FRANÇA: MEDIDAS SOCIAIS EM TEMPO DE CRISE – por Octopus

François Hollande viaja de comboio para ir às reuniões em Bruxelas

Apesar dos partidos   situados ao centro direita e ao centro esquerda nunca irem desenvolver   qualquer mudança política de relevo, dado que fazem parte do mesmo projecto e   são filhos dos grandes grupos económicos, os de esquerda sempre tiveram uma   maior preocupação social.

O actual presidente da   república francesa, François Hollande, socialista, tomou posse há apenas   quatro meses e já concretizou algumas medidas sociais e económicas bastante   interessantes. Não estando sob   resgate financeiro, a saúde económica da França sofre com alguns dos   problemas a que estão sujeitos todos os países da zona euro, no entanto as   medidas tomadas são a prova que durante as crises existe margem de manobra   para uma maior equidade social. As apostas são: uma   maior transparência das políticas seguidas pelo Estado perante os seus   cidadãos, taxar as grandes fortunas, taxar as transacções financeiras, apoio   aos mais desfavorecidos, criação de emprego, aposta na educação e na cultura.

 Segue-se uma lista   de algumas medidas já tomadas:

– Redução de 30% nos   salários dos ministros  (que passam assim de 14 200 para 9 940 euros),   do Primeiro Ministro e do Presidente da República.

– Criação de um   “Pacto Deontológico” para os membros do governo, com uma declaração   de não existência de conflito de interesses com o sector privado, a não   aceitação de prendas com um valor superior a 150 euros, a não participação em   qualquer organismo incluindo os sem fim lucrativo que interfira com as suas   funções, a renuncia aos mandatos autárquicos, privilegiar as deslocações em   comboio para percursos inferiores a três horas,…

– Retirada das tropas   francesas do Afeganistão até ao final do ano.

– Criação de um   “Livro Branco” sobre a defesa, em que será claramente definida a   estratégia de defesa, as missões das forças armadas, as prioridades militares   francesas e as colaborações com outras forças de defesa estrangeiras.

– Reforma aos 60 anos   de idade para os trabalhadores com um longo período de descontos.

– Aumento de 25% no   abono à famílias para a escolarização dos filhos.

– Baixa do tecto   máximo salarial dos gestores públicos, que será agora de 450 000 euros   anuais, ou seja este valor não poderá ser superior a 20 vezes a média dos   ordenados mais baixos praticados nessas empresas.

– Construção de 150
000 alojamentos sociais em 2012, contra 110 000 em 2011.

– Baixa do imposto   cobrado pelo estado sobre a venda de gasolina.

– Bonificação nas   ajudas ao alojamento dos jovens.

– Imposto   extraordinário de 74% para os rendimentos superiores a 1 milhão de euros   anuais.

– Criação de mais 1   000 postos de trabalho para professores no ensino básico, 280 para o ensino   superior e 14 500 para auxiliares de ensino.

– Aumento em 0,6% do   salário mínimo, para além do aumento anual (1,4%) baseado sobre a taxa de   inflação.

– Redução do IVA sobre   os livros e os espectáculos culturais, que passa assim de 7 para 5,5%.

– Duplicação da taxa   sobre transacções financeiras (que será agora de 0,2%) .

– Governo com o mesmo   numero de homens e mulheres e criação de um ministro do Direito das Mulheres.

– Imposto excepcional,   de 4%, sobre os stocks de produtos petrolíferos, para evitar a especulação.

– Limite de aumento   anual em 2% sobre as tarifas regulamentadas do gás e electricidade.

– Aumento de 2,1% nas   bolsas para estudantes.

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