“A good many people believe Marriner Eccles is the only thing standing between the United States and disaster.” – TIME Magazine, 1936 |
Nota de editor:
Iniciámos no passado dia 1 de Fevereiro uma longa série – de mais de 50 textos – cuja última parte está ainda em preparação. A publicação de hoje ”Saltar sobre o Abismo – Marriner Eccles e o New Deal 1933-1940” de Mark Nelson, é o primeiro texto da 6ª parte da série – “6. De uma crise a outra, da crise dos anos 30 à crise dos anos de 2010-2020“, parte que é composta por 11 textos.
Esta série é, desde logo, o resultado do labor incansável e da mais elevada competência do seu autor, Júlio Marques Mota, e, como o próprio refere, é um trabalho que leva mais de um ano em preparação e “não foi um trabalho fácil porque, partindo do zero quase absoluto, tivemos de andar a deambular de texto em texto, aceitando uns, rejeitando outros, de referência bibliográfica em referência bibliográfica, cruzando textos e referências bibliográficas”.
É com grande satisfação e orgulho que publicamos na língua portuguesa estes textos em torno das ideias e ações de Marriner Eccles, o mais brilhante de todos os Presidentes do Conselho de Governadores do FED nas palavras de Michael Pettis (e que fazemos nossas). Como diz Júlio Mota, “Marriner Eccles é um dos maiores símbolos intelectuais da oposição fundamentada feita contra os teóricos criadores de catástrofes e os seus vassalos” e cujas ideias e ação, segundo a Time referia em 1936, “protegeram a América do abismo. Trata-se de ideias que na primeira metade do século XX ajudaram a fazer da América um grande país, e que vão contra as ideias destes falcões monetaristas (…) que querem fazer da Europa um insignificante continente”. E como conclui Júlio Mota os “… tempos de ontem, afinal, não diferem muito dos tempos de hoje, a lembrar a frase de Peter Kenen: o mundo mudou muito, mas os problemas são os mesmos. Os problemas são os mesmos e os políticos, pelo que se vê, são também os mesmos. É exatamente isto que confere uma extrema atualidade aos textos que iremos apresentar em torno da obra de Marriner Eccles.”
Dada a sua extensão a apresentação do texto será feita em 4 partes, a última das quais é constituída por comentários ao texto de Mark Nelson. Hoje publicamos a 3ª parte.
6. De uma crise a outra, da crise dos anos 30 à crise dos anos de 2010-2020
Seleção e tradução de Júlio Marques Mota
17 m de leitura
6.1. Saltar sobre o Abismo – Marriner Eccles e o New Deal 1933-1940 (3ª parte)
Publicado por
em 27 de Dezembro de 2012 (Jumping the Abyss: Marriner S. Eccles and the New Deal, 1933-1940, ver aqui)
(Continuação – 3ª parte)
Se a Grande Recessão parece ter realçado as limitações das medidas monetárias, também deu origem a mais um dilema que Eccles enfrentou na década de 1930. Em Outubro de 2010, um artigo de primeira página no New York Times noticiou que muitas das maiores empresas do país estavam a tirar partido do período prolongado de taxas de juro quase nulas da Reserva Federal para acumular dinheiro, vendendo obrigações a taxas de juro frequentemente inferiores a 1%, em vez de utilizarem as condições de dinheiro fácil para investir e criar empregos. Ostensivamente, esta situação é causada, alguns argumentariam – como foi afirmado de forma semelhante nos anos 30 – pela “incerteza” sobre o futuro da economia. (A incerteza sobre o futuro económico, Eccles gostava de dizer, não é a causa de uma recessão económica, mas sim uma consequência de uma recessão. Um fabricante de gadgets [n.t. engenhoca eletrónica portátil] torna-se confiante sobre o futuro quando alguém algures começa a comprar gadgets. Como muitos analistas financeiros previram, no entanto, uma boa parte dos empréstimos de hoje destina-se a financiar fusões e aquisições [31]. Esta é precisamente a acusação que Eccles fez setenta e cinco anos antes. Em meados dos anos 30, ele citava o açambarcamento de enormes “posições líquidas em dinheiro” por muitas grandes empresas como um obstáculo significativo à recuperação. A “desculpa”, disse ele, “era que ninguém sabia quanto tempo a depressão iria durar”. Isto presumivelmente não refletia a atitude de muitas pequenas e médias empresas que, como revelou um estudo do Departamento de Comércio de 1935, clamavam por empréstimos que não conseguiam obter. Quando “se trespassou o véu deste sofisma”, escreveu Eccles, a verdadeira razão – a compra de empresas concorrentes – “podia ser claramente vista”[32].
