A TENTAR COMPREENDER OS TEMPOS QUE VIVEMOS (1), por JÚLIO MARQUES MOTA

Este texto foi publicado em A Viagem dos Argonautas em 30 de Outubro de 2021. É relativo aos resultados que o autor, já nessa altura, esperava  para o próximo domingo. 

 

Hoje, 27 de outubro, sabemos: o governo foi derrubado ou governo quis ser derrubado ou ainda ambas as coisas mas ao mesmo tempo.  Ficamos sem saber exatamente o que é que aconteceu e creio que a maioria das pessoas também não. Não se sabe qual das três hipóteses traduz a verdade e também não sabemos quais as razões exatas da hipótese que se considere verdadeira.

Publiquei há dias um texto sobre Victor Hill e a propósito do texto desse autor dizia eu, e bem antes da questão da rejeição do Orçamento, que a crise em Portugal poderia estalar no intervalo de mês e meio, se tanto. E isto na hipótese do Orçamento ser aprovado. Nunca me passaria pela cabeça que o orçamento não fosse aprovado .

Ora a minha posição pessimista relativamente a Portugal baseava-se na ideia que tenho das organizações representativas do patronato português serem incapazes de perceber as linhas de tensão que já se desenhavam ao nível dos trabalhadores dos setores industriais e dos serviços,  públicos e privados. Basta ouvi-los falar. Curiosamente, a burguesia empresarial portuguesa, do meu ponto de vista, não se distingue da burguesia empresarial retrógrada inglesa ou americana. Os textos da série ilustram bem o que se passa nesses países e a violência que por aí se avizinha. Esperar para ver.

Por outro lado, pela parte da Administração portuguesa capturada pelos dogmas impostos pelos  burocratas de Bruxelas, que veem a vida económica e social por uma folha de cálculo, e pela força dos tratados contra os quais a democracia nada pode, no dizer de um seu antigo presidente, também não seria de esperar uma visão mais larga do que a do patronato. De resto, como se ilustra quer pela crise no ensino de que “é proibido falar”, e por isso disso ninguém fala, quer pela rigidez do governo face à reversão das politicas desenhadas pela Troika e aplicadas por Passos Coelho e depois por Costa-Centeno, quer pela desgraça do que se passa no Serviço Nacional de Saúde, o governo parece querer, do ponto de vista estrutural, governar de acordo com a troika mas sem a troika, o que o obriga a ziguezagues espantosos para querer continuar a falar de esquerda.

Admitindo que a minha leitura esteja correta sobre os governantes públicos e privados deste nosso país e considerando ainda a crise pandémica, assim como o atual disfuncionamento das redes de abastecimento global, seria de esperar um endurecimento das forças do poder face àqueles que trabalham e que vivem dos seus rendimentos. E isto, mesmo pressupondo o tal orçamento de esquerda aprovado.

Neste quadro surge a queda imposta e não desejada ou desejada e depois imposta ou tanto desejada como imposta.

Do meu ponto de vista, a situação de hoje desencadeou-se a partir das autárquicas, que talvez tenham sido as mais nacionais de sempre por obra e graça de António Costa  e sobretudo dele. O Porto não é PS, Coimbra deixou de o ser, Lisboa deixou de o ser e os ganhos ao PC como Loures são vitórias de Pirro porque poderão ser as próximas deslocações para a direita. Um baluarte de esquerda e em que nem o próprio PS, vencedor em Loures,  percebe por que é que ganhou esta Câmara!

Dito de outra maneira, face às Legislativas daqui a um ano, dada a rigidez das Instituições politicas e dos seus dirigentes incapazes do mínimo golpe de rins, pouco se poderia mudar para que o povo português ganhasse  uma melhor ideia da governança socialista. Adicionalmente, e independentemente da governança socialista, pois é um problema que já vem de trás mas sobretudo desde a crise financeira de 2010, há uma forte movimentação da juventude para a direita, o que vem agravar os dados eleitorais do PS. O PS precisaria assim de ventos à direita e à esquerda que melhorassem a sua posição relativa para as legislativas que aí vêm.

