UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (225)

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EFEMÉRIDES

5 a 15 de Março

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5 de Março de 1321 – O Bispo do Porto (D. Geraldo Domingues) é traiçoeiramente assassinado em Estremoz. Os seus restos mortais foram para a Igreja de Bouças (hoje Matosinhos), padroado que lhe tinha sido dado por D. Dinis em 1305, onde está sepultado na capela-mor, com uma belíssima escultura em madeira com legenda onde se lê que era o 29.º bispo do Porto (Guilherme Felgueiras, “Monografia de Matosinhos”, 1958, p. 5 e 396-397).

1866 – Morre o Lobo da Reboleira (António de Sousa Lobo), célebre avarento local que legou muito dinheiro à Misericórdia e a 100 viúvas pobres da freguesia de S. Nicolau (“O Tripeiro”, mar.1966, efem.).

1878 – Último (?) nº do jornal humorístico “O Serrote”, do Porto, de que foi diretor Francisco Carlos Amatucci (existe na BPMP no legado Vitorino Ribeiro).

1889 – Nasce Fulgêncio José Lopes da Silva, no Bonfim (Porto), tendo mais de 15 irmãos, tirou Farmácia, mas entrou no Museu Soares dos Reis em 1915 e na Biblioteca Pública em 1917, onde foi Bibliotecário e organizou numerosas exposições, além de manter o “catálogo sistemático ou metódico de matérias” ou o “catálogo ideográfico ou de assuntos” (pontos 4 e 5 do artº 6 do Regulamento aprovado em reunião camarária de 12 de Junho de 1947). Fez tão bem o seu trabalho que se dizia que era mais conhecido no Porto do que a Virgem e o Menino.

1894 – Nasce Artur de Magalhães Basto, no Porto, futuro historiador, responsável pela Secção de manuscritos da Biblioteca Pública, director do Arquivo Distrital do Porto, dirigiu “O Tripeiro” entre 1945 e 1960, redactor do “Boletim Cultural da C.M.P.”, onde publicou dezenas de artigos, disponíveis online do catálogo da Biblioteca Públia, onde é um dos autores mais representado, e seria ainda mais se os artigos dele na revista “O Tripeiro” estivessem no catálogo para os leitores os pesquisarem

1922 – É posto à venda o “Última Hora”, vespertino editado pelo “1º de Janeiro” de bom aspecto gráfico e escolhida colaboração (“O Tripeiro”, mar.1972, efem.).

1936 – A C.M.P. decidiu descerrar uma placa na rua de Santa Catarina, n. 208, onde nasceu e morreu o escritor Arnaldo Gama (“O Tripeiro”, mar.1986, efem.).

6 de Março de 1635 – O Imposto Real de Água é estendido a todo o país.

1851 – Nasce Miguel Bombarda, militante republicano e pioneiro da Psiquiatria.

 1917 – Anúncio de que D. Manuel II ofereceu ao Governo o seu Palácio dos Carrancas, para ser usado como Hospital de Guerra (“O Tripeiro”, mar.1967, efem.).

1958 – Cerca de 30% dos turistas não ficam na cidade do Porto nem uma noite.

1958 – Morre, em Leça da Palmeira, o pianista e compositor portuense Óscar da Silva (“O Tripeiro”, 2008, efem.).

7 de Março de 1878 – Nasce, no Porto, António Patrício, escritor licenciado em Medicina em 1908, nomeado cônsul no Cantão em 1911 e que faleceu em Macau em 4 de Junho de 1930. O espólio de 6 peças dos Reservado da BPMP incluem o manuscrito de “Diniz e Iza”, “Judas”, cartas recebidas de Fialho d’ Almeida e M. Teixeira Gomes, etc.

8 de Março de 1476 – Pêro Vaz, filho de Vasco Fernandes de Caminha e Isabel Afonso, moradores na Sé do Porto, recebe confirmação, por carta de D. Afonso V, de ser mestre de balança da Moeda do Porto (cargo que herdou de seu pai). Anos mais tarde, este portuense Pêro Vaz de Caminha foi o autor da carta de descoberta do Brasil (Eugénio Andrea da Cunha e Freitas, “Toponímia Portuense”, p. 281; “O Tripeiro”, mar.1963, efem.).

1874 – Inauguração do Mercado do Peixe, no local do antigo Celeiro Público e do futuro Palácio da Justiça (“O Tripeiro”, mar.1966, mar.1968, efem.).

