REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930.

ESTAMOS NAS ANTÍPODAS DE RICARDO, por Júlio Marques Mota.

(CONCLUSÃO)

Parte IV.

ANEXO ou Como os factos  não correspondem ao que deles dizem os neoliberais

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A nossa hipótese é a de que três importantes choques externos verificados ao longo da última década podem ter afectado as exportações da zona euro de modo diferente nos seus Estados membros:

 A ascensão da China (e mais geralmente dos países emergentes da Ásia) pode ter conduzido à substituição das exportações dos países do sul da zona euro de alguns dos seus mercados externos [os terceiros mercados] por produtos produzidos na Ásia (Ver também Di Mauro, Filippo, Katrin Forster, and Ana Lima, 2010, “The Global Downturn and Its Impact on Euro Area Exports and Competitiveness”, ECB Occasional Paper No.119.2010). Também, o rápido crescimento na China pode ter impulsionado a procura de bens, como máquinas e equipamentos industriais, exportados pela Alemanha, mas pode ter tido impacto muito limitado nas exportações dos países do sul da Europa.

Os preços mais elevados do petróleo podem também ter afectado a balança comercial dos países da zona euro de forma assimétrica. Enquanto a balança comercial relativamente ao petróleo se agravou em todos os países devido aos preços mais elevados na importação de produtos energéticos, o rápido crescimento dos rendimentos obtidos pelos países exportadores de petróleo pode ter  beneficiado países como a Alemanha por exportar mercadorias de elevada procura  nestes países   exportadores de petróleo.

A integração dos países da Europa Central e Oriental na  cadeia de produção da zona  euro pode ter beneficiado os países exportadores como a Alemanha, que assumiram fortes posições em investimento  directo estrangeiro nestes países para tirar proveito de uma maior rentabilidade sobre o capital e com salários mais baixos custos (Marin, Dalia, 2010, “The Opening Up of Eastern Europe at 20-Jobs, Skills, and ‘Reverse Maquiladoras’ in Austria and Germany”, Munich Discussion Paper No. 2010-14,Department of Economics University of Munich.2010), mas que podem pode ter resultado em importações mais elevados nos  países no sul da Europa.

Em suma com o presente texto ficamos claramente a saber que os países do Sul estão a ser vítimas não tanto das políticas que fizeram, mas também delas como é lógico, mas  estão sobretudo  a ser vítimas  das políticas que não fizeram e que foram decididas e praticadas algures, em Bruxelas, em Frankfurt, em Berlim, em Genebra na OMC, em Pequim, em Washington no FMI, em Frankfurt no BCE, e de que como  prato de lentilhas terão apenas beneficiado de taxas juros baixas em certo período de tempo.  Beneficiaram delas é certo mas vê-se agora a um preço muito alto mesmo, que põe em risco o seu próprio futuro como país,  seja ele a Espanha, a Itália, a Grécia, seja ele Portugal ou o próximo país que com estas políticas virá também a sucumbir.

E é tudo.

Júlio Marques Mota

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