As medidas monetárias expansivas tomadas pelo Fed deixaram o Presidente Bernanke prisioneiro, tal como Eccles, entre aqueles que temem a inflação e aqueles que lhe dão as boas-vindas. Charles Plosser, o presidente do Banco da Reserva Federal de Filadélfia, alertou repetidamente desde 2008 para as consequências inflacionistas que podem resultar da abertura do mercado e das políticas de flexibilização quantitativa do Fed. Na Reserva Federal de Chicago, entretanto, o presidente Charles Evans lidera um coro crescente de economistas que, longe de estarem preocupados com a inflação futura, pensam que o presidente Bernanke precisa de prosseguir uma expansão monetária ainda mais ativa. Estes crentes da fixação do nível do PIB nominal têm fé que a inflação emergente encorajaria os detentores de dinheiro a gastá-lo ou a investi-lo. Assim, deram um novo nome a uma paixão antiga, que teria sido de facto familiar aos populistas americanos e contra a qual Eccles lutou energicamente. Tanto os “homens do dinheiro são” como o Senador Harry Byrd, como os “inflacionistas” como o representante do Texas Wright Patman – ambos espinhos constantes nos pés de Eccles -, disse ele, distraem a atenção da única coisa que ele pensava ser de alguma importância: “aumentar o poder de compra da nação”[33].
Diga-se mais uma vez que Marriner Eccles estaria claramente perplexo com o facto de os governos parecerem insensíveis às questões fundamentais sobre a procura agregada que na sua opinião foram deixadas claramente em evidência pelos desenvolvimentos da década de 1930 e da Segunda Guerra Mundial. O ziguezaguear orçamental face ao grave declínio económico, argumentou ele repetidamente, é uma receita para o fracasso. A muito discutida “década perdida” do Japão, iniciada em 1991, e que resultou na acumulação de uma dívida governamental maciça, não lhe suscitaria nenhuma concessão no que diz respeito à eficácia da política orçamental. “Combater uma depressão é como saltar um abismo”, afirmou uma vez, “se a fenda tiver 10 pés de largura, mesmo um salto de nove pés é pior do que não saltar ” [34]. Ele advertiu assiduamente FDR para evitar uma linha de ação que muitos economistas têm sugerido que o Japão seguisse docilmente nos anos 90 [35]. “Se gastarmos algum dinheiro todos os anos, mas não o suficiente para dar o estímulo necessário às despesas privadas”, escreveu Eccles num memorando profético no início de 1935, “podemos acumular uma grande dívida e ainda não estarmos fora da depressão”. A este respeito, ele exortou o presidente: “A política mais segura é a política mais ousada” [36].
Eccles teria quase de certeza fornecido conselhos idênticos em 2009. O facto do Presidente Obama, nesse ano, ter escolhido uma linha de ação orçamental que se revelou muito menos potente do que o que as condições económicas justificavam, poderia ter uma ligação substancial, se bem que indistinta, à historiografia do New Deal e ao que o historiador económico Bradford DeLong identificou como o “pessimismo contrafactual” – a convicção entre um grande número de universitários especialistas da Grande Depressão de que existiam tão poderosos obstáculos políticos e económicos em jogo naqueles anos, que a implementação de muitas políticas públicas eficazes ou foram curto-circuitadas ou nunca foram sequer seriamente consideradas. Ao avaliar as implicações duma tal perspetiva – que realmente não se poderia ter feito grande coisa – DeLong sugere que a sua aceitação “tem muito possivelmente afastado os historiadores económicos de uma visão equilibrada da Grande Depressão e da maneira de como ela poderia indicar aos historiadores não económicos como a Grande Depressão poderia fornecer analogias úteis para pensar sobre os problemas económicos de hoje”. De facto, existe uma clara semelhança entre as terríveis consequências de que tanto o Presidente Roosevelt como o Presidente Obama foram advertidos, mesmo quando restringiram os seus objetivos orçamentais. (Curiosamente, o défice durante o primeiro ano fiscal do Presidente Roosevelt – Julho de 1933 até Junho de 1934 – atingiu o mesmo nível de PIB que o do primeiro ano do Presidente Obama: 9 por cento [37]). Ambos os líderes foram informados de que os mercados financeiros entrariam em pânico e a confiança das empresas seria abalada, levando a uma escalada dos custos dos empréstimos governamentais e a uma outra recessão. À medida que a dívida soberana dos EUA crescia, tanto nas administrações Roosevelt como Obama, no entanto, os “vigilantes das obrigações” [os investidores no mercado] não só se mantinham presos aos seus investimentos do Tesouro, como estavam mais do que dispostos a aceitar taxas de juro em constante declínio. Eccles gostava de salientar isto, e gostava de observar que o papel, tinta, mão-de-obra, e custos de distribuição tornavam o empréstimo de dinheiro a taxas de juro tão baixas realmente mais barato do que colocar as máquinas de imprimir dinheiro a funcionar. Além disso, as ações orçamentais em ambos os períodos – especificamente 1934 e 2009 – demonstraram benefícios económicos positivos até que estes efeitos se dissiparam. Ambas as administrações implementaram orçamentos que continham os défices mais elevados da história dos EUA fora do tempo de guerra, uma distinção que é crucial. Eccles informou o presidente de que era “totalmente inadequado” [N.T. ou seja, o défice situava-se a um nível que era, não obstante, insuficiente. Ver N.T.2]. E, como veremos, ele procurou persuadir qualquer pessoa da administração que pudesse suportar ouvir que o presidente não estaria, de forma alguma, a gastar o seu capital político, nem os seus apoiantes do Congresso, com a criação de uma maior dívida federal, se com essa política trouxesse o pleno emprego e o crescimento económico de forma sustentada. Ambos eram necessários, argumentou ele, não apenas para silenciar os “uivadores da calamidade”, que decretaram os défices do governo como o fim da civilização ocidental, mas para fornecer o sustento económico para pagar a dívida nos anos futuros. Porém, um governo que abandona o estímulo prematuramente fracassará; isto, acreditava ele, foi a grande admoestação da “recessão de Roosevelt” de 1937, quando o governo federal e o Fed tiraram o pé do acelerador e geraram consequências verdadeiramente desastrosas [38].
