A GALIZA COMO TAREFA – pérfida Álbion- Ernesto V. Souza

Sem dúvida na Galiza somos – ou éramos- filo-britânicos, esta ligeira admiração pelos modos, pela cultura, pela sociedade e nomeadamente pela economia, indústria, realidade e história Naval; a proximidade durante séculos por mar, o comércio e a imitação urbanística e inveja industrial não nos permite analisar com a necessária crítica e distância a longa e duradoira influência da Grande Bretanha no decorrer da história política da Espanha, Portugal e também da Galiza.caricatura-pulpo-imperialista-inglc3a9s

Fartos como estamos de analisar em termos geoestratégicos o papel e influência da política e economia dos Estados Unidos como super-potência e a sua intervenção constante durante todo o século XX na América e desde a segunda metade em Ásia e África, não queremos terminar de ver como essa ingerência da Super-potência afetou diretamente ou condicionou colateralmente a evolução política e económica da Espanha e Portugal desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O Franquismo e o Salazarismo não seriam como foram, nem teriam a duração e desenlace que tiveram sem a Guerra fria e sem a movimentada política exterior estadounidense. A história contemporânea da América Latina com a sua sucessão de Golpes de Estado, mudanças de governo, concessões, alianças… também não.

Sabemos ou imos sabendo mais e mais dos fatos da Guerra Fria: cultural, económica, diplomática, militar. Sabemos do complexo tecido de esculca e observação do Governo Norte-americano.

Porém o que não queremos saber, parece, é que uma semelhante política, uma intervenção constante, diplomática, económica, empresarial e militar, por meio de agentes, de diplomatas, de empresários, companhias, industriais, militares foi tecida pelo Império britânico nos séculos XVIII e XIX.

A História da Espanha e a de Portugal nesses dous séculos deveria ser vista contemplando a política exterior e os interesses britânicos (do mesmo jeito que a dos Austrias condicionara a das ilhas durante os séculos XVI e XVII), especialmente antes e durante as guerras peninsulares, nomeadamente desde a derrota Napoleônica e finalmente na Guerra civil espanhola.

Nada se mexeu na política espanhola nem portuguesa, durante o século XIX sem que a Inglaterra e os seus “agentes” não tivesse algo a ver. Da perca das colônias americanas espanholas, até o reparto das portuguesas na África e no Índico. Dos desenhos dos ferrocarris e controlo da minaria, do porto ao sherry, até a legislação e taxas a importação e exportação de produtos. Das dificuldades a um federalismo ibérico, até o triunfo de Franco na Espanha.

O poderio naval e colonial de Inglaterra, não esqueçamos, forjou-se seguindo o exemplo de Portugal e contra a possibilidade de que Castela fechasse do bastião naval galego o mar ao resto da Europa.

A nenhuma potência mais favoreceu e interessou a separação e o conflito entre a Espanha e Portugal no século XVII e XVIII que a Inglaterra (que deixou de temer a competência naval atlântica de Castela e ganhou “em dote” a porta da Índia de Portugal), a mais ninguém que aos britânicos que nenhum dos dous estados ibéricos na modernidade passassem de pequenas potências subalternas e que mais nunca nenhuma das duas fosse uma grande potência comercial e naval.

Se a Espanha e Portugal foram piões nos jogos geoestratégicos da Inglaterra no XIX e de Estados Unidos no XX, talvez sejam ambas realidades estatais, com as suas histórias e realidades territoriais, bem menos protagonistas da história que queremos narrar para entender.

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