No que diz respeito à direita, felizmente para o PS a direita tradicional está desorganizada, a disputa interna no CDS é enorme, e no PSD os gananciosos do poder estarão sobretudo ao lado de Rangel numa luta que pode ser de morte. Ganhe quem ganhar em cada destes dois campos, eles sairão da refrega fragilizados, o mesmo é dizer, dessas duas refregas e face a estes dois partidos, o PS sairá ganhador.

Quanto à esquerda, a questão pode ser mais complexa e, de entre os diversos pomos de discórdia, salientemos dois deles: a politica laboral, ou seja, reversão ou não da política laboral desenhada a regra e esquadro pela Troika e aplicada por Passos Coelho e governos seguintes; por outro, a política da saúde, o parente pobre de tudo isto, com os serviços a estourar pelas costuras por falta de investimento em capital físico, instalações e equipamentos novos e reparação de muito mais velho  mas ainda funcional, e sobretudo por falta de meios humanos. Brada aos céus que a política de saúde tenha sido a de levar a que muitos médicos na casa dos 40 a 60 anos tenham de trabalhar na privada para completarem os seus fins de mês.

O problema da exclusividade dos médicos dos hospitais, a situação dos médicos hospitalares de carreira  com ligação ao ensino e dos professores de medicina com ligação aos hospitais, estes s dois casos são diferentes,  mostra que a destruição das carreiras levadas a cabo principalmente por Paulo de Macedo se mantém inalterada. Até aqui, António Costa não teve o mínimo de coragem para tocar nestas matérias, nem ele, nem a ministra da Saúde nem o Ministro do Ensino Superior. Este vai mesmo ao ponto de declarar que parte da solução do problema da escassez de médicos se resolveria pela simplificação do curso de medicina.

A simplificação  do ensino superior parece ter sido  a palavra deste ministério, mesmo que nunca dita, Procure-se, por exemplo no campo das Economias, e naquela que é  considerada pela burguesia como a mais prestigiada Faculdade do país, a forma apoucadora  com os que meninos da burguesia que irão  dirigir os destino deste país são tratados, são menorizados, Basta ver os testes e testinhos a que são submetidos para não  forçarem as suas  capacidades de memorização.  Simplificar é pois o lema deste Ministro do Ensino Inferior.

Em toda o dramatismo desta situação o que se sente é  a linha austeritária da União Europeia, sobre a qual nunca vi nenhum deputado do PS fazer alguma crítica de fundo, uma linha austeritária que é necessário esconder, e é esta mesma linha austeritária que a esquerda de corpo inteiro, a esquerda efetiva —o PS é centro esquerda—, vê agora como oportunidade única de ser quebrada, com a ideia de que ou agora ou nunca.

Aliás, isto seria a consequência lógica da morte da gerigonça, feita por António Costa na noite em que foi o partido mais votado e falar agora do espírito da gerigonça pelas gentes do PS parece-me uma falta de vergonha, inaceitável num partido que se quer, sendo ou não sendo, um partido de esquerda. É do que se reclama agora. Utilizando um calão mais técnico, o que esteve em disputa na Assembleia da República foi a defesa tenaz pelo PS das reformas estruturais desenhadas pela Troika em Bruxelas, contra as reformas estruturais progressistas defendidas pela esquerda de corpo inteiro. Mas é pena que isso não tenha sido clarificado.

Ora, o que é que se verificou na Assembleia da República? Um desacordo total sobre o Orçamento, indo alguns deputados do PS ao ponto de ironizar com os deputados do Bloco de Esquerda e do PC de que estes já tinham apoiado orçamentos piores, os anteriores do PS! A ideia com que fiquei foi que os deputados do PC  e do Bloco de Esquerda se fartaram de andar a engolir os sapos que o PS lhes impunha. Um exemplo disso foi o desastre total da politica de transportes ferroviários de Pedro Marques com o silêncio amargo da esquerda. Por sorte, evitou-se na altura um desastre com um comboio de grande velocidade na linha do Norte.

