QUANDO OS CHINESES TOMAM PÉ NAS EMPRESAS OCIDENTAIS: O QUE ELES VÊM PROCURAR

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

Quando os Chineses tomam pé nas empresas ocidentais: o que eles vêm  procurar

O protocolo de acordo entre Dongfeng e PSA Peugeot Citroën publicado, o construtor chinês entra no capital do grupo francês. As marcas e as tecnologias europeias são cada vez mais cobiçadas pelos Chineses.

 Em breve seremos todos chineses?

Atlantico

19 février 2014

chine_17OS CHINESES INVESTEM CADA VEZ MAIS NO ESTRANGEIRO. CRÉDIT REUTERS
PARTE II
(conclusão)

Pode-se elaborar uma tipologia das aquisições empresariais feitas pelos chineses na Europa, e do que elas geram?

Jean-François Di Meglio : Há pelo menos três espécies de investidores: o vinho é frequentemente o facto (com excepção de cooperativas de Bordéus compradas por um grupo agro-alimentar muito forte na China) de chineses ricos que “o fazem por prazer” como o fazem com o imobiliário. Além disso, há também muitos aquisições de empresas “à barra”, ou seja de empresas em falência que oferecem uma plataforma de novo desenvolvimento (é o equivalente do que a China fez durante uma época em Hong Kong comprando empresas vazias e cotadas em bolsa para depois aí introduzir activos chineses, os famosos “os backdoor listings”), e por último há iniciativas de grandes grupos chineses como Blue Star, citado acima, o fundo soberano chinês que investe aos lados de GDF Suez para se desenvolver em países terceiros. Não há certamente um só um tipo de investidor, e esta tipologia tende ainda a diversificar-se mais .

Antoine Brunet : Para além da indústria do turismo, a China manifesta um interesse essencial para as nossas empresas do alimentar e de vinho. Vê-se bem ainda aqui o comportamento depredador que move a China. No caso do vinho, multiplica as aquisições directas de domínios, particularmente do vinho de Bordéus. No quando do sector de produtos alimentares, há o exemplo muito inquietante das cooperativas lácteas. Se o acordo concluído por Synutra (China) com a da Bretanha (Carhaix) não é que o saibamos muito inquietante, o que foi subsequentemente concluído por Boostime (China) com a da Normandia (Isigny) é-o muito mais. A contraparte chinesa com efeito subordinou o seu contrato de abastecimento à uma entrada significativa no capital da cooperativa, o que significa que um dia, esta sociedade chinesa poderia facilmente tornar-se proprietária de territórios agrícolas imensos e muito férteis situados sobre o nosso território nacional.

São os nossos activos mais válidos que são assim ameaçados de serem alienados sucessivamente à China, à medida que a França se enfraquece acumulando os défices comerciais com a China. Os Marroquinos podem testemunhar que, por terem deixado os interesses franceses apropriarem-se dos seus activos económicos mais preciosos, Marrocos acabou por perder a sua soberania e tornar-se durante cerca de 50 anos um protectorado da França.

Pode-se fazer um paralelo com o Japão, que foi a superpotência conquistadora nos anos 80? A China pode vir a conhecer o mesmo destino?

Jean-François Di Meglio : A China estudou o Japão e em especial o que ela considera como uma das causas do seu afrouxamento, nomeadamente a imposição pelos estrangeiros depois dos acordos do Plaza de uma taxa de câmbio desfavorável que suscitou bolhas sucessivas, geradoras de crises da bolsa, imobiliárias e financeiras. no Japão de 1991 até uma época muito recente.

Antoine Brunet: O comportamento do Japão dos anos 80 era exactamente o oposto do comportamento actual da China. Face a uma penetração então fulgurante das empresas japonesas sobre o mercado mundial, os Estados Unidos e a Europa tinham tido êxito em forçar as empresas japonesas exportadoras a deslocalizar a sua produção aos Estados Unidos e na Europa, e isso sem que Tóquio se tivesse oposto a isso.

É assim que se tinha visto, em especial Toyota, a que os japoneses viessem construir fábricas novas (Toyota Valenciennes em França). Estas empresas japonesas procediam então a verdadeiros investimentos nos Estados Unidos e na Europa e aí dinamizavam a actividade industrial e o emprego.

Até à data, não se viu nem Huawei nem ZTE, cujas partes do mercado europeu nas telecomunicações portáteis e no correspondente equipamento telefónico progridem de maneira espantosa, virem construir fábricas de interesse considerável na Europa. É na nossa que erradamente se está a considerar que a participação de Dongfeng em PSA constitui um investimento chinês em França. Não se trata de um investimento. Trata-se de predação, o que não é a mesma coisa.

Jean-François Di Meglio est président de l’institut de recherche Asia Centre.

Ancien élève de l’École normale supérieure et de l’Université de Pékin, ilenseigne par ailleurs à l’IEP Lyon, à l’Ecole Centrale Paris, à HEC ParisTech, à l’École des Mines Paris Tech et à Lille I.

Antoine Brunet est économiste et président d’AB Marchés.

Il est l’auteur de La visée hégémonique de la Chine(avec Jean-Paul Guichard, L’Harmattan, 2011) traduzido para português e publicado pela Almedina com o título  O Objetivo Hegemónico da China – O Imperialismo Económico, Coimbra, 2012..

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Ver:

http://www.atlantico.fr/decryptage/quand-chinois-prennent-pied-dans-entreprises-occidentales-qu-viennent-vraiment-chercher-antoine-brunet-jean-francois-di-meglio-986279.html

 

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Para ler a Parte I deste trabalho da Atlantico, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

QUANDO OS CHINESES TOMAM PÉ NAS EMPRESAS OCIDENTAIS: O QUE ELES VÊM PROCURAR

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