Selecção, tradução, nota introdutória e organização por Júlio Marques Mota, a partir de estatísticas oficiais
1.B Imagens de Itália para aquém e para além da manifestação:
(CONCLUSÃO)
…
Por outro lado e como comentário final a esta maquilhagem orquestrada por Bruxelas quando à nova forma de apresentar as contas nacionais, como se ilustrou com a análise anterior, podemos dizer que ninguém imaginaria que a Europa, pelas mãos de Durão Barroso e dos seus animais menores, como Olli Rehn por exemplo, fizesse apelo afinal ao trabalho da profissão mais antiga, a das prostitutas, e ao trabalho dos dealers da droga, do crime organizado, da venda ilegal de armas, do álcool, para esconder o desastre em que se transformou esta Europa. As estatísticas ficam assim menos desfavoráveis como se ilustrou com o caso italiano e por obra de alguém que vergonhosamente é condecorado com a mais alta medalha concedida pela Presidência da República de Portugal. Simplesmente, sabemo-lo agora, trata-se de um cargo também ele capturado pela ignorância de um economista, ignorância e incompetência já bem reconhecida, é o mínimo que se pode dizer, mas a crise que tudo vai arrasando não se compadece, não se pode compadecer com indulgências e com silêncios perante condecorações como estas.

Tudo isto com a chancela de Bruxelas. Inimaginável que assim se esteja a contribuir para uma melhor visão da Europa com estes aumentos do PIB e de diminuição relativa da dívida e do défice! Como afirmou uma alta autoridade o PIB não é um bom indicador da moralidade. È assim que se fala em Bruxelas. Passemos então adiante. Mas não podemos passar! Porquê?

Porque quando olhamos para isto e nos lembramos da afirmação anterior acerca do PIB somos obrigados a lembrarmo-nos também que Marine Le Pen foi uma das pessoas politicamente relevantes no xadrez partidário francês e europeu que mais se destacou na crítica a esta falta de dignidade com que as medidas do bem-estar se expressam nesta Europa, ao afirmar que se trata da negação mais básica do que é a moral (‘Denial of basic morality’). Mas com os Diabos, que raio de história é esta que é da direita que somos forçados a receber lições de moral sobre o que é a economia, o que é a ética na economia, enquanto a esquerda aparece relativamente calada sobre o mesmo tema!
A monetarização absoluta, perante a qual tudo vale, parece pois ser o código moral do homem que presidiu aos destinos da União Europeia agora a afundar-se. E como foi condecorado pelo Presidente da República de Portugal, um tal licenciado em Economia e doutorado pela Inglaterra, então este código parece ser também o código de honra de quem o condecorou. Logicamente assim. Como assina um especialista de relações internacionais, Eric Vernier, investigador no Instituto de Relações Internacionais, sublinhou “incluir o valor estimado das actividades criminosas no PIB e no crescimento da economia é uma tentativa cínica para combater a crise de dívida da zona do euro. O problema é ter colocado este novo método estatístico na mesa no momento em que a maioria dos estados estão com graves problemas orçamentais. Houve uma aceitação geral desta abordagem na contabilidade pública desde a crise: o mais importante é o que vai para os cofres do estado.”
E um bom exemplo desta moral vemo-lo com o princípio dos passaportes dourados: morrer em Melila, no Mediterrâneo ou algures para quem é não europeu e pobre, é o destino quase que garantido, viver em moradia de luxo para quem não é europeu e rico, é o que a estes é permitido. E pelo meio, que se espalhem uns milhões. Tudo faz parte do mesmo catecismo, o de que só o dinheiro é que conta, com a ressalva porém de que é assim mesmo, mas só e só não se é apanhado ! E entretanto tudo se faz para que a peneira deixe de ter rede para os segundos e seja cerradíssima para os primeiros, mesmo que se construa a ilusão do seu contrário. Veremos se não temos razão.
Mas entretanto não devemos deixar de sublinhar que este caso representa a corrupção generalizada a partir de Bruxelas. Com efeito a venda da cidadania, a troco de alguns milhões, claro, vai permitir ao detentor de passaporte dourado passear-se livremente pelo espaço de Shenghen e isto sem que os países parceiros desse mesmo espaço digam alguma coisa, sem que Bruxelas levante publicamente o dedo sequer! Esta é então mais uma forma consentida por Bruxelas para maquilhar a realidade económica. Pela prostituição o PIB aumenta, os rendimentos de Bruxelas poderão subir, pelos passaportes dourados a dívida aos alemães pode igualmente baixar e portanto deixemos agora que se crie um novo tipo de prostituição, a de países inteiros como entidades políticas e culturais. Reduza-se tudo a metal sonante, seja qual for a via, à falta de modelo económico e político capaz de o gerar pela dignificação do ser humano, isto é, à falta da vontade política de que este metal sonante seja gerado pela única via condigna, o trabalho humano. A contrapartida dessa opção de Breuxelas é o desemprego em massa. Eis, deste ponto de vista, o retrato da Europa mesmo que este seja tirado com lentes fortemente distorcidas:
“Eurostat estima que 24.512 milhões de homens e mulheres na UE a 28, dos quais 18.347 milhões são na zona euro, estão desempregados em Setembro de 2014.
Estados Membros
Entre os Estados Membros, a mais baixa taxa de desemprego foi registada na Alemanha (5.0%) e Austria (5.1%), e a mais alta na Grécia (26.4% em Julho de 2014) e Espanha (24.0%). Comparando com um ano antes, a taxa de desemprego caiu em 21 dos Estados membros, cresceu em seis e permaneceu constante na Bélgica. O maior decréscimo foi registado na Hungria ( de 10.0% para 7.6% entre Agosto de 2013 e Agosto de 2014), Espanha, (de 26.1% para 24.0%) e Portugal ( de 15.7% para 13.6%), e os mais altos acréscimos foram registados na Finlândia (8.2% para 8.7%) e na França (10.3% para 10.5%).
Para ler a parte II desta análise de Júlio Marques Mota sobre a situação em Itália, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:
http://aviagemdosargonautas.net/2014/12/04/as-razoes-da-crise-na-europa-analise-do-contexto-global-e-das-respostas-possiveis-a-dramatica-situacao-actual-1-grandiosa-manifestacao-em-roma-contra-a-desregulacao-do-mercado-de-trabalho-3/


