Sobre os nossos dirigentes internacionais: da falta de ética à incapacidade de compreender a realidade económica. 1 – Fumos negros sobre os nossos olhos, fumos tóxicos sobre as nossas ideias (1ª parte). Por Júlio Marques Mota

1. Fumos negros sobre os nossos olhos, fumos tóxicos sobre as nossas ideias. Imagens da crise europeia. (1ª parte)

Por Júlio Marques Mota

 

 

Razões de uma dedicatória

Hoje, a Universidade de Coimbra está engalanada. Está em festa, com o doutoramento honoris causa de Jean-Claude Juncker, o homem de cobertura aos paraísos fiscais, às grandes multinacionais que controlam o mundo, o homem para quem a Democracia nunca se pode opor à força dos tratados.

A Universidade está em festa quando objetivamente deveria estar de luto pela situação asfixiante em que a política de austeridade coloca o país e, consequentemente, pela situação em que tem colocado o ensino superior.

Ora a segunda parte do nosso texto tem a ver exatamente com os fumos tóxicos sobre as nossas ideias que as Instituições, os seus think tanks e os seus ideólogos de pacotilha difundem por todo o lado e por todos os meios, tem a ver com as suas práticas no plano da política económica e social seguida desde há anos, tem a ver com os modelos de interpretação da realidade que difundem e que expressam uma clara recusa, ou até a  incapacidade teórica, em compreender a realidade dramática em que mergulham a Europa. Por isso, num dia que devia ser de luto universitário, dedico-o a todos aqueles que chegam à Universidade para aprender e que dela saem objetivamente defraudados, dedico-o igualmente a todos os professores que trabalham em condições de elevadíssima precariedade mais caraterística de um país de Terceiro Mundo do que de um país europeu. Mas esta diferença entre a Europa e o Terceiro Mundo tem vindo a esbater-se devido ao trabalho de destruição do modelo social europeu, ou do que restava dele, por parte de homens como Durão Barroso ou Jean-Claude Juncker, o homem agora homenageado.

A Universidade em Portugal é uma Instituição claramente em ruínas, temo-lo afirmado vários vezes e mantenho, e a prova disso é agora a sua homenagem a um homem intelectualmente morto, se é que alguma vez foi alguma coisa de intelectualmente importante.  Homenageado, afinal,  porquê?

imagem da série

Fotografia de Leonel Brás. Tirada junto à IP3, 24 horas depois do fogo ser considerado extinto.

1ª Parte – Fumos negros sob os nossos olhos

Portugal ficou parcialmente destruído no fim-de-semana passado. Lamentavelmente criou-se uma situação excecional que poderia levar o país, pelo menos temporariamente, a passar a não utilizar a albarda que a União Europeia lhe colocou com a lógica da austeridade. E isso está previsto nos Tratados, a derrogação do défice de 3% por condições de exceção. Ou será que as exceções só são aplicadas aos alemães e franceses? E, acrescente-se, para os espanhóis também há exceções.