Um dos exemplos mais recentes de “pessimismo contrafactual” pode ser encontrado no livro de George Akerlof e Robert Shiller de 2009, Animal Spirits, sobre as forças psicológicas que impulsionam a vida económica. Depois de notar que os gastos do New Deal eram de “ordens de grandeza reduzida”, eles parecem aceitar a explicação frequentemente ouvida de que FDR não tinha nem a “inclinação” nem a “legitimidade política para ir suficientemente longe”[39]. Este trabalho desafia estes últimos pressupostos, examinando a espantosa, se bem que excessivamente breve, vida da Administração de Obras Civis [CWA]. Criado por ordem executiva em 1933, a CWA foi um projeto de obras públicas que se destinava a ajudar a nação a sobreviver ao Inverno de 1933-34. Colocado nas mãos do notável Harry Hopkins, o programa demonstrou o poder remunerador de uma mão-de-obra bem remunerada, tanto sobre a procura agregada como sobre o espírito humano. Nascida em 9 de Novembro de 1933, a CWA colocou cerca de 4 milhões de americanos a trabalhar até ao Natal e quase 4,3 milhões até meados de Janeiro de 1934. Pode ser uma das realizações mais subvalorizadas da história dos EUA. Muitas vezes vista como uma precursora da Administração do Progresso das Obras (WPA) criada em 1935, a CWA não era tal coisa. Existem, de facto, distinções muito fortes entre os dois programas. Apesar de ter sido orçamentado em 400 milhões de dólares retirados do orçamento da Administração de Obras Públicas, o programa ultrapassou rapidamente esse montante e estava a gastar dinheiro, disse um observador desaprovador, “como um marinheiro bêbado”. Apesar de ter obtido um nível extraordinário de apoio público e demonstrar um benefício económico discernível que poderia ter sustentado a viabilidade política da agência, FDR ordenou a sua dissolução na Primavera de 1934. Na altura, Marriner Eccles chefiava a CWA em Utah e fez um esforço para o manter em funcionamento. (Apesar de, na altura, ele ter feito muita divulgação sobre o programa, incluiu apenas uma referência positiva, mas numa espécie de entre parêntesis, ao CWA nas suas memórias, e não fez qualquer menção à sua associação direta a este mesmo programa. É digno de uma breve especulação que abaixo apresento sobre a razão pela qual isto pode ter sido assim).
Embora tivesse sido mais difícil, muitos acreditam que o Presidente Obama poderia ter conseguido – ou pelo menos defendido – um estímulo fiscal muito maior. Ele certamente desfrutou do apoio de quadrantes inesperados, muito como o aconteceu com FDR em 1934. “Não é uma coisa imprópria numa recessão”, comentou Robert Lucas sobre o estímulo de Obama, “aplicar aí dinheiro e tentar evitar que a despesa caia demasiado”. (Lucas voltaria, claro, a uma visão mais crítica do estímulo fiscal em 2010). “Nestes tempos invulgares”, afirmou Martin Regalia, o economista-chefe da Câmara de Comércio dos EUA perto do final de 2008, “é necessário um pacote de estímulo significativo [a ênfase é minha] para que a economia avance rapidamente e, como tal, irá aumentar o défice a curto prazo”. Um mês antes, o economista conservador de Harvard Martin Feldstein tinha admitido que “a única forma [a ênfase é minha] de evitar um aprofundamento da recessão será um programa temporário de aumento das despesas governamentais”. Ele advertiu então que o “estímulo” deve ser suficientemente grande. Os editores do The Economist responderam a esta exortação, que Feldstein parecia proferir com algum desconforto, com uma saudação que Eccles acreditava ser finalmente aplicável a toda a sua geração: “Bem-vindo ao clube, Sr. Feldstein” [40].
