UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (66)

CARTA DO PORTO

A FORCA E A CAPELA DE NOSSA SENHORA DO Ó

A relação entre elas, a forca e a capela (a primitiva), é pequena mas não deixa de ser importante. Nela, na capela, rezava-se a última missa que os condenados à forca tinham o direito de ouvir, enquanto seguiam pelo caminho final que tinham a obrigação de fazer, em direcção à forca. Os condenados vinham, desde os calabouços, em procissão, pelo meio da populaça, que por certo num ou noutro caso, ululava, na expectativa de mais um precioso espectáculo, desciam a rua de S. João, e passavam por baixo da capela, saindo da cidade por uma das portas mais importantes da Muralha Fernandina (a da Ribeira).

Rua de São João e Praça da Ribeira
Rua de São João e Praça da Ribeira

A Porta da Ribeira, ficava onde hoje se situa a Praça da Ribeira (no largo onde está o famoso Cubo do escultor José Rodrigues). A Muralha unia, até 1821, os muros que de um e outro lado da praça, ainda existem, e limitavam a cidade. Onde hoje é uma enorme esplanada, desde a ponte Luís I até ao Largo do Terreiro, foi, até à intervenção de João de Almada e Melo (que, no século XVIII, a reformulou), uma praia fluvial.

Capela de Nossa Senhora do Ó
Capela de Nossa Senhora do Ó

A capela a que hoje chamamos de Nossa Senhora do Ó, não é a primitiva capela desta invocação.

Na estampa de Henry Smith de 1809 pode-se ter uma ideia  precisa da capela de Nossa Senhora do Ó sobre o muro da Ribeira.
Na estampa de Henry Smith de 1809 pode-se ter uma ideia precisa da capela de Nossa Senhora do Ó sobre o muro da Ribeira.

Em 1821, a original, que se localizava por cima da Porta da Ribeira, e de que há muito poucas imagens, foi desmantelada, e a imagem da Senhora do Ó foi para uma capela muito antiga (a sua origem remonta ao séc. XVI), situada a escassas duas centenas de metros, no Largo do Terreiro, que se chamava capela da Piedade do Cais, ou simplesmente, Capela da Senhora do Cais. Essa capela, que é a que hoje invoca a Senhora do Ó, foi remodelada após 1833, uma vez que o edifício fora atingido fortemente pelas balas de artilharia das tropas de D. Miguel, colocadas em Gaia (durante o Cerco do Porto), que metralhavam quase ininterruptamente a bateria de D. Pedro postada no Largo mesmo em frente à capela. Esta bateria foi de tal modo importante para a defesa da cidade, que ao Largo foi dado o nome de Bateria do Terreiro.

Quanto à forca, não esteve sempre ali, na Ribeira. Só para lá foi em 1714, por ordem da Câmara. Era preciso que ao espectáculo da execução dos condenados à morte, que era público, assistisse a maior parte da população.

Até essa data,  tinha estado colocada no Campo de Mija-Velhas, muito longe da cidade. Esse local teve, ao longo dos tempos, diversos nomes. Mija-Velhas até finais do séc. XVII, e, Poço das Patas, Campo Grande e Campo da Feira do Gado, desde essa altura até 1860, ano em que muda mais uma vez, e definitivamente, para o nome que hoje ostenta, Campo 24 de Agosto, em homenagem à Revolução de 24 de Agosto de 1820, que teve o seu começo na cidade do Porto.

A forca, manteve-se na Ribeira até 1825, ano em que a transferiram para o Campo da Cordoaria. Enquanto lá permaneceu, era permanente, e formada por grossos varões de ferro, com uma escada de madeira por onde subiam o condenado à morte e o algoz. Erguia-se em frente de um dos primeiros arcos dos muros da Ribeira (na direcção Nascente), ladeando a porta juntamente com o Pelourinho da cidade, um de cada lado (os locais ainda hoje lhe chamam o Arco da Forca). Depois da sua transfe­rência para o Campo da Cordoaria, passou a ser volante e feita de madeira. Montava-se para as execuções, e logo de seguida se desmontava.

São muito poucas as pinturas ou gravuras que retratam a forca do Porto.

Na Igreja de São José das Taipas, de que já falei aqui, na pintura representando o desastre da Ponte das Barcas, de 29 de Março de 1890, vê-se perfeitamente a forca, no lado de fora da Muralha Fernandina.

 

Ao centro da imagem, a forca, meio esbatida
Ao centro da imagem, a forca, meio esbatida

Há também algumas gravuras, como a de Marques d’Aguillar e outras de que desconheço o autor, que documentam a existência da forca na Ribeira.

 Pelourinho e a forca numa gravura de Marques d’ Aguillar de 1791.
Pelourinho e a forca numa gravura de Marques d’ Aguillar de 1791.
Com o n.o 39 o Pelourinho e com o n.º 40 a forca
Com o n.o 39 o Pelourinho e com o n.º 40 a forca

 

 

 

 NESTE NATAL, OFEREÇA PORTO

“Há quanto tempo não visita o Porto?”, “Leve os seus filhos ao Porto, ofereça-lhes a cidade” e “Já reparaste que o Porto está melhor que nunca?”

Turismo do Porto criou quatro vouchers com entradas para vários espaços da cidade. Para usufruir até ao final de 2015.

A terminar um ano grande para o turismo no Porto a autarquia pretende que portuenses e forasteiros ofereçam a familiares e amigos a oportunidade de conhecerem ou revisitarem o Tesouro e os Claustros da Catedral, a talha dourada e o Cemitério Catacumbal da Igreja Monumento de S. Francisco, a renovada Torre dos Clérigos, o Salão Árabe do Palácio da Bolsa ou a espada de D. Afonso Henriques, no Museu Militar, entre outros pontos de interesse, anunciou esta quarta-feira a autarquia.

O voucher família-adulto custa 28 euros. Uma criança paga 16 euros.

A proposta inclui um bilhete para o World of Discoveries, uma degustação de três vinhos na Porto Cruz – que oferece sumos, no caso do voucher para crianças, uma entrada no Museu Militar e a possibilidade de andar à vontade, durante 24 horas, nos autocarros panorâmicos da Blue Bus.

Já a versão “Jovem” inclui, por 17,5 euros, bilhetes para Serralves e a Torre dos Clérigos, uma viagem em tuk tuk e quatro provas na Vinhos de Portugal.

A versão para três dias custa 25,5 euros e permite visitar a Sé, o Palácio da Bolsa, a Igreja de São Francisco, mas inclui também a inevitável prova de vinhos e a viagem em autocarro turístico.

À venda nos postos de Turismo do Porto.

Notícia retirada do Jornal PÚBLICO

 

 

6 Comments

  1. Sempre interessantes as tuas cartas do Porto.Já agora,sabes quem foi o último sujeito a ser enforcado na cidade? Bom,segundo li algures,através do Germano Silva,foi um galego, numa forca improvisada,na Viela da Neta,mais tarde Travessa da Rua Formosa,junto à extinta Casa Forte e Adega “Lá Calha” (Maia Dias) – actualmente entaipadas por novos e adiados projectos urbanísticos…

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