Dito tudo isto de uma outra forma e de uma outra perspetiva, será que Centeno vai continuar a ter os olhos no défice a tender para zero com o país na situação em que está? Com um país completamente arrasado económica e socialmente, com um país queimado no terreno e nas almas de muita gente, não podemos deixar de reconhecer que se houve por aqui uma infinidade de acontecimentos na sua maioria não expectáveis, ou nem sequer ainda cientificamente explicáveis, não é menos verdade que o “encerramento cronológico” da época dos fogos é algo que não tem sentido senão numa ótica de austeridade. Num tempo meteorologicamente disfuncional procurar ter comportamentos funcionais, estandardizados pelo passado, é uma perfeita disfuncionalidade. Viu-se. Foi poupar nos aviões, foi poupar no pessoal, foi poupar no défice, mas aqueles que criticam agora o Governo Costa e a sua/nossa geringonça criticá-lo-iam igualmente se os meios estivessem disponíveis e se não houvesse fogos. A oposição mostrou o que vale: autores reais da destruição da maioria das proteções que a floresta tinha, arvoram-se agora em juízes do crime que eles próprios cometeram e de que agora responsabilizam os outros, o governo Costa e a gerigonça. A falta de pudor da oposição é total. Pode-se igualmente afirmar que mesmo que esses meios houvesse, não haveria bombeiros que chegassem, não haveria helicópteros que chegassem, é o que nos relataram pessoas que viveram o inferno daquele domingo de 530 ignições. Teria que haver outras estruturas de resposta que o país não possui, que não se fazem sem muito dinheiro e não se fazem sem muito tempo. É aqui sobretudo que joga a questão da austeridade, vista numa ótica de longo prazo. Uma grande parte do que se passou aqui não pode ser isolado da austeridade cega que nos foi imposta. O pinhal de Leiria, demonstra-o. Mas não só no aqui e no agora, mas também antes de chegarmos aqui, ou seja, também houve a falha, e enorme, numa ótica de curto prazo. Antes mesmo deste aqui. Sabia-se que este ano era um ano de enormíssima seca. Seria de prever a ocorrência de muitos fogos, por descuido, por maldade, por incapacidade de fazer vingar a lei, como é o caso dos foguetes, que pura e simplesmente deveriam em anos como este serem proibidos e assim sucessivamente. Seriam de prever muitas queimadas, como habitualmente, Não houve sequer uma campanha a nível local e nacional avisando do perigo das queimadas, da sua proibição, de que a autoridade seria severa em caso de prevaricação, etc. A este nível não houve, afinal, muita coisa.

O arsenal de resposta à situação que temos atravessado durante estes meses devia estar utilizável ao máximo possível face a eventualidades pensáveis quanto mais perante estas a que assistimos, impensáveis à distância. Mas isso era impossível, fazer despesa pública nestas duas óticas, a de curto e longo prazo, na ótica das respostas pontuais e estruturais, era impossível porque a estas lógicas sobrepunham-se duas outras lógicas, a lógica do défice, imposta, portanto não democrática, e a lógica da desestruturação do Estado e das suas funções. A lógica de minimização do Estado era também uma imposição de Bruxelas e um desejo subterrâneo dos neoliberais, muitos deles ditos socialistas.

Acabar com o clima de ódio do governo para com o povo foi uma das primeiras tarefas, e com muito sucesso, da nossa geringonça. Apontar para a necessidade de reverter grande parte, se não toda a obra dos vassalos da Troika, Passos Coelho, Portas, Cavaco Silva, e com toda a urgência, foi a promessa, uma promessa apenas muito parcialmente cumprida. As violências diárias no mercado de trabalho são disso um bom exemplo, mas podíamos escolher muitos outros setores para mostrar que pouco ou nada sectorialmente se começou ainda a avançar.

Entretanto, na linha da reversão apontada, espalharam-se, para já, uns pozitos de redistribuição de rendimento mas acompanhando tudo isto com a manutenção da austeridade, escondida, a permitir à geringonça continuar até se desfazer nas próximas legislativas com a maioria absoluta do PS sem enfrentar sequer as questões de fundo da sociedade portuguesa. Será assim por medo face à orquestração possivelmente violenta da direita que domina por inteiro os meios de comunicação social, por falta de coragem política para o fazer, por falta de recursos financeiros, que são muito escassos, acrescente-se, ou por um pouco de tudo isto [1]?

A austeridade escondida sente-se por todo o lado na Administração Pública: nas Universidades onde muitas funções são agora realizadas por alunos à tarefa! Sente-se nos hospitais, onde muita gente dos serviços administrativos se reformou e, em nome da austeridade, não foi substituída. Sente-se nas reclamações dos enfermeiros, sente-se nas remunerações ultrajantes pagas aos docentes convidados na Universidade de Coimbra e noutras, dizem-me que ainda é pior. A austeridade sente-se de uma forma poderosa e indiscutível, na quebra a pique do investimento público, e aqui temos uma componente chave do futuro dos portugueses a ficar altamente degrada. E como temos vindo a falar de fogos, a austeridade sente-se, face à enorme seca previsível para este Verão, na falta de pessoal, mesmo pessoal não diferenciado, de apoio sustentado à floresta. Um exemplo: “o pinhal de Leiria tem agora, para os mesmos hectares, 18 trabalhadores quando dantes tinha 700.“ Não devemos aqui esquecer todo esse trabalho de demolição das estruturas de apoio à floresta, que foram desmanteladas por aqueles que funcionaram de verdadeiros lacaios da Troika, desmantelados pela trilogia Passos Coelho, Paulo Portas e a ex-ministra da Agricultura e Florestas Assunção Cristas.