9 de Março de 1872 – Início da Linha n.º 1, Infante-Matosinhos, por iniciativa do capitalista Eugénio Ferreira Pinto Basto e do deputado Melo e Faro, com autorização de exploração ao Barão da Trovisqueira em 25 de Agosto de 1870; primeiro explorada pela Companhia Carril Americano do Porto à Foz e Matosinhos. A inauguração oficial teve lugar a 15 de Maio de 1872, a partir da Alfândega Nova, por não se confiar na solidez dos terrenos anteriores. O nome tem origem no facto de a primeira carruagem pública puxada por animais (cavalos) ter surgido em 1832 em Nova York, e ia até ao Bairro de Harlem, sendo denominada “tramway”Chegaram a Paris e à Europa em 1853. Um pedido de exploração em 1858, de Albino Francisco de Paiva, foi negado. Quando a linha n.º 2 começou a funcionar, foi conhecida como a Companhia de Baixo (Pereira, 1995: 18, 33, 40). Foi electrificada entre 1896-1897, demorando o percurso Infante-Castelo da Foz-Infante apenas 60 minutos! Foi a Companhia de Baixo que promoveu o arranjo da velha estrada de Carreiros, ligando a Foz a Matosinhos e depois a Leça de Palmeira, com a construção da ponte sobre o Rio Leça (Gaspar Pereira, “Porto com Camilo”70).

1888 – Casamento de Camilo Castelo Branco e D. Ana Plácido, na rua de Santa Catarina, n. 458, celebrando o célebre orador Alves Mendes e assistindo o Dr. Ricardo Jorge, Dr. Urbino de Freitas, etc., incluindo o grande actor Dias, por quem o romancista tinha grande veneração (“O Tripeiro”, mar.1972, efem.).

1904 – A C.M.P. aprova a transformação do velho mercado Ferreira Borges em jardim de Inverno, salão de exposições e de festas elegantes (“O Tripeiro”, mar.1967, efem.).

1916 – A Alemanha declara guerra a Portugal, após a apreensão por Portugal, de navios alemães.

10 de Março de 1795 – O balão do capitão Lunardi: “Às 5 horas e 12 minutos […] na praça de Santo Ovídio [hoje Praça da República, Cedofeita] subiu esta Máquina, e viajou até Sobreiras [Lordelo do Ouro] (…) Desceu às 6 horas da mesma tarde”. Curiosamente, o capitão não era capitão, era um aventureiro cujo título honorífico foi dado pela Honorável Companhia de Artilheiros, de cujo quartel em Londres partiu em 15 de Setembro de 1784 na 1ª ascensão em balão em Inglaterra! (Carlos Fiolhais, “As Artes entre as Letras”, 28 set.2016, p. 20).

1918 – Antero de Figueiredo toma posse como director da Escola de Belas-Artes, substituindo o Arq. Marques da Silva (“O Tripeiro”, mar.1968, efem.).

1920 – Um grande incêndio destrói a famosa Fábrica de Louça de Massarelos, a primeira do género criada no país, onde o mestre William MacLaren iniciou o fabrico de faiança fina em Portugal (“O Tripeiro”, 1958, efem.).

1923 – Morre, austero e desprendido das coisas do mundo, Basílio Teles, na sua casa no n. 70 da rua Álvaro Castelões, em Matosinhos. Ilustre pensador e patriota, está sepultado no mausoléu dos vencidos do 31 de Janeiro, no cemitério do Prado do Repouso, no Porto. Apesar da C.M.M. ter tentado uma acção de despejo ao escritor, pagou o funeral e deu o seu nome a um jardim de Matosinhos (Guilherme Felgueiras, “Monografia de Matosinhos”, 1958, p. 493-494).

1927 – É lançada a revista literária Presença, que duraria até 1940, tendo como directores Branquinho da Fonseca, José Régio e João Gaspar Simões

11 de Março de 1917 – Fundação do Orfeão de Matosinhos (Guilherme Felgueiras, “Monografia de Matosinhos”, 1958, p. 676).

1961 – É pedida à C.M.P. que dê o nome de Artur de Magalhães Basto à rua do Muro da Trindade, que seja afixada uma placa na casa onde nasceu (R. D. João IV, n. 549), uma homenagem no Ateneu e um nº comemorativo em “O Tripeiro” (“O Tripeiro”, mar.2011, efem.).

12 de Março de 1867 – Nasce, na rua da Bela Vista n. 62 (na Foz do Douro – Porto), Raul Brandão, que abandonou a Faculdade de Letras para seguir a carreira militar, tendo-se reformado major em 1921. Apesar disso, foi intensamente jornalista e autor de “Os Pobres”, “Os Pescadores”, “El-rei Junot”, etc. (Eugénio Andrea da Cunha e Freitas, “Toponímia Portuense”, p. 292-293).

