UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (72)

CARTA DO PORTO

PORTO, O QUE FOI, O QUE É E O QUE IRÁ SER

 

Nos últimos três anos a cidade foi distinguida duas vezes (não poderia ter sido mais) como o melhor destino turístico europeu.

O ano de 2014 foi um ano de ouro para a cidade do Porto. Todos os recordes, no Porto e no Norte de Portugal, foram batidos. Os de hóspedes (quase mais 10% do que em 2013), os de turistas (Franceses, Espanhóis, Suíços, e Ingleses em evidência), os de dormidas (mais 10,8% do que em 2013), os de passageiros (cerca de 7 milhões só no Aeroporto de Sá Carneiro), e o mais que se queira.

Aqui há uma dúzia de anos era quase impossível imaginar que o Porto pudesse vir a ser uma das cidades mais desejadas pelas pessoas, nacionais e estrangeiras, para passar umas férias, viver uma passagem de ano, namorar ou simplesmente conhecer a sua vida nocturna. A noite de 23 para 24 de Junho, essa, já tinha ganho há muito tempo esse estatuto, mas a cidade quase se ficava por ali, no que concerne ao que conseguia cativar os forasteiros.

Nessa altura, geria a cidade o Dr. Rui Rio (homem providencial para o começo do desenvolvimento do Porto), que, contestado por poucos mas barulhentos cidadãos, lá ia fazendo o seu trabalho, com a ajuda de uma nova geração de empresários que começou a apostar no centro da cidade, aproveitando o vento favorável que começava a soprar. Cortou com a subsidiodependência, com a mistura entre a política e os políticos e algum desporto e dirigentes desportivos, e começou a pôr as contas públicas em ordem. Apareceram espectáculos que trouxeram gente, muita gente, ao Porto, e foram falados no mundo inteiro. Como expoente máximo, de entre muitos outros eventos, as corridas de aviões e as dos automóveis fizeram explodir as audiências, e foram os principais motores do reconhecimento da cidade, pelo mundo. Aos poucos, muito devagar que as resistências eram mais que muitas, as condições para um começo de evolução começaram a aparecer. Foram aparecendo os bares, os restaurantes, os hotéis e os hostels (alguns acabaram por ser considerados dos melhores do mundo na sua categoria). Na cidade, não havia tempo para assistir a todos os espectáculos culturais (se alguém se desse ao trabalho de tentar ir a todos). Este trabalho de sapa demorou alguns anos, tendo sido um esforço titânico, cheio de escolhos, aplaudido pela população (expressa nos votos conseguidos nas eleições), e sempre muito contestado por meia dúzia de ruidosos atletas de meio fundo que só sabiam dizer mal, mas apesar dessa contestação de maledicência, acabou com o Porto a ser eleito o melhor destino turístico europeu de 2012.

Em 2013 apareceu o Dr. Rui Moreira. De novo um homem providencial. Pegou no muito que já estava feito, e no meio do caminho já aplainado pelo seu antecessor, rodeando-se de muitos e bons colaboradores, continuou a construir a cidade do Porto do futuro. E com este sangue novo e renovado, a cidade explodiu. Multiplicaram-se os eventos (o São João já não está sozinho como evento incrível e impressionante de movimentação de massas), as obras de beneficiação de ruas e bairros, as propostas, os projectos, recebemos a nossa primeira estrela Michelin, o Edifício Axa não pára, a cidade é uma tela com as suas pinturas murais urbanas, houve livros no jardim e na Praça, o Rivoli dançou, apareceram cada vez mais mercados e mercadinhos, o Hotel Intercontinental é considerado um dos melhores do mundo, a Torre dos Clérigos fez obras e está renovada, o comércio está revigorado, e a cidade voltou a ser eleita o Melhor Destino Turístico Europeu de 2014, continuando a ser hoje, como o era já há mais de dois anos, uma referência turística.

Lamentavelmente, as corridas de automóveis [alguns, jornalistas e tudo, que fazem parte dos que, de uma forma quase profissional, dizem mal só por dizer e gostam muito de se ouvirem uns aos outros (há mais, em quase todas as áreas), e entendem, também muito mal, que o Dr. Rui Moreira precisa que digam mal do Dr. Rui Rio, para assim se elevar, chamam-lhes, ainda, “as corridas de carrinhos do Sr. Presidente”] não regressam pelo menos em 2015. Não que o Dr. Rui Moreira o não quisesse, mas só porque o Turismo de Portugal aposta em todo o lado, menos no Norte do País.

Para o ano de 2015 prevêem-se cada vez mais, eventos, obras de beneficiação de toda a forma e feitio, turistas, e como não podemos voltar a ser, neste ano, o melhor destino turístico da Europa, vamos trabalhar cada vez mais para voltarmos a receber o galardão em 2016.

 No Porto, cada vez se dorme melhor.
Dos hotéis de 4 e 5 estrelas em construção e/ou em acabamentos, prevêem-se que abram este ano os: Flores Village Hotel & SPA – abriu já em Dezembro de 2014.; NH Collection Porto Batalha – Fevereiro; Vinci Porto – Fevereiro; Hotel AS 1829 – Março; Premium Porto Dowtown – Junho; Hotel Heroísmo – Setembro.

Para 2016 estão também previstos pelo menos mais 3 hotéis com o mesmo número de estrelas.

 

(propositadamente, hoje não publico qualquer fotografia da minha cidade)

2 Comments

  1. Interessante ver esta dinâmica da cidade e a forte aposta no Turismo.Sem duvida que depois de 2001,passando pelo Europeu de Futebol em 2004,a cidade nunca mais foi a mesma.Tenho algum receio
    que não se esteja a entrar num certo frenesim com “ene” Hotéis de 3,4 e 5 estrelas,mais novos Hostels,
    mais projectos para Aparthoteles…vamos acreditar que até 2020…com o “guito” que vem da UE,se possa
    aguentar todo este boom turístico…não esquecendo claro,as zonas mais pobres da cidade que precisam
    de ser dinamizadas,exs:Bonfim e Campanhã…e os “cancros sociais e habitacionais” na zona sul/ocidental,
    exs:Aleixo,Pinheiro Torres…Um abraço

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