UMA CARTA DO PORTO – POESIA – Por José Fernando Magalhães (487)

 

 

 

TEM DIAS

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Tem dias em que abafo

Preso nestas paredes

De pedra

Dias compridos onde vagueio

Entre palavras

E deambulo de quarto em quarto

De sala em sala

Abafado entre muitas sedes.

Tem dias em que me sinto assim

Cansado e farto

E preso

Fechado numa mala

Embrumado entre as paredes.

Já o dia chegou ao fim

E o meu pensamento alarde

Voeja por entre letras certas

Preso nas folhas

Dos livros lidos na sobretarde.

É já noite

E não se passou nada

Nunca se passa nada,

Tenho fogo que entra em mim

Que queima, magoa

E não se apaga,

Não tenho onde me acoite

À minha volta tudo arde

E preciso de pousada.

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Amanheço muito cedo

Nos dias em que me maço

E me encho de medo

De me entregar ao cansaço.

 

 

OBS – este poema foi publicado no meu livro “UMA, DUAS VEZES E TRÊS”, em Julho de 2012

 

 

2 Comments

  1. Eu cresci assim, preso entre 4 paredes mais o meu quintal. Em agosto nunca estava ninguém em Coimbra. E nos outros meses, enfim… identifiquei-me no poema…

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