Sentiu-se imediatamente na Assembleia da República que se tinha entrado em campanha eleitoral, com o PS a falar dos milhões que os pobres não iam ter, os reformados em particular, os trabalhadores de salário mínimo que não ia subir, etc, insinuando ou mesmo apontado que a Esquerda de corpo inteiro a que me refiro é uma falsa esquerda, porque de esquerda são as gentes do PS e pouco mais. São estas últimas que se preocupam com os necessitados do país e não aqueles que votaram contra o orçamento. Por essa via, está-se a querer dizer que o céu na Terra só poderá ser alcançado  com as gentes do Largo do Rato e com ninguém mais. Uma linha de ataque para a campanha eleitoral com a qual se espera ir buscar votos à esquerda para compensar as  perdas feitas a favor da direita, se as houver, sobretudo da juventude. Sublinhe-se que esta vive uma situação de desencanto, de ausência de futuro, a quem se oferecem apenas cursos completamente desvalorizados e não empregos dignos e produtivos, com salários e condições de trabalho condignas e é por aqui que se entende  o crescimento até  agora verificado da  direita pura e dura como o Chega, da direita liberal como a Iniciativa Liberal e do partido de lado nenhum e de tudo, o crescimento do PAN.

Tendo em conta a forte polarização que a campanha irá mostrar, isso irá reforçar o deslocar à direita da nossa juventude e por essa< razão até o PAN, um partido ideologicamente de nenhures, pode ser um partido condenado a desaparecer com a deslocação da gente ideologicamente sem “partido” a movimentar-se para a direita. O mesmo se passará com os independentes de hoje, que talvez vão parar ao PS. Missão cumprida, recompensa recebida.

Esta é a leitura  que faço da situação presente. Ontem, sobre o tema de hoje e com um título bem sugestivoa lembrar o jogo da galinha de que falo abaixo, Diretos ao desastre por uma crise de sonambulismo político, escreveu Rui Tavares, no Público do passado dia 27:

“Ninguém percebe o que se passa na cabeça dos políticos neste momento e, no caso de eleitores à esquerda, ninguém concebe que estejamos à beira de fazer a alegria (e boa fortuna) da direita e da extrema-direita, por causa de uma incomunicabilidade à esquerda. As pessoas veem o atual momento político, com o cada vez mais provável chumbo do Orçamento e a dissolução do Parlamento a meio do mandato para a realização de eleições antecipadas, como uma inacreditável intromissão dos taticismos políticos nas suas vidas, que já foram duras que chegue nos últimos tempos.”

(…)

“… acima de tudo, a situação em que estamos parte de uma reorientação estratégica ocorrida no orçamento do ano passado, quando o Bloco de Esquerda decidiu, depois de vários orçamentos condicionados pelas regras europeias, votar contra o primeiro orçamento em que estas estavam suspensas. Na altura comentei aqui o discurso de Catarina Martins e disse que, mais do que um discurso de debate orçamental, soou a discurso de apresentação de uma moção de censura. A diferença para este ano é que a reorientação estratégica do BE condiciona o PCP e sobretudo que António Costa está mais do que disponível para ir a eleições já, antecipando o que lhe aconteceria daqui a um ano, e aproveitando já a boleia desta oportunidade. Ninguém fica bem nesta fotografia.

E assim vamos como sonâmbulos, de olhos abertos, direito ao buraco de uma crise evitável. As pessoas lá fora veem isto com grande clarividência.” Fim de citação

A baralhar a situação presente temos ainda a monumental gafe do nosso Presidente ao receber Rangel, que não pode ser separada do contexto político do partido a que pertence,  não se podendo entender que  seja agora recebido para explicar a sua posição pessoal face ao líder do segundo maior partido português. Não, assim também não é sério. Algo anda muito podre no reino da Dinamarca. E de repente vemos Rangel com a mesma importância do líder do seu partido nos jornais e nas televisões e pela mão daquele que deveria ser completamente neutro nas lutas partidárias, porque é o Presidente dos portugueses. Nenhum ato é independente das suas consequências e Marcelo tem a obrigação de saber a leitura  que seria feita dessa mesma audiência.

O titulo do artigo de Rui Tavares, simplesmente,   faz-me lembrar uma carta  minha enviada à então Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, em março de 2015 onde explico o jogo da galinha, o  que agora pode ser visto na relação entre o PS e os dois partidos de esquerda citados.

