também contém duas ilustrações. O primeiro gráfico compara a evolução real do PIB per capita do país da zona  euro desde a introdução do euro (linha azul) com o cenário contra factual, que mostra a evolução hipotética do PIB per capita se o país não tivesse adotado o euro (linha laranja).

O segundo gráfico mostra, para cada ano desde a introdução do euro, o impacto da introdução do euro no PIB per capita do país da zona do euro em análise. Os valores negativos (destacados a vermelho) indicam que a introdução do euro reduziu o PIB per capita no ano em causa. Os valores positivos (destacados a verde) indicam que a introdução do euro aumentou o PIB per capita no ano em causa. Além disso, cada retrato apresenta uma conclusão que resume os principais resultados para o país da zona euro em causa.

Bélgica

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Conclusão: A Bélgica beneficiou da sua entrada na zona euro entre 2009 e 2012 e sofreu prejuízos antes e desde então. Entre 1999 e 2017, o euro conduziu a um declínio acumulado da prosperidade de 69 mil milhões de euros, ou seja, 6.370 euros per capita.


Alemanha

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Conclusão: Com exceção de 2004 e 2005, a Alemanha tem beneficiado anualmente da introdução do euro, especialmente desde a crise do euro em 2011: de 1999 a 2017, o euro permitiu à economia alemã obter um ganho acumulado de 1,9 milhões de milhões de euros, ou 23.116 euros per capita. Entre os países observados, a Alemanha foi, por conseguinte, o país que mais beneficiou com o euro.


França

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Conclusão: Em França, a adesão à  zona euro levou a um declínio na prosperidade ano após ano. Desde a introdução do euro, estas perdas ascenderam a 3,6 mil milhões de euros. Isto corresponde a uma perda de 55.996 euros por habitante. Depois da Itália, a França é, portanto, o país onde o euro causou o declínio mais significativo no PIB. Esta evolução mostra que a França ainda não encontrou uma forma de reforçar a sua competitividade na zona  euro. Nas décadas anteriores à introdução do euro, a França desvalorizou regularmente a sua moeda para este efeito. Desde então, isto já deixou de ser possível. Em vez disso, são necessárias reformas estruturais. Para beneficiar do euro, a França deve prosseguir na via das reformas iniciadas pelo Presidente Macron.


Grécia

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Conclusão: Na Grécia, a adesão à zona euro conduziu a grandes ganhos de prosperidade entre 2001 e 2010. Esta situação alterou-se em 2011, depois de  ter rebentado a bolha em 2009, bolha esta criada em anos anteriores.  Desde então, o euro resultou numa queda da prosperidade. Em resultado dos ganhos de prosperidade nos primeiros anos após a introdução do euro, o saldo global no final de 2017 era de cerca de 2 mil milhões de euros, ou seja, 190 euros per capita. Para garantir que assim continue a ser a médio prazo, o Governo grego deve realizar reformas para aumentar o PIB per capita. Tal inclui medidas para aumentar a competitividade e melhorar o clima de investimento. O exemplo da Espanha mostra que as reformas estruturais podem inverter a tendência negativa de perdas de prosperidade cada vez maiores.


Itália

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Conclusão: Em nenhum outro país dos países examinados o euro conduziu a perdas de prosperidade tão elevadas como em Itália. As perdas sofridas desde a introdução do euro ascendem a 4,3 mil milhões de euros no total, ou seja, 73 605 euros per capita. Tal deve-se ao facto de o PIB per capita italiano ter estagnado desde a introdução do euro. A Itália ainda não encontrou uma forma de se tornar competitiva na zona euro. Nas décadas anteriores à introdução do euro, a Itália desvalorizou regularmente a sua moeda para este efeito. Após a introdução do euro, isso já não era possível. Em vez disso, foram necessárias reformas estruturais. A Espanha mostra como as reformas estruturais podem inverter a tendência negativa de perdas de prosperidade cada vez maiores.


Holanda

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Conclusão: Os Países Baixos lucraram com o euro todos os anos desde a sua introdução, especialmente em 2008 e 2009. No seu conjunto, o euro deu origem a um aumento da prosperidade de 346 mil milhões de euros, ou seja, 21 003 euros per capita. Dos países da zona euro examinados, apenas a Alemanha ganhou mais com o euro.


Portugal

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Conclusão: Portugal apenas beneficiou marginalmente do euro nos primeiros anos após a sua introdução. Nos anos seguintes, o euro conduziu cada vez mais a perdas de prosperidade. No seu conjunto, deu origem a uma quebra de prosperidade de 424 mil milhões de euros, ou seja, 40 604 euros per capita. Só em França e em Itália é que as perdas foram maiores.

Portugal tem de realizar reformas urgentes para aumentar o PIB per capita, se quiser beneficiar do euro a médio prazo. Por conseguinte, as condições de enquadramento para o investimento devem ser melhoradas e as despesas públicas utilizadas em maior medida para o investimento do que para o consumo.


Espanha

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Conclusão: De 1999 a 2010, a Espanha ganhou com a introdução do euro. Desde 2011, a adesão ao euro resultou numa redução da prosperidade. As perdas atingiram o seu pico em 2014. Desde então, essas perdas têm vindo a diminuir de forma constante. As reformas que foram levadas a cabo estão a dar os seus frutos. No entanto, uma vez que as reduções anuais da prosperidade entre 2011 e 2017 foram superiores aos ganhos anteriores, o saldo global permanece atualmente negativo em 224 mil milhões de euros ou 5,031 euros per capita. Esta situação poderá inverter-se em apenas alguns anos se a Espanha se mantiver firme no seu caminho de reformas.


Anexo

Os quadros seguintes indicam quais os países que constituem o grupo de controlo para cada um dos países da zona euro examinados e a ponderação utilizada para criar o cenário contra factual. O gráfico seguinte mostra a tendência real do PIB per capita (linha azul) e do PIB per capita hipotético (linha laranja) de 1980 a 2017.

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CEP

Estudo de Alessandro Gasparotti und Matthias Kullas,  Centre for European Policy in Freiburg , cepStudy, 20 Years of the Euro: Winners and Losers, An empirical study.


O próximo e último texto desta série será publicado amanhã, 08/05/2019, 22h.


Tradução de Júlio Marques Mota – Fonte aqui

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