Dos conhecimentos básicos em finança à opacidade e complexidade do mundo financeirizado – Uma exposição e uma análise crítica. Parte I – A finança básica hoje – 10. Os Derivados, as falhas do sistema financeiro e a economia global (4ª parte), por Randall Dodd

Jan Brueghel the Younger Satire on Tulip Mania c 1640

Jan Brueghel, the Younger Satire on Tulip Mania, c. 1640

Seleção, tradução e montagem de Júlio Marques Mota

Parte I – O básico na finança de hoje 

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10. Os Derivados, as falhas do sistema financeiro e a economia global (4ª parte)

Por Randall Dodd

Este texto é uma montagem baseada em dois artigos de Randall Dodd: “Backgrounder: Derivatives” publicado por Initiative for Policy Dialogue em 28 de junho de 2010 e “Primer Derivative Instruments” publicado por Financial Policy Forum, Derivatives Study Center, 2004.

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(4ª parte)

Contratos a prazo sobre taxa de juro

Os contratos a prazo sobre taxas de juro são contratos para contrair ou para conceder um empréstimo de dada quantidade em valor, dito o principal, a uma específica taxa de taxa e para um período de tempo estipulado.

Mercados a prazo sobre divisas

 O mercado a prazo sobre divisas trata de contratos a prazo sobre divisas, em que duas partes concordam em trocar dada quantidade de moeda estrangeira a uma específica taxa de câmbio e numa data específica no futuro. A taxa de câmbio a prazo é o preço a que as duas contrapartes irão trocar a moeda estrangeira numa data futura especificada no contrato. A taxa de câmbio a prazo é negociada geralmente de modo que o valor atual do contrato a prazo negociado naquele momento seja zero; isto é referido pela descrição do contrato como sendo negociado ao par, à paridade ou “no mercado.” Em consequência, não é necessário pagar coisa nenhuma no início do contrato porque o valor de mercado de um contrato à paridade é zero; embora um contrato esteja “no mercado”, as contrapartidas concordam às vezes em determinar colateral a fim assegurar a realização de cada um dos termos do contrato.

De forma mais simples. Seja Rs o valor unitário da moeda estrangeira, a taxa de câmbio à vista ou taxa spot. Seja i a taxa de juro nacional e i* a taxa de juro externa. A quantidade Rs aplicada no espaço nacional no momento inicial “rende” no final do período Rs(1+i). Se com Rs comprarmos uma unidade moeda estrangeira e a aplicarmos no espaço externo ela no final “rende” em moeda estrangeira (1+i*). Mas as duas quantidades não são comparáveis:  Rs(1+i) está em moeda nacional enquanto (1+i*) está em moeda estrangeira. Seja Rf a quantidade de moeda nacional por unidade moeda estrangeira no final do período, a taxa de câmbio a prazo. Neste caso Rf(1+i*) é a quantidade de moeda nacional gerada pela aplicação de uma unidade .de moeda estrangeira np final do período. Com movimentos de capitais aplicar Rs no espaço nacional ou comprar uma unidade de moeda estrangeira e aplica-la no espaço externo deve dar financeiramente o mesmo resultado expresso na mesma unidade de moeda, nacional ou estrangeira e para a mesma unidade de tempo considerada. Ou seja: Rs (1+i) = Rf (1+i*). Daqui se tira: Rf= Rs  ou ainda subtraindo 1 a cada um dos elementos desta igualdade obremos:  -1=  Simplificando, temos então:

Conhece-se a taxa Rs, taxa de câmbio à vista, conhece-se i e i* . A fórmula permite-nos achar então a taxa de câmbio a prazo, a que entra nos contratos acima. De acordo com Keynes haverá paridade entre taxas de câmbio e taxas de juro quando estamos perante esta igualdade, ou seja, quando a taxa de câmbio a prazo verificada no mercado for igual a taxa de câmbio a prazo que respeita a condição da paridade entre taxas de juro e taxas de câmbio.

Swaps sobre divisas

Um swap de divisas difere de um swap de taxas de juro porque aqui é o principal que é trocado (devido ao fato de que os pagamentos, que devem ser feitos em divisas, são feitos sobre o “principal” na transação).  

Um típico swap de divisa estrangeira começa com uma das pernas a ser indistinguível de uma transação feita no mercado à vista, o mercado spot, em que a moeda é trocada por outra à taxa de câmbio atual. A segunda perna, é uma operação a prazo sobre a taxa de câmbio a prazo da moeda estrangeira contratada. Assim um swap sobre moeda estrangeira é essencialmente a combinação de uma taxa de câmbio à vista e de uma transação de divisa estrageira à taxa de câmbio a prazo.

