UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (155)

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ASSIM A MODOS COMO QUE DE UMA CARTA ABERTA SE TRATE

 

Já lá vão mais de nove anos (4 de Julho de 2007), que, pela primeira vez, decidi escrever uma carta aberta a alguém importante. Publiquei-a num jornal da minha cidade (infelizmente pouco tempo depois o diário caiu em decadência acabando, anos mais tarde, por falecer), o “O Primeiro de Janeiro”, repetindo a proeza por mais duas vezes, sendo que a última foi a 16 de Novembro de 2007.  

Nunca mais escrevi uma “carta aberta” fosse a quem fosse. Não porque as minhas cartas não tivessem tido resposta do destinatário, tiveram-na por uma vez, ou porque essa tivesse sido negativa (na realidade a resposta obtida dessa vez foi a adequada e nada teve de negativa). Nada disso, pura e simplesmente porque não mais calhou.

Por isso, e apesar desta vir a calhar, não o é na verdadeira acepção da palavra. Não quero que seja uma Carta Aberta, embora tenha destinatário, caso o fosse, como à frente se verá, e ele, a sê-lo, seria o nosso Presidente da Câmara.

Devo, no entanto cumprimenta-lo respeitosamente, Sr. Presidente.

Da carta aberta publicada em Novembro de 2007, embora tenha sido escrita em Setembro do mesmo ano, dirigida ao Sr. Dr. Rui Rio, retiro esta parte:

…  não se poderia pensar em fazer no Porto anualmente, um festival aéreo, corridas de motos, concursos de poesia em que o mote fosse a cidade, concursos de ideias para melhorar a vida da cidade, para melhorar e incentivar a visibilidade do Porto lá fora, concursos de estatuária e de pintura em que o mote fosse também a cidade e suas gentes, em posições e estados do dia-a-dia, sei lá, todos as hipóteses de coisas que possam elevar ainda mais a cidade, e leva-la ao conhecimento mundial, pelas coisas que só cá existam?
Oh meu caro amigo presidente, …, até que ponto será difícil fazer ainda mais coisas pela cidade, sejam elas populistas ou não, mas de que todos beneficiemos economicamente, seja directa ou indirectamente?
Temos que trazer para cá cada vez mais turistas nacionais e estrangeiros, mas turismo de qualidade, e isso só se consegue com a realização de muitos e bons eventos ou a construção de coisas que não haja noutro lado.

Vamos incentivar a vida nocturna, com qualidade e segurança. Vamos trazer ao Porto um S. João todos os meses, que dinamize o comércio e os serviços.

Façam festas, exposições, concursos, mostras, seja o que for que nos traga gente com dinheiro já amanhã, e que fiquem pelo menos dois ou três dias por cá, que não sejam sábado e domingo, (para que assim possam “ir às compras” no nosso comércio tradicional).
Limpem melhor a cidade, cuja limpeza, em certas alturas, deixa imenso a desejar e é um péssimo cartaz para quem nos visita. E não falo só do lixo nas ruas, espalhado e abandonado, mas também de prédios cujas fachadas são ou estão um perfeito e completo nojo!
Aumentem a vigilância nas ruas para, entre outras coisas, impedir o vandalismo.
Tragam gente de fora para ver coisas que só aqui podem ver, ou comprar o que só no Porto se possa comprar. Baixem os preços das habitações do centro da cidade, das dormidas e dos parques de estacionamento. Deixem quem tem carro, parar 15 minutos nas ruas pedonais, para efectuar compras, seja a que horas for, sem serem perseguidos pela polícia municipal. Promovam a animação de rua, com qualidade. Erradiquem os arrumadores
, …

 

Não foi por certo por causa desta minha carta, e/ou da anterior, que o Sr. Dr. Rui Rio, então Presidente da nossa Câmara, fez o que fez ou começou a trabalhar nesse sentido. À altura desta carta, por certo que os Serviços Camarários tinham já instruções para implementar muitas destas coisas. E na verdade, nos anos que se seguiram, se tal não o tivessem feito ou preparado, nada do muito que o actual Presidente tem vindo a fazer poderia estar a ser implementado. O salto qualitativo que a cidade do Porto deu nestes últimos três anos, fruto do trabalho do Sr. Dr. Rui Moreira e da sua equipa, teve por base o que o anterior executivo fez ou preparou.

Daqui lhe lanço um desafio Sr. Dr. Rui Moreira, ou dois, pequenos, por certo pouco importantes, mas que podem ajudar a levantar ainda mais o nome da nossa cidade.

Primeiro – No festival de Fado que anualmente tem programado para a altura do São João, procure convidar fadistas do Porto e textos que cantem a nossa cidade.

Segundo – Promova um concurso de estatuária com motivos da cidade, das nossas lendas ou das nossas vivências, e, ao vencedor, proporcione a implantação da obra na zona a que a mesma diga respeito. Como exemplo posso dizer-lhe o quão bem poderia ficar uma estátua do Frade e da Moçoila de Lordelo, implantada na Ilha do Frade, ou uma qualquer outra sobre as histórias dos inúmeros desastres marítimos, implantada nos rochedos que, na maré alta afloram as cristas das ondas do nosso mar. Sempre com, na margem, uma placa explicativa do que o visitante está a ver. No entretanto, e durante algum tempo, procure que as esculturas a concurso estejam expostas num dos Parques da Cidade, por exemplo no Parque Oriental, tão carente de visitantes e de notoriedade.

Façamos e tenhamos o que nos torne diferentes dos outros.

Para sermos iguais, não vale a pena o esforço.

 

E,

CAMPANHÃ
CAMPANHÃ

 

CAMPANHÃ
CAMPANHÃ

 

ESCADAS DO BARREDO
ESCADAS DO BARREDO

Sr. Presidente Rui Moreira, muito mais do que isto, falta tanta coisa para fazer, tanta coisa que, acima de tudo, melhore a qualidade de vida dos mais desfavorecidos da nossa cidade, e o senhor, muito melhor do que qualquer um de nós, sabe isso na perfeição.

Quero ainda cumprimenta-lo pela excelente equipa que compõe o seu executivo e que tem tido um desempenho muito positivo.

Vamos continuando com o bom trabalho!

 

 

 

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2 Comments

  1. Muito bem, como é seu timbre, esta CARTA ABERTA a Rui Moreira !
    Permito-me sugerir a ideia de bienalmente se realizar um concurso ( chamemos-lhe assim ) de ART STREET, pos não faltam ( infelizmente ) onde esses artistas poderão expressar-se.
    Agradeço imensamente ter incluído nesta UMA CARTA DO PORTO o convite para o lançamento do meu livro ENTRE O VER E O OLHAR.
    Um abraço grato .

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