Sublinhar-se-á – um ponto que tem um claro significado para a Grande Recessão – que tanto Eccles como o seu principal conselheiro económico, Lauchlin Currie, conseguiram travar a ideia do termo “lançar a bomba” [pump priming], porque esta transmitia a noção infundada de que um único aumento de despesa pública poderia reiniciar o fluxo de prosperidade económica. Isto parece ser precisamente o que a administração Obama estabeleceu em termos de estímulo fiscal em 2009. Embora a recessão tenha tecnicamente terminado em Junho desse ano e embora a economia tenha estado perto de crescer a 4% no segundo trimestre do ano seguinte – indicadores claros de que este estímulo truncado estava a começar o seu trabalho -, o desemprego continuava elevado e os uivadores da calamidade não foram silenciados. De facto, um vasto leque de republicanos congressionistas continua a proferir declarações banais sobre prudência orçamental e orçamentos equilibrados que fazem lembrar de forma espantosa as sombrias ofertas de remédio de Andrew Mellon a uma nação em dificuldades há oito décadas atrás. Sem dúvida que Eccles ficaria espantado em ver um grande número de eleitos a legitimar a teoria do ciclo económico austríaco que está disposta a encarar o sofrimento humano incalculável como um remédio necessário para graves recessões económicas, recessões que ele estava convencido de que a sua geração tinha demonstrado com sucesso como prevenir, em primeiro lugar.
Face a esta oposição conservadora às despesas federais, os defensores do estímulo da procura agregada voltaram-se para o que tem sido descrito como alternativas inovadoras. Nos últimos anos, foi sugerido o estabelecimento de um banco de infraestruturas patrocinado pelo governo federal que comercializaria títulos e daria garantias de empréstimos para alavancar o investimento privado na reconstrução das estradas e pontes da nação que estão em péssimo estado. Uma sugestão estrategicamente útil, talvez mas pouco inovadora, esse terreno foi pisado há sessenta anos por Eccles, tentando contrariar uma intransigência semelhante com esse mesmo conceito. (A ideia, evidentemente, equivale essencialmente à adoção de um orçamento de capital por parte do governo federal). Os patrocinadores de hoje têm recorrido à introdução da legislação promulgada com o título feliz: “The Rebuild America Jobs Act”. Também a este respeito, Eccles usou uma abordagem semelhante ao Congresso bastante conservador eleito em 1938, introduzindo oficialmente a lei como “The Self-Liquidating Projects Act of 1939” [Lei dos Projetos Auto-Amortizáveis de 1939]. Neste momento, parece que os esforços atuais para conseguir gastos em infraestruturas desta forma não serão mais persuasivos com os conservadores orçamentais do que em 1939 [41].
Numa linha tática semelhante, Robert Shiller escreveu em The New Republic no Verão de 2011, que com a mistura certa de impostos e despesas “o estímulo pode facilmente tomar uma forma orçamental equilibrada”. Esta abordagem, afirma ele, pode permitir que a procura seja reforçada sem alienar os equilibradores orçamentais. Ele remontou esta defesa aos anos 40 e aos economistas Walter Salant e Paul Samuelson, e observou que é um conceito que tem sido ensinado nas aulas de introdução do curso de Economia desde então. De facto, uma tal política orçamental foi uma faceta importante da série “contribuição federal líquida” de Lauchlin Currie de 1935, que Eccles referiu frequentemente. Era concebível que o tipo certo de excedente orçamental poderia aumentar a procura agregada mais do que o tipo errado de défice orçamental. Shiller descobriu, evidentemente, tal como Eccles quando argumentou sobre os méritos da proposta, que a tributação progressiva essencial para a tornar eficaz é inalteravelmente oposta à ideia dos “conservadores orçamentais”, a maioria dos quais deseja uma tributação baixa e não orçamentos equilibrados [42].
Eccles desaprovaria certamente o recuo da nação em relação ao seu compromisso de progressividade na tributação fiscal. A Grande Recessão foi teatro de uma avalanche de comentários sobre a natureza perniciosa da desigualdade de rendimentos nos Estados Unidos. A maioria dos relatos toma nota do facto de tais disparidades terem atingido níveis proporcionais ao início da Grande Depressão [43]. Alguns deram-lhe a designação de “A Grande Divergência”. Também aqui, Eccles consideraria lamentável fosse permitido o recrudescimento de tais condições económicas tão doentias. “O nosso problema agora”, informou ele ao Congresso em 1935, “é a distribuição de rendimentos”[44] . De facto, ele estava convencido de que o desequilíbrio na distribuição não só dificultava a recuperação, como era uma causa essencial para o desencadear da Depressão. Na sua famosa exposição de “A Grande Compressão”, que diminuiu dramaticamente a diferença entre os ricos e os pobres da América, os historiadores económicos Claudia Goldin e Robert Margo remontam o seu início a 1933. Como eles salientam, esta foi uma tendência económica que não ganhou um impulso significativo até à Segunda Guerra Mundial. Na década de 1930, porém, Eccles liderou a acusação a favor de progressividade fiscal – lamentou o imposto sobre a folha de salários como a fonte de financiamento preferida para a Segurança Social – e ficou muito insatisfeito com o progresso do New Deal nesta frente, e, como veremos, hesitou pouco em declará-lo publicamente. A chave para o conseguir, insistiu Eccles, era tributar suficientemente o que o historiador Mark Leff denomina os “subplutocratas”. Isto era algo que FDR esteve relutante em fazer até à guerra.
