PINTO O MEU POEMA
Pinto o meu poema
E desenho o meu caminho
Num mar de letras.
Às vezes junto alfazema
Outras jasmim,
Tudo no mesmo cadinho
E às vezes umas fraquezas.
Pinto o amor
As cores,
Os cheiros
Sentimentos e sabores
Procuro desenhar com primor
O meu mar de cativeiros
Onde todos somos actores.
Pinto-me do cheiro do pomar
E de suaves cores pastel
Amo as palavras por si mesmas
Procuro um sentido para me desenhar
E sentado num capitel
Dissolvo a doçura que o sal tem
E quando um dia eu me acabar
Desprendo-me do meu corpo
Parto com as aves
E vou para o lugar do nunca
Um sítio singular
Onde não vive ninguém
De uma ponta, à outra estrema
Numa enorme enseada.
Deixo as minhas mãos
De uma maneira ágil
Pintarem o meu poema
Na minha janela privada
Entrego-me ao meu destino frágil
E à imensa linguagem do silêncio
Onde tudo é quase nada.



Amigo, uma “pintura de letras” excelente. um poema com alma e com profundidade! Abraço