UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (125) Reposição

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24 de Março de 2016

O CINE-TEATRO VASCO DA GAMA

 

João Leite da Gama, residente na ilha de S. Miguel, nos Açores, era sobrinho de umas primas de Bernardo de Lemos Carneiro de Barbosa. Este, era um capitão de milícias da Maia, que no século XVIII comprara uma quinta na Foz do Douro onde se instalou, morrendo pouco tempo depois, sem deixar descendência.

As primas, que viviam em Celorico de Basto, herdaram a propriedade de Bernardo Barbosa, e, tempos depois, doaram-na ao dito sobrinho que vivia nos Açores.

João Leite da Gama mudou-se de “armas e bagagens” para a sua nova propriedade.

Empreendedor, abriu algumas ruas e edificou um teatro, que denominou de Vasco da Gama.

 

RUA DO TEATRO
RUA DO TEATRO

 

Terá durado pouco tempo, este Cine-Teatro. Sabe-se que estava instalado num grande edifício, com camarotes, plateia e geral, e que já funcionava em 1887. Sabe-se também que ainda exibia programas de cinema mudo no início do século XX. Diz-se também que o edifício, após ter deixado de funcionar como cine-teatro, terá servido de sede ao Ginásio Clube da Foz.

O Teatro já não existe. Não se sabe onde ficava o edifício onde funcionava, não existem fotografias do prédio, cartazes ou programas das sessões, excepto a planta do teatro (existente no Arquivo Municipal do Porto).

 

PLANTA DO CINE-TEATRO VASCO DA GAMA
PLANTA DO CINE-TEATRO VASCO DA GAMA

 

O edifício terá sido demolido por volta de 1945.

Para a memória ficou unicamente o seu nome na rua onde esteve instalado, Rua do Teatro.

Diz-se ainda que o bloco de habitação existente nesta rua, com uma fachada minimalista e com projecto da autoria do arquitecto Eduardo Souto Moura, datado de 1992, estará instalado no lugar do antigo teatro, mas não há quaisquer certezas uma vez que também há quem diga que o local do antigo teatro é o do prédio amarelado situado um pouco acima desse.

RUA DO TEATRO EM PRIMEIRO PLANO O EDIFÍCIO AMARELADO, E MAIS AO FUNDO, O EDIFÍCIO (ESCURO) DA AUTORIA DO ARQ SOUTO MAOURA
RUA DO TEATRO
EM PRIMEIRO PLANO O EDIFÍCIO AMARELADO, E MAIS AO FUNDO, O EDIFÍCIO (ESCURO) DA AUTORIA DO ARQ SOUTO MAOURA

Talvez nunca cheguemos a saber ao certo o local exacto, sendo esse um dos mistérios em que a Foz do Douro e de uma maneira geral o Porto, são ricos.

 

 

 

 

6 Comments

  1. Quase posso afirmar de que o local onde foi construído e onde funcionou o Teatro Vasco da Gama era no local onde está o edifício da autoria do Arq. Souto Moura. Em 1910, Joaquim Gaudêncio Rodrigues Pacheco solicitou à C.M.P. licença (nº 1081/1910) para construir um prédio na esquina Norte da Rua do Gama com a Rua do Teatro. Mais tarde (licença nº 1277/1912) solicitou autorização para abrir uma porta no terreno que “CONFINAVA COM O TERRENO DO TEATRO VASCO DA GAMA”. Logo seria pegado a este edifício na esquina das ruas do Teatro e do Gama que estava construído o Teatro em causa. Só me falta verificar no Arquivo Histórico a planta do edifício construído por Joaquim Gaudêncio. Voltarei ao assunto.

  2. Correcto, concordo com esta exposição, com argumentos válidos e comprovados. Parabéns pelo esclarecimento. Faz anos que percorro esta rua e nunca me ocorreu questionar a razão do seu nome.
    É o costume, olha-se mas não se vê. Fico reconhecido ao amigo Inácio pela sua curiosidade em querer partilhar estes saberes.

  3. Consta que o Teatro Vasco da Gama era no espaço onde foi construído o prédio com o números de polícia 156 e 158, projecto de Souto Moura.
    O prédio da esquina, da Rua do Gama com a do Rua do Teatro, tinha passagem interior ao prédio imediatamente a seguir onde anteriormente tinha existido o dito teatro.
    No prédio da esquina (à venda) viveu a Madame d’Orey e no outro a sua filha, D. Luísa d’Orey.
    O Inácio Sousa é uma pessoa muito abalizada nos conhecimentos sobre a Foz do Douro.

    1. “No prédio da esquina (à venda) viveu a Madame d’Orey”.
      Lembro-me que o Pai de Madame quando regressou do Brasil onde viveu algum tempo, ficou a viver no prédio da esquina. No prédio a seguir que antigamente era de cor branca e estilo mais moderno, quem sobe a rua do Teatro é que vivia o Sr. Marchant (dono da representação de automoveis Peugeot) com a esposa Madame d’Orey, a filha Isabel + luisa e Patrick. Segundo o meu pai nascido em 1900, dizia que o Teatro tinha existido no prédio da esquina.

  4. O prédio amarelado era a escola e residência da Sra. Dona Cândida Sá de Albergaria. A seguir quem sobe no número 208 (antigamente 72) em 1940 nasci para o mundo. Em 1950 fiz a comunhão solene na Igreja de São João da Foz do Douro, onde na mesma altura a menina Isabel d’Orey também fez.

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