
TEM DIAS
.
Tem dias em que abafo
Preso nestas paredes
De pedra
Dias compridos onde vagueio
Entre palavras
E deambulo de quarto em quarto
De sala em sala
Abafado entre muitas sedes.
Tem dias em que me sinto assim
Cansado e farto
E preso
Fechado numa mala
Embrumado entre as paredes.
Já o dia chegou ao fim
E o meu pensamento alarde
Voeja por entre letras certas
Preso nas folhas
Dos livros lidos na sobretarde.
É já noite
E não se passou nada
Nunca se passa nada,
Tenho fogo que entra em mim
Que queima, magoa
E não se apaga,
Não tenho onde me acoite
À minha volta tudo arde
E preciso de pousada.
0
Amanheço muito cedo
Nos dias em que me maço
E me encho de medo
De me entregar ao cansaço.
OBS – este poema foi publicado no meu livro “UMA, DUAS VEZES E TRÊS”, em Julho de 2012


Eu cresci assim, preso entre 4 paredes mais o meu quintal. Em agosto nunca estava ninguém em Coimbra. E nos outros meses, enfim… identifiquei-me no poema…
Que o cansaço não o vença. Abraço.