Reescrevendo e repondo agora o que escrevi na altura a propósito da crise europeia  da época poderemos  hoje dizer:

A situação vivida  na Assembleia da República faz-me lembrar o  mecanismo de colisão brutal, como no jogo da galinha, em que se quer apenas que haja um vencedor, previamente estabelecido, o diktat de Bruxelas e de Berlim(2).  Não é a Alemanha que fala Europa, é a Europa que fala alemão, pela  via da austeridade que tanto parece convir à burguesia alemã.   Neste terrível jogo  da galinha, cujas peças foram milimetricamente realizadas  com a criação da Troika, consideremos então uma pista de automóvel, uma estrada, imaginemos com 5 km de comprimento mas com uma só faixa de circulação em que é marcado o meio da pista, a 2,5Km. Para se iniciar o jogo, cada carro parte de um extremo da pista e a grande velocidade no sentido do outro, um guiado pelo PS, outro pelo PC ou perlo Bloco de Esquerda. Repetimos: há só uma pista  e  não podem circular dois carros em paralelo na pista. O que pode acontecer nesta corrida de loucos? Como hipóteses temos quatro  hipóteses possíveis:

a) Duas hipóteses extremas:

1. Chocam os dois frontalmente. Morrem os dois dada a violência do choque, não há vencedores e a direita ganha o poder. Perde o povo, diremos nós.

2. Desistem ambos da luta, cooperando um com o outro. Há aprovação do orçamento, ganha o povo, ganham os dois(3).

b) Duas hipóteses intermédias:

3. Antes do choque, já com o jogo a desenrolar-se, desiste o PS, ganha a esquerda. O que se seguirá com a pressão da União Europeia e das Instituições Patronais será o bloqueio total à Administração Portuguesa e o caos na vida económica portuguesa. Um paralelo, foi o que Draghi fez à Grécia.

4. Desiste o partido de esquerda contra o qual corre o PS. Ganha o PS, é aprovado o Orçamento,  e, deixado este partido  momentaneamente livre, no plano político,  de pressão da esquerda. Caminhar-se-á para a criação de um bloco central patrocinado por Bruxelas e será o povo português a perder com este jogo de loucos.

Mas aqui a esquerda não morre, pode ganhar ânimo para outras batalhas dentro da mesma guerra contra as políticas austeritárias, como, por exemplo, para as próximas legislativas, denunciando vivamente o papel   até agora desempenhado pelo PS.

Temos portanto quatro vias de saída, o que pode ser visto como representando em abstrato as situações de saída possíveis. Obviamente, só a hipótese de desistência aceite pelos dois será conveniente para o povo português e isso significaria chegarem a acordo com o Orçamento, recuando cada um dos partidas em ALGUMAS das suas posições fixas.

Mas neste jogo à  partida os carros seriam iguais mas no nosso caso não são. A força de cada um é  diferente. Poderemos considerar que o PS conduz   um camião que está a rolar contra  um Fiat Uno em sentido contrário. Um choque frontal traria danos colaterais mínimos  ao camião e esmagaria por muitos anos a esquerda. É uma grande tentação  para muitos daqueles que no PS não se distinguem, nas suas ambições, das gentes do PSD que terá estado nelas presente desde a noite em que o PS ganhou as últimas eleições.

A assimetria agora levantada, mais de acordo com a situação que se quer exemplificar, dá-nos uma outra hipótese: há a recusa do Orçamento, o jogo é realizado, há um choque, o PS, o camião sai amolgado apenas e a esquerda pode sair desfeita, mandada violentamente para fora da pista durante um longo período de tempo em que se leva muito tempo a  reparar o Fiat Uno. Os acidentes históricos equivalentes são hoje muitos, para nos interrogarmos se a esquerda de corpo inteiro fez bem as suas contas.  Claramente aqui é de novo a esquerda e as classes mais desfavorecidas que saem atingidas, com o PS a ser empurrado para o Bloco central para que durante muitos anos a expressão  Socialismo Nunca Mais ganhe força de nobreza e reconfigure a realidade politica portuguesa. Dito de outra forma, tenho dúvidas, muitas dúvidas,  de que face à teimosia do PS a opção feita pela esquerda de corpo inteiro tenha sido a opção de que o país precisa.