Esta vontade de entrar na briga política em quase todas as frentes faz um forte contraste com o atual presidente, Ben Bernanke. Em testemunho perante a Comissão de Orçamento da Câmara em Junho de 2010, por exemplo, o Presidente Bernanke foi rápido a defender o “aumento excecional” da dívida nacional como um antídoto necessário para a desaceleração económica e a sugerir – embora um pouco cautelosamente – que outro estímulo poderia ser aconselhável. Bernanke evitou cuidadosamente, contudo, qualquer menção a cortes específicos nas despesas, aumentos de impostos, ou quaisquer questões políticas para além das mais amplas declarações macroeconómicas. Mesmo quando instigado por um congressista que implorou: “Mas precisamos da sua perícia”, o presidente Bernanke insistiu que “evitaria tomar partido”. Eccles, pelo contrário, estava mais do que ansioso por partilhar as suas opiniões sobre aspetos relativamente obscuros da política pública e, de facto, hesitar em fazê-lo em questões políticas vitais entendia ele que seria como um quase incumprimento do dever. Assim, não estava de modo algum incomodado quando declarou publicamente que tinha chegado o momento de um programa nacional de saúde, e sentiu-se bastante livre ao enviar um memorando ao presidente sugerindo que tal projeto de lei de saúde assumisse a forma de subsídios em ajuda aos estados. Tais coisas, argumentou ele, estavam inexoravelmente ligadas à saúde da economia. Fazia tudo parte do seu trabalho [45].
Ecles antecipou que a sua franqueza poderia, a dada altura, pôr em perigo as suas hipóteses de ser reconduzido tanto na presidência como no próprio Conselho do Fed. De facto, ele estava convencido de que a sua batalha pública com A.P. Giannini do Banco da América trouxe exatamente esse resultado quando o Presidente Truman lhe negou a renomeação para a presidência em 1948. Tendo em conta as atuais preocupações sobre a influência das instituições financeiras na vida americana, a perspetiva de Eccles sobre este poder corporativo crescente tem algum significado. Além de Eccles, o “Gigante do Ocidente” [A.P. Giannini] foi um dos poucos banqueiros proeminentes que deu apoio a muitas iniciativas do New Deal e foi um importante contribuinte financeiro para o Partido Democrático. Embora o próprio Eccles tenha sido pioneiro no uso de uma holding para conseguir uma banca interestadual de facto antes do início da Depressão, ele chegou a acreditar no final dos anos 30 que a holding de Giannini, Transamerica Corporation, estava a tornar-se demasiado grande e poderosa. Eccles, para sua consternação, viu-se qual Dr. Frankenstein de um protótipo de negócio que caracterizou perante uma comissão do Congresso como “maligno”. Giannini, por sua vez, acusou o presidente do Fed de tentar controlar a Transamerica para beneficiar a sua própria empresa holding First Security. O confronto entre estes dois, que partilhavam muito em comum e tinham uma relação amigável a certa altura, tornou-se bastante público e virulento, e desenrolar-se-ia, no processo Eccles v. Peoples’Bank, perante o Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Embora Eccles tenha realmente ganho esta específica batalha legal, o vencedor final desta luta para refrear o poder da Transamerica e limitar o crescimento de tais instituições não é um nenhum mistério. “Não há maneira na terra”, Eccles admitiria mais tarde, “de impedir a expansão do Banco da América”. No entanto, que reação poderia ele ter ao saber que hoje os dez maiores bancos comerciais dos EUA comandam mais de 55 por cento dos ativos desse sector e que os lucros do sector financeiro ascendem a quase um terço de todos os lucros empresariais na nação? [46].