Mas houve os tais imponderáveis, completamente imponderáveis, ventos, o furacão Ofélia (quanto a este basta pensar nas temperaturas elevadas durante a noite de sábado, entre 23 e 26 graus à meia-noite em Coimbra), a poucas horas das 530 ignições de Domingo, a longa falta de chuva, o muito calor e, se calhar, mais incendiários que no ano passado, por conta própria, por pulsões, ou por conta de outrem também. Talvez até de uma extrema-direita, subterrânea, organizada. Talvez. E o resultado foi o inferno de Dante na terra, na nossa terra, nas nossas vidas. Se alguém tem dúvidas questionem pessoas que estiveram no meio do inferno, peçam-lhes, serenamente, relatos. Contam‑vos, contaram-nos, ficámos a perceber. Perceberão inclusive que se não houve uma catástrofe ainda maior foi por um conjunto de acasos, neste caso felizes.

Desse inferno, alguns exemplos. Um primeiro: Com as autoestradas cortadas, um domingo, com a GNR desorientada – as comunicações como é que funcionaram ou o CIRESP já estava desativado (?) – houve centenas de pessoas que foram apanhadas entre fogos. Num dos casos um Mercedes atravessa a toda a velocidade uma zona a arder. Será menos de um segundo. Os pneus começam a arder. Passado o fogo, uma forte travagem, abertura das portas e fuga das pessoas. As pessoas salvaram-se. O Mercedes explode a seguir e dá cabo de uma casa em frente. Danos materiais, apenas isso.

fabrica incendiadaUm segundo exemplo: uma fábrica tem em depósito 40 toneladas de combustíveis altamente explosivos, ela que utiliza fornos onde o material cerâmico de alta qualidade é cozido a 1900 graus. Dessa fábrica, restam-nos 30.000 metros quadrados de instalações ardidas, restam-nos os depósitos de combustível que não arderam e pouco mais que o vazio deixado aqui. Os serviços de proteção civil no terreno terão esquecido os depósitos deste combustível ou terão desconhecido este facto. Facto a sublinhar: cada vez que o depósito era cheio era obrigatória uma comunicação prévia às autoridades de proteção civil. Obrigatório, dar informação. Pelos vistos nada mais houve como consequência do registo, tratou-se de uma informação arquivada! Conclusão: faltam estruturas minimamente decentes. Uma bomba “atómica” às portas de Mira. Um popular lembra-se: pega numa mangueira e pôs a regar a parte superior do depósito e não se verificou nenhuma explosão. Um felicíssimo acaso. Um outro exemplo: um empresário fica prisioneiro nas estradas de Portugal sem sequer se saber que orientação lhe deveriam dar no sentido de chegar a Mira. Diretor fabril de uma das joias da coroa em mobiliário de casa telefona a um empregado e pede-lhe que se dirija à fábrica e que tente colocar água, sempre água sobre a zona onde estão também toneladas de material altamente infamável. Tratava-se de bidons de 200 litros de diluentes altamente infamáveis. Cada um deles significa o desastre numa larga área, quanto mais as explosões em cadeia! O empregado passou a noite a regar essa parte da fábrica. Que de resto estava bem isolada da restante unidade fabril, mas não do que estava a acontecer. Ardem pinhais em volta da fábrica, mas este homem não desarma. Assiste a algo que nunca terá visto: uma bola de fogo projetada de mais de 300 metros. Havia pessoal com caldeiros a correr atrás da bola de fogo. Fantasmagórico! A bola chegou primeiro ao pinhal antes dos populares armados de caldeiros com água que se ia entornando na perseguição. Quando estes chegaram ao local onde a bola caiu já havia metros e metros quadrados de área ardida do pinhal.