1935 – Nasce, no Porto, Júlio Couto, economista de profissão, famoso pelas crónicas sobre os portuenses nos jornais, compiladas em vários livros.

1967 – Nos 100 anos do seu nascimento, inauguração do baixo-relevo em bronze de Raul Brandão, de Henrique Moreira, no Jardim do Passeio Alegre. Raul Brandão nasceu e viveu a infância numa casa da Foz (Cantareira), no meio dos pescadores, como nos conta em “Os Pescadores”, tendo a sua casa um cabo de navio a servir de corrimão! O avô materno era um “Lobo do mar” que um dia nunca mais voltou, mas a avó Margarida esperou-o dos 20 até morrer, ou seja, “desde os cabelos loiros, que lhe chegavam aos pés, até aos cabelos brancos, com que foi para o túmulo”. Carta de Raul Pessanha ao JN de 31/7/199 (p. 90) reclama que o «fossem esconder num recanto pobre do jardim». Inaugurado pela viúva do escritor e presidente da C.M.P. (“O Primeiro de Janeiro”, 13 mar.1967, cit. Guido de Monterey, “O Porto 2”, p. 473).

2018 – Dia de Raul Brandão na Foz do Douro

2018 – Novo livro sobre Raul Brandão, “Cantareira 61”, da autoria de Joaquim Pinto da Silva, é apresentado na Cantareira, e é descerrada uma placa na casa onde o escritor viveu e escreveu.

13 de Março de 1945 – Inaugura-se o Farol “Cabeça de Esporão”, construído na extremidade do enrocamento do molhe exterior do porto de Leixões (“O Tripeiro”, 1958, efem.).

14 de Março de 1499 – Carta de D. Manuel I dirigida aos Homens Bons do Porto, aconselhando-os a fundar no burgo uma confraria idêntica à da Misericórdia de Lisboa (“O Tripeiro”, mar.1966, 1968, 1969, efem.).

2005 – Inauguração da Casa da Música, do arq. holandês Rem Koolhaas. Construída na antiga Remise dos Eléctricos do Porto (1873-1999), à Boavista. Curiosamente, o PDM de 1993 impedia a construção do edifício, pois ultrapassa a distância de 30m em relação à rotunda (“Jornal de Notícias”, 28/11/99: 3).

15 de Março de 1505 – Os antigos privilégios dos portuenses (os fidalgos não poderem ter casas no Porto), que tinham sido revogados em 16 de Dezembro de 1502 (no Foral do Porto), tornaram a estar em vigor (Germano Silva, Os Forais de D. Manuel I, “Jornal de Notícias”, 16 out.2016, p. 29). PD.

1759 – Os padres Jesuítas são expulsos do Convento dos Grilos (“O Tripeiro”, mar.1966, efem.).

1851 – Nasce, em Berlim, Carolina Michaelis de Vasconcelos, futura escritora, lexicóloga e crítica literária. Casa-se com o historiador de arte Joaquim de Vasconcelos, tendo sido a primeira mulher a dar aulas na Universidade de Coimbra. Morreu no Porto.

1962 – Turismo: os jornais publicam uma lista completa dos hotéis, concelho por concelho, porque o Turismo está na ordem do dia (“O Tripeiro”, mar.2012, efem.).

1963 – O navio liberiano “Silver Valley” encalha na barra do Douro. No dia 17 viria a ser muito comentada a ideia da compra de um helicóptero para o Porto, ficando à guarda do Aero Clube (“O Tripeiro”, mar.2013, efem.).

1993 – Introdução das taxas moderadoras na Saúde

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(Parte da prestimosa recolha do  Dr. Adriano Silva – Bibliotecário – BPMP, a quem agradecemos a autorização para esta divulgação)

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About José Fernando Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

8 comments

  1. Pingback: UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (225) | joanvergall

  2. Não seria preferível as EFEMÉRIDES estarem em sequência cronológica ?
    Um abraço com amizade e admiração.

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  3. Mário Fleming

    Gostei imenso de viajar na sua máquina do tempo. Obrigado. Abraço Mário Fleming

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  4. Inácio Marques de Sousa

    Olá Zé Magalhães. Boa tarde. Uma magnifica síntese de notícias cujos registos devem ser arquivados. Acho que a sequência cronológica é pouco relevante, no entanto permite uma consulta mais rápida. Um forte abraço meu amigo.

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  5. Inácio Marques de Sousa

    Permita-me apenas um reparo. O navio liberiano naufragado em 15-03-1963 tinha de nome Silver Valley e não Silly Valley. Um abraço

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