Os contratos swaps são negociados em mercados de balcão (OTC) e nos Estados Unidos não são sujeitos, isto é são excluídos da lei Commodity Exchange Act.

Um swap sobre divisas é pois a combinação de uma taxa de câmbio à vista com uma taxa de câmbio a prazo (ou possivelmente de duas taxas de câmbio a prazo). A perna que faz arrancar o swap consiste geralmente numa transação de divisa estrageira à taxa de câmbio à vista e a perna que fecha o swap consiste numa segunda transação de divisa estrageira à taxa de câmbio a prazo contratada no contrato.

Por exemplo, um investidor local entra num swap de divisas estrageiras, neste caso um swap de pesos contra dólares. Como exemplo, compram-se $100.000 hoje a uma taxa de câmbio de $0,050 por unidade peso (pagando-se pois 2.000.000 pesos para se comprar os 100 000 dólares), e os contratos para vender $100.000 dólares (isto é, para comprar pesos) são a $0,0475 dólares por peso a 180 dias. O investidor local recebe primeiramente $100.000, a primeira perna do swap, e então sobre a linha de expirar o swap paga os $100.000 recebendo em troca 2.105.263 pesos pela segunda perna do swap, encerrando-o. Esta taxa anualizada de retorno de 10,5% em pesos é devida à depreciação do peso contra o dólar (ou à apreciação do dólar contra o peso) e reflete o fato de que a taxa de rentabilidade do investimento em pesos é superior à taxa de rentabilidade dólar dos Estados Unidos. Olhemos para a fórmula acima RF= Rs+ Rs .  Rs e Rf são no exemplo os dólares por peso à vista e a prazo, com o dólar a ser aqui a moeda nacional. Rf é menor que Rs o que exige que (i-i*) seja negativo, o mesmo é dizer isto exige que i, taxa de juro americana, seja inferior a i*, a taxa de juro do México.

 

Os contratos a prazo sobre divisas e os swaps são utilizados por investidores estrangeiros e nacionais para se protegerem do risco de câmbio. Os investidores estrangeiros dos mercados de capital avançados que compram títulos denominadas em moedas locais usam os contratos a prazo e os swaps de divisas para se proteger da sua exposição longa ao risco da moeda local. Similarmente, os investimentos diretos estrangeiros em bens imobiliários físicos, fábricas ou equipamentos são expostos ao risco de depreciação de moeda local. Os investidores locais do país em vias de desenvolvimento que levantam fundos nas principais moedas a fim de investir em ativos de moeda local são expostos igualmente ao risco de câmbio, e eles utilizam demasiado os contratos a prazo sobre divisas assim como estes swaps– assim como os futuros e as opções onde estão disponíveis – para controlarem estes seus riscos.

Naturalmente os contratos a prazo sobre divisas e os swaps sobre divisas são igualmente utilizados para a especulação contra estas moedas locais. Os derivados permitiram aos especuladores alavancarem o seu principal a fim tomar posições bem maiores em valor nas moedas locais. Significa que isso os bancos centrais de país em vias de desenvolvimento devem vigiar cuidadosamente a taxa de câmbio nos dois mercados, o mercado à vista e o mercado a prazo. a fim de manterem as suas taxas de câmbio fixas.

Os mercados de divisas a prazo e swaps de divisas não são sempre altamente colateralizados (medido como uma percentagem do principal). O colateral é menos provável ser usada nas transações entre os principais atores dos mercados financeiros e o colateral é mais baixo para instrumentos financeiros menos voláteis tais como a moeda. Isto permite aos utilizadores dos produtos derivados em moeda estrangeira atingirem uma maior quantidade de risco relativamente ao capital próprio e, consequentemente, pode deixar as contrapartes dos derivados em divisa estrageira expostas a um maior risco de crédito. As maiores fontes de prejuízos de crédito sobre os mercados de derivados nos anos recentes foi devido aos incumprimentos sobre os mercados a prazo em divisas no Sueste Asiático e na Rússia.

 

(continua)

Textos de Randall Dodd disponíveis em:

“Backgrounder: Derivatives”, Initiative for Policy Dialogue, 28/06/2010, http://policydialogue.org/files/publications/Derivatives.pdf

e “Primer Derivative Instruments”, Financial Policy Forum, Derivatives Study Center, 2004, http://www.financialpolicy.org/dscinstruments.htm

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