Ainda hoje, no café onde diariamente tomo café, alguém que eu não conheço e que viveu esse inferno estava numa mesa ao lado da minha e estava a telefonar a uma amiga, dizendo-lhe que nem que metade deste país fosse constituído de bombeiros, o inferno que viveu seria o mesmo. Talvez com menos mortes e mesmo aí duvidava, mas pouco mais. E para rematar mostrava à sua amiga a sua indignação pelo papel miserável que a nossa imprensa tem desempenhado em todo este processo. E na minha opinião tem mais que razão. Um exemplo: que dizer do telejornal da SIC de domingo em que havia implicitamente uma incitação a manifestações contra o governo, onde o jornalista afirma numa voz grave mais ou menos isto, pois cito de memória: em Espanha, fogos como cá e as pessoas comportam-se de modo diferente, comportam-se assim. E passavam imagens dos protestos. Tudo dito, portanto.

Já depois deste domingo maldito, já depois de terem vindo as chuvas, fogos pontuais continuaram a suceder-se. Fogos nas zonas circundantes de Leiria, como na Guia, queimam zonas termais de alta qualidade, de água mineral de profundidade, queimam a zona da exploração de sal-gema reputado como um dos melhores senão o melhor da Europa. Com estes fogos sente-se que é também o tecido produtivo que está a ficar – ou a ser – atingido, sendo claro, por exemplo, que a fileira de processamento de madeiras, de grande crescimento e sustentado, está praticamente destruída. Curiosamente, já em 26 de outubro, com o Ministro da Economia na zona industrial de Mira declara-se fogo entre Mira e Vagos. Será que se imaginaria repetir o domingo maldito, agora a uma quinta-feira e a procurar criar o medo, o pânico, levar o ministro a fugir, para depois o dar como exemplo de uma geringonça que foge perante o país?

Ainda neste tema, no entanto, há três a quatro questões que não consigo entender e que poderão ser de resposta quase imediata por quem sabe, que não eu. A primeira: a força aérea não está ao serviço do país ou o país para a força aérea é apenas a linha da fronteira do espaço aéreo que tem de defender? A outra é: como é que nunca se sabe o que acontece aos incendiários depois de inquiridos. Disso a imprensa não fala. Se falasse talvez fosse um bom elemento de persuasão, se alguma coisa tem sido feita. Não se trata muitas vezes de saber à ordem de quem é que estão a obedecer, não, muitas vezes são apenas pessoas atraídas pelo espetáculo do fogo, compulsivamente atraídas por ele. Não tem a sociedade o direito de se proteger dessa gente? Ou basta rotulá-los de coitadinhos como me pareceu que foi feito pelo alto responsável da Judiciária quanto a estes casos, numa entrevista concedida ao jornal Público em agosto neste verão? Será que a liberdade individual se sobrepõe ao bem comum mesmo que com isso o país saia brutalmente devastado? A isto as gentes do PS, enfiadas na lógica das liberdades individuais e da sociedade de contratos, a isto não respondem, disto as gentes da oposição nem sequer falam, também!

E a União Europeia em tudo isto? Um vazio absoluto como se vê! Não teria ela obrigação de ter um corpo técnico altamente especializado e meios técnicos ao nível praticamente de militares para responder de forma flexível mas articulada às necessidades dos povos do Sul em crise e sem meios? [2]

