UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (659)

 

 

ALMEIDA GARRETT

Nos 170 anos da sua Morte

 

Almeida Garrett nasceu a 4 de Fevereiro de 1799 na Rua Barbosa de Castro 37 na cidade do Porto, e morreu em Lisboa faz hoje 170 anos.

A casa, ainda hoje existe, ou melhor, já só existe a sua fachada depois de um violento incêndio em Abril de 2019. Foi construída na segunda metade do século XVIII, durante a reforma urbanística dos Almadas, e está, desde há uns anos envolta em polémica. Um mês antes do incêndio, a Câmara tinha decidido avaliar a compra da casa para a transformar num Museu do Liberalismo, mas após o sinistro voltou atrás nas suas intenções devido ao muito alto valor pedido pelos proprietários.

Desde Abril de 2019, nada foi feito para recuperar esta peça que faz parte do património histórico da cidade e do país. Também desde essa data que se especulava existir uma agência imobiliária interessada em transformar o edifício numa unidade hoteleira. No entanto, tendo a autarquia direito de preferência de compra no caso de venda, e estando em causa o facto da casa estar em zona de protecção do património, e parecendo haver “fundos” no Município, e em última análise no país, começa a parecer estranho não ter, ainda, havido uma tomada de posição, por parte da Câmara, nesse sentido.

Chegou, entretanto, ao conhecimento público, a informação de que o actual proprietário terá recebido parecer positivo da Câmara Municipal do Porto a um “Pedido de Informação Prévia para Licença de Obras de Edificação de Hotelaria (29 quartos) e Restauração (51 lugares)”, o que de imediato motivou que um grupo de cidadãos e artistas do Porto, se mobilizasse para reunir no passado Domingo, 8 de Dezembro, junto à casa onde nasceu o escritor.

A iniciativa, divulgada pela companhia Teatro Plástico, diz que na manifestação seria lançada uma petição “exigindo a classificação e salvaguarda do edifício e a criação da Casa Garrett – Casa Museu e centro de estudos garrettianos”.

Do programa, para além de vários oradores, fez parte a música, com uma tuna académica a evocar os tempos de estudante em Coimbra, a actuação do Rancho Folclórico do Porto e uma feira do livro sobre o escritor e os autores do romantismo português e sobre o liberalismo, a decorrer na Escola Artística Árvore.

Garrett tem, na cidade, uma estátua, na Praça Humberto Delgado, a Biblioteca Municipal Almeida Garrett, e uma Praça com o seu nome, que ninguém conhece como tal, pois que lhe chamam sempre Praça de São Bento, por ficar ali juntinho à estação de caminhos de ferro.

 

Garrett é provavelmente o maior vulto da nossa cidade.  

É por todos conhecida a frase que nos define:

 

«SE NA NOSSA CIDADE HÁ MUITO QUEM TROQUE O V PELO B,

HÁ MUITO POUCO QUEM TROQUE A HONRA PELA INFÂMIA,

E A LIBERDADE PELA SERVIDÃO»

ALMEIDA GARRETT

Fotografias da sessão de ontem:

 

 

 

 

 

 

 

Foto Fernando Andrezo

 

Foto Fernando Andrezo

 

Foto Fernando Andrezo

 

Foto Fernando Andrezo

 

Foto Fernando Andrezo

 

 

 

 

 

 

 

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