Num assunto que é claramente relevante para os cidadãos em 2012, Eccles procurou alcançar o que ele considerava ser “uma mudança de grande significado”, encarregando o Fed especificamente, por lei, de contrariar as “flutuações desestabilizadoras” tanto nos níveis de preços como no emprego. Embora não tenha conseguido que tal diretiva fosse incluída na Lei Bancária de 1935, fez campanha com sucesso para que fosse proclamada como um objetivo nacional pela Lei do Emprego de 1946. Em 1978, no entanto, o Congresso ordenou oficialmente que à Reserva Federal que prosseguisse políticas que gerem estabilidade de preços e o máximo emprego. Este “duplo mandato”, como é vulgarmente referido hoje, tem estado sob constante ataque por parte dos conservadores no Congresso desde o advento da Grande Recessão. À frente da acusação feita pelos Conservadores tem estado o Deputado Paul Ryan de Wisconsin, que apresentou um projeto de lei em 2008 que exigiria que a Reserva Federal se preocupasse apenas com a estabilidade de preços. O congressista continua a citar o perigo da inflação como a sua principal preocupação em relação ao duplo mandato [do Fed]. Este é um receio que ele e os seus colegas republicanos têm vindo a expressar desde há quatro anos, apesar dos níveis extremamente baixos de aumentos de preços. O Departamento das Estatísticas do Trabalho informou em meados de Agosto de 2012 que a taxa de inflação para todos os artigos (incluindo alimentos e combustíveis) entre Julho de 2011 e Julho de 2012 registou 1,4 por cento de aumento. Como tudo isto soaria muito familiar a Eccles, que foi constantemente obrigado a contestar ao longo da década de 1930o que ele chamou de “bicho-papão da inflação”. (E, como iremos descobrir, num infeliz período sucumbiu aos seus receios). Na altura, o economista britânico Ralph Hawtrey ironizou sobre esta preocupação com o chamado “Fogo! Fogo! No dilúvio de Noé”. [47]
Que o governo federal estivesse disposto a aceitar um elevado desemprego durante toda a década de 1930 era, nas palavras de Marriner Eccles, simplesmente “incompreensível” e uma “vergonha nacional”. Como argumentou durante a década de 1930, e durante o resto da sua vida, levou a sério as analogias frequentes da administração sobre a Depressão ser equivalente à guerra, e estava convencido de que se tratava de um “inimigo” que poderia ter sido vencido pela política orçamental [48]. Na Primavera de 1940, quando a “guerra falsa” [n.t. o período de 8 meses entre a derrota da Polónia em Setembro de 1939 e a invasão da França em Maio de 1940] na Europa se tornou espantosamente real – ilustrado pela fotografia de primeira página de um encantado Adolf Hitler a posar para o mundo face à Torre Eiffel- e o desemprego americano caiu para pouco mais de 9% à medida que os Estados Unidos aceleravam a sua produção de instrumentos de guerra, Eccles rejeitou enfaticamente o que sentiu ser uma complacência generalizada tanto por parte do presidente como do Congresso. “Como democracia”, disse ele em Maio ao Clube Económico de Nova Iorque, “não podemos dar-nos ao luxo de tomar a posição de que, porque as condições são satisfatórias para muitos de nós, outros menos afortunados podem ser afastados… até que o relançamento económico se desenvolva num futuro imprevisível”. Para além de considerações humanas, argumentou, “não é bom governo, boa democracia, ou boa economia perder a produtividade de milhões de trabalhadores”. Sugeriu aos seus ouvintes que “frases bonitas” sobre as instituições americanas “são uma mistificação sem sentido para um homem que não conseguiu encontrar um emprego”[49].
Por outro lado, Eccles veio a descartar, pelo menos na década de 1940, a visão não rara entre os partidários do New Deal de que devido a mudanças estruturais na economia e ao avanço das novas tecnologias, o país provavelmente nunca mais voltaria a experimentar o verdadeiro pleno emprego. “Pessoas inteligentes”, afirmou Harry Hopkins no final de 1935, “há muito que tinham deixado para trás” a confiança de que uma tal transformação económica intrínseca permitiria, mesmo “sob a mais completa recuperação”, a eliminação do desemprego. Isto exigiria, na sua opinião, uma continuação dos programas de obras do governo mesmo nos períodos de prosperidade geral [50]. Quando o pleno emprego regressou nos anos de guerra, muitos dos companheiros Keynesianos de Eccles, antecipando que a conclusão da guerra traria o regresso do desemprego em massa, advertiram que o governo federal deve estar preparado para ativar novamente o emprego público. Eccles, contudo, embora reconhecendo que as empresas poderiam necessitar de assistência na transição para a produção do sector privado previu com precisão, é claro, que o desemprego em larga escala nos anos do pós-guerra seria pouco provável que fosse uma preocupação importante [51].
Durante os anos de guerra, enquanto Eccles demonstrava que podia ser um cruzado tão ávido contra a inflação quanto o tinha sido contra o elevado desemprego, com a política orçamental mais uma vez a ser a arma da sua escolha – ele então favoreceu o imposto sobre a folha de salários e argumentou que este podia ser significativamente aumentado –, não pôde resistir a enviar uma carta ao Senador Harry Byrd da Virgínia. No decurso do seu debate público sobre os méritos da criação de fundos para financiamento do défice durante a Depressão, o democrata conservador tinha muitas vezes afirmado que as “falácias fantásticas de John Maynard Keynes em matéria de gastos, empréstimos e créditos ” eram rejeitadas pelo seu próprio país, e que em Inglaterra ele era “um profeta sem honra”. Eccles, entusiasmado, afirmou “não por malícia “, queria ter a certeza de que a Byrd não tinha escapado o facto de Keynes ter sido homenageado recentemente pelo rei de Inglaterra pelas suas muitas contribuições para o reconhecimento da nação e que ele era agora “Lord John Maynard Keynes”. Eccles transmitiu então a Byrd a sua confiança de que quando a paz regressasse de novo ao mundo, os Estados Unidos desfrutariam do pleno emprego sem necessidade de recorrer ao “contínuo défice e crescimento do sector público”. No entanto, chegaria sem dúvida o dia em que ele estaria alinhado com “este agora honrado profeta” no apelo a políticas orçamentais estimulantes a que o bom senador se oporia, e poderiam então voltar a ser “inimigos amigáveis”. Quanto ao economista inglês, Eccles concluiu: “O tempo tem um curioso hábito de justificar este homem de nome Keynes”.