Mais grave ainda: não é a Segurança do país um bem público? Claramente que sim, isto parece-me fora de questão, mas sendo assim como se entende que se tenha criado uma indústria do fogo, com helicópteros alugados à hora, a muitos milhares por hora, quando a segurança nacional deve ser obra de diversas estruturas específicas e articuladas sob um comando especializado e centralizado de tipo quase militar? Mas e olharmos para atrás, lembrámo-nos do imbróglio jurídico criado sob o governo Passos Coelho sobre qual seria a empresa privada que ganharia o concurso para o aluguer dos helicópteros. A tudo isto a Troika disse nada e o governo muito menos. Pelo lado dos tecnocratas de Bruxelas ouviu-se também apenas o silêncio quanto a tudo isto até porque a metodologia seguida, o recurso exclusivo aos mercados, de que a criação do SIRESP é um bom exemplo, corresponde às pretensões de Bruxelas, de que o governo de Lisboa era um leal servidor, de que o Estado se deve vergar aos ditames do mercado, ou melhor, que o Estado se deve subsumir no próprio mercado.

A UE, pelos vistos, tem uma polícia de intervenção em Itália, altamente treinada., para responder a manifestações que possam por em risco o statu quo. Para isso já há dinheiro, como dinheiro entende a mesma Comissão que deve haver para obrigar os países em dificuldade a continuarem a pagar os resgates da banca, enquanto 8 anos depois da crise ainda se está à espera de uma reforma do sistema financeiro que não passe de pura cosmética para assim poder ficar tudo na mesma.

No fundo, a União Europeia só percebe de austeridade, nada mais que austeridade. Porque ela serve alguém, seguramente. Vejam os gráficos na 2ª parte deste texto no que diz respeito à evolução da dívida e pensem nisto.

 

(continua)

Notas

[1] Um amigo de longa data, autor da fotografia que ilustra este texto e um dos seus leitores prévios, trabalhador por conta de outrem no setor privado pôs-me a seguinte questão: “Conhece a minha vida. Diga-me em que é que a minha situação melhorou com a passagem de um governo de vândalos, Passos Coelho e companhia, para o atual governo., para o governo da geringonça que tanto estima. Diga-me?” E a minha resposta foi simplesmente esta: sinceramente não consigo descortinar.

[2] Um leitor atento e revisor do presente texto diz-me:

“Recordo-me que em Espanha, quando estava em pleno a crise de Pedrógão, alguém responsável (que não recordo quem era, não era governante, talvez um alto quadro da administração), debitava com autosuficiência que Espanha dispunha de uma estrutura preparada/planeada/dotada para combater os fogos. Na prática estava a dizer-nos que coisas daquelas não se passariam em Espanha. Depois foi o Verão que se viu: logo de seguida, no mesmo mês de junho, ardeu mais uma vez uma parte da reserva natural parque Donaña, e mais fogos e fogos (100.000 ha até setembro), até à desgraça da Galiza/Astúrias em outubro que sucedeu em simultâneo com o que se passou em Portugal.

Para mim, mais do que meios (de curto prazo), ou melhor para lá disso, do que se trata é da ausência de políticas corretas de longo prazo (como alguém disse, podíamos ser todos bombeiros que não evitaríamos o que aconteceu), é o desenvolvimento regional desigual, o abandono do interior, a falta de oportunidades no interior, a desertificação do interior. Embora, pareça ser também mais do que isso, uma vez que Leiria, Vieira de Leiria, Braga, não são propriamente interior. Para quê e para onde foi o chamado Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, mais conhecido por FEDER? E podia o FEDER sobrepor-se a uma UEM que nos trouxe aonde estamos hoje? Ou não terá servido, pelo menos a partir do euro, para ajudar a “comprar” a UEM?

Como diz Pereira dos Santos, arquiteto paisagista, especialista em questões florestais: “o que comanda a frente de fogo é uma ignição em movimento. Se não tiver combustível, extingue-se“, “Os fogos não se combatem. Levam-se à extinção“. Populações rurais envelhecidas, que já não calcorreiam pelas matas, recolhendo lenha para se aquecerem e ervas e tojos para animais, pintam o quadro por demais visto e falado de um certo Portugal abandonado. Acumulam-se assim os tais combustíveis no espaço rural. “Não temos mercado que pague essas atividades, seja por falha do mercado, mesmo que em pequena escala”, assume Henrique Pereira dos