Na hipótese agora considerada, a politica económica endurecerá, as politicas redistributivas do PS a fazer esconder a sua incapacidade de levar a cabo as reformas estruturais progressistas de que o país precisa, irão esfumar-se e aumentará então a contestação social,  os próprios movimentos dos trabalhadores, agrícolas, industriais e de serviços ficarão ao sabor de muitos anarquismos,  o que levará à criação e ao  endurecimento do Bloco Central ou, dito de outra forma, levará  ao esvaziar da Democracia. A Grécia aí está a mostrá-lo.  Não me parece que a esquerda de corpo inteiro tenha feito politicamente bem as contas, o que, dito de outra maneira, esta análise leva-me a  questionar se a melhor opção não seria então fazer passar o Orçamento com abstenção e declarações ao povo português  sobre as razões da abstenção.

Um jogo de morte será do meu ponto de vista o jogo que PS e Esquerda estão a jogar. Um jogo que o povo não entende. A vitima será sempre ele e, com ele, é também a Democracia que fica em perigo, e não é por acaso que, com a Grande Desilusão da população relativamente à ideia de democracia, vai fazendo com que a direita vá engrossando e cada vez mais. Isto pode ser a consequência deste louco jogo.

Um jogo de morte será do meu ponto de vista o jogo que PS e Esquerda estão a jogar. Um jogo que o povo não entende. A vitima será sempre ele e. com ele, é também a Democracia  que fica em perigo, e não é por acaso que com a Grande Desilusão da população relativamente  à ideia de democracia se  vai fazendo com que a direita vá  engrossando e cada vez mais.  Isto pode ser a consequência deste louco  e muito perigoso jogo da galinha.

De desilusão em desilusão, e o que se passa em Portuga  é, mesmo que de forma diferente, o que se passa na Inglaterra, nos Estados Unidos, em Espanha, é no fundo a consequência  lógica de uma forma bizarra de fazer e ver a politico, como um jogo apenas de números ou como um jogo da galinha com a pista cada mais curta e com os motores cada vez mais potentes.

É dessa desilusão sistémica no Ocidente que nos fala o texto que anexo a esta nota sobre o tempo presente, um texto  de    Philip Stephens, a despedir-se da sua profissão de jornalista, intitulado O Ocidente é o autor da sua própria fraqueza, que nos diz a concluir o seu artigo:

“Para um comentador político, 25 anos na mesma onda  é tempo mais que suficiente.

Portanto, esta é a minha última coluna no Financial Times.

Continuarei a escrever de tempos a tempos como editor contribuinte da FT mas, de resto,  tenciono ir em busca de uma melhor compreensão …, digamos, da história”. Fim de citação.

Diremos com Philip Stephens que é muito difícil compreender os tempos que se vivem no mundo  em geral, diremos com  as gentes do meu pais, as gentes da rua, que  é muito difícil compreender os tempos que vivemos em Portugal.


(1) Agradeço ao Gomes Marques a leitura minuciosa deste texto  assim como as suas sugestões. Quaisquer  erros ou omissões   ainda presentes no texto são da minha inteira responsabilidade.

(2) Sobre o jogo da galinha e a crise europeia veja-se o artigo de Neil Irwin, publicado  pelo New York Times  em  28 abril de 2015 e intitulado The James Dean Movie That Explains the Greek Debt Negotiations e disponível aqui, O filme de James Dean a que Irwin se refere e  onde se exemplifica o jogo da galinha, é Rebel Without a Cause.

(3) Esta situação política, em termos de  teoria dos jogos, remete-nos igualmente para o dilema dito Dilema do Prisioneiro. Sobre este jogo veja-se por exemplo, A Nova Ordem Financeira – O Risco no Século XXI, de Robert J. Shiller, editado por Actual Editora, 2015.  Por analogia com o jogo da galinha, em termos de cinema, este dilema é extraordinário bem exposto no  filme Perfume de Mulher com Al Pacino em que este ator ganhou o  Óscar de melhor ator.

 

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