Ao relacionar os detalhes desta carta na sua biografia de 1976 do presidente do Fed, Sidney Hyman escreveu que o “curioso hábito” do tempo seria provavelmente “justificar” também o homem de nome Marriner S. Eccles [52].
Assim parece ser.
(Continua – a 4ª parte é constituída por comentários sobre o texto de Mark Nelson)
Notas
[31] New York Times, 4 de outubro de 2010; Bloomberg Business Week, 15 de fevereiro de 2012.; Vanity Fair, janeiro de 2012. Artigo de Stiglitz.
[32] Eccles, 259.
[33] The Atlantic, 2 de maio de 2012; The Economist, 25 de outubro de 2011. Os discursos de Plosser ao longo da Grande Recessão têm sido saturados com críticas à política monetária. Veja-se Federal Reserve Bank of Philadelphia Speeches, 18 de novebro de 2010, 2 de dezembro de 2010, 17 de fevereiro de 2012
[34] Eccles Papers, 99:5. Collection (MSE) Special Collections Library, University of Utah, Salt Lake City, Utah, Box 99: Folder 5.
[35] Krugman, 71-73.
[36] Eccles Papers, 5:5.
[37] Bradford J. DeLong, “Review of Books,”The Journal of Economic History Vol. 48, No. 1 (Março de 1988), 239,240. Gauti B. Eggertsson, “Great Expectations and the End of the Depression,” Federal Reserve Bank Staff Reports, Staff Report no. 234, Dezembro de 2005, 1-3.
[38] Eccles Papers, 5:5; Eggertsson, 1-3; Krugman, End this Depression Now, 131-133. Krugman parece estar a deliciar-se com a sua refutação dos muitos avisos terríveis emitidos pelo historiador britânico Niall Ferguson em 2008-2010. Não é que a dívida soberana não seja importante, argumenta Krugman, mas deve ser mantida em perspetiva. O nível de dívida dos EUA, observou, está “muito abaixo dos níveis com que a Grã-Bretanha viveu durante grande parte da sua história moderna, tudo isto sem enfrentar um ataque de vigilantes de títulos”. Como será mencionado, esta referência à dívida britânica é uma referência que Eccles fez repetidamente.
[39] George A. Akerlof e Robert J. Shiller, Animal Spirits: How Human Psychology Drives The Economy, And Why It Matters For Global Capitalism, (Princeton: Princeton University Press, 2009), 96.
[40] Wall Street Journal: The Weekend Journal, 24 de setembro de 2011. Holman Jenkins Jr. comentários sobre a aceitação de Lucas do “primeiro estímulo” de Obama. ”National Journal Online, 2 de dezembro de 2008. Regalia comenta: “frequentemente não estou de acordo com Paul Krugman,” começa ele, “mas eu próprio penso que estou em geral de acordo com este recente artigo sobre estímulo e défice”. The Economist, 30 de outubro de 2008. Em outubro de 2010, Feldstein, como membro do Conselho para a Recuperação Económica de Obama, argumentava contra o fim dos cortes dos impostos para os contribuintes de topo. “Este não parece ser o momento para fazer recuar a procura”. Los Angeles Times, October 5, 2010, p.B4. Bruce Bartlett, um antigo conselheiro do Presidente Reagan juntou-se algum tempo antes ao grupo que defende o estímulo orçamental. Ele defendeu a sua posição em Forbes.com, 13 de fevereiro de 2009; Krugman, End This Depression Now, 124. Este assinala que o Presidente Obama podia ter utilizado o processo de reconciliação para contornar a posição de filibuster (obstrução) dos republicanos. Afinal, foi assim que o Presidente Bush fez passar as suas reduções de impostos e foi assim que o programa “Obama Care” foi aprovado.
[41] U.S. Congress. Senate. Committee on Banking and Currency. Hearings on a Bill to Provide For The Construction and Financing of Self-Liquidating Projects. 76th Congress., 1st Session, 1; New York Times, 15 de março de 2011, 15.
[42] The New Republic, 29 de agosto de 2011. Para uma interessante discussão sobre s questão, veja-se Per Gunnar Bergland e Matias Vernengo, “A Debate on the Deficit”, Challenge, Vol.47, No. 6 (Novembro-Dezembro, 2004), 5-45. Barbara Bergmann observa, por exemplo, que como esposa de um homem rico, ela simplesmente depositaria a sua redução fiscal Bush na sua conta corrente e provavelmente nem sequer aumentaria a sua carteira de ações.
[43] Matthew Slaughter, “Time To Tackle America’s Widening Inequality”, Financial Times, 6 de outubro de 2009. Interessantemente, Slaughter visa a natureza regressiva do imposto sobre os salários, que era um alvo favorito de Eccles.
[44] Mark Leff, The Limits Of Symbolic Reform: The New Deal and Taxation, 1933-1939 (Cambridge: Cambridge University Press, 2002), 130.
[45] New York Times, 10 de junho de 2010, B1. Ibid. Numa conferência de imprensa em 26 de março de 2012, veja-se Hyman,
[46] New York Times, 4 de dezembro de 1938; 27 de maio de 1949; Eccles, 442-448; Sidney Hyman, Marriner S. Eccles: Public Entrepreneur and Public Servant (Stanford Graduate School of Business,1976), 336-337. Comentário sobre a futilidade da tentativa de parar o crescimento do Bank of America.
[47] Eccles, 228; Daniel L. Thorton, “The Dual Mandate: Has the Fed Changed its Objective?” The Federal Reserve Bank of St. Louis Review Vol. 94, No. 2 (março-abril de 2012) 117-134. Thorton estudou as reuniões do FOMC e os relatórios ao Congresso de 1979 a 2008 e observou que, embora as reuniões FOMC utilizassem a “estabilidade de preços”, nunca mencionaram o “emprego máximo” como objetivo político; em vez disso, fizeram referência à estabilidade de preços e ao “crescimento económico”. A primeira utilização do mandato Humphrey- Hawkins de “emprego máximo” que conseguiu encontrar foi a declaração do FOMC da reunião de Dezembro de 2008. Isto parece ser um produto da Grande Recessão. Evidentemente, a suposição sempre foi que o crescimento económico traz consigo uma certa quantidade de emprego. Que isto poderia ser medido (Lei de Okun, 1962) alguns consideram que isso se torna problemático – por exemplo, se uma maior produção vier de uma maior produtividade poderia manter o desemprego estacionário; Para uma exploração da opinião de que havia uma obsessão custosa com o pleno emprego nos anos 60 e 70 que causou uma inflação prejudicial, ver Robert J. Samuelson, The Great Inflation and its Aftermath: The Past and Future of American Affluence (Nova Iorque: Random House, 2008) 55. Arthur Okun e outros keynesianos desse período eram “engenheiros públicos espirituosos” que não estavam dispostos a manter o travão nos anos 70 o tempo suficiente para acabar com a inflação que tinham causado – até aos esforços de Paul Volker em 1979-1982; The Financial Times, 4 de Outubro de 2011. Em testemunho perante o Congresso, Ben Bernanke defendeu o duplo mandato: “Penso que o duplo mandato tem funcionado bastante bem ao longo do tempo”, Matthew O’Brien, The Atlantic, 13 de Agosto de 2012. O’Brien escreve sobre a paixão de Ryan por Ayn Rand. Ryan parece particularmente afeiçoado ao discurso que Francisco d’Anconia profere no Atlas Shrugged sobre a desmaterialização da moeda; A citação de Hawtrey é bem conhecida e já a vi em vários lugares, veja-se por exemplo Matthew O’Brien, The Atlantic, 30 de Abril de 2012. (37).
[48] New York Times, 25 de fevereiro de 1933; “incompreensível” era a palavra favorita de Eccles. Foi primeiramente utilizada relativamente ao alto nível de desemprego enquanto testemunhava perante o Comité de finanças do Senado quando ainda era um cidadão privado em 1933.
[49] Eccles Papers, 1:3.
[50] Herbert Stein, The Fiscal Revolution in America (Chicago: The University of Chicago Press, 1969), 92, 93; Krugman, End this Depression Now, 35. Krugman começa uma secção intitulada “Isto é Estrutural” com uma longa citação de um cientista social discutindo o facto de que a força-de-trabalho simplesmente não é adequada para tomar posições na nova economia e que o desemprego estrutural não desaparecerá facilmente. Krugman informa então os leitores que “pregou-lhes uma pequena partida” porque a citação que soa tão parecida com os comentários que se ouvem constantemente em 2012, foi na realidade escrita em 1935. Como veremos adiante, Eccles parecia acreditar no início da Depressão que os velhos caminhos que tinham fomentado o crescimento tinham sido esgotados e precisar-se-ia de investimento governamental constante.
[51] Hyman, 288.
[52] Hyman, 289, 290.
Notas de Tradutor
[N.T.2] Como diz Spencer F. Eccles (em Marriner Eccles, pai do moderno Federal Reserve Setembro 2014- original aqui): “Mas o estímulo financeiro pelo défice não foi, nunca foi, tão importante quanto o necessário, quanto o que ele [Marriner Eccles] defendia durante todo o tempo que lá esteve, mas ajudou. Foi preciso o estímulo do défice da Segunda Guerra Mundial para terminar o trabalho, como todos sabemos.”
O autor: Mark Wayne Nelson, historiador, doutorado em História pela Claremont Graduate University. Ensinou História no Los Angeles City College e na Pepperdine University. Tem artigos publicados no Hartford Courant e no Los Angeles Times. O seu artigo sobre Henry Gaylord Wilshire e o socialismo americano no início do século 20 foi publicado em 2014 no Southern California Quarterly. O sítio na web New Economic Perspectives contém um detalhado artigo da sua autoria sobre o papel de Marriner Eccles no New Deal. É autor do livro –Jumping the Abyss: Marriner S. Eccles and the New Deal, 1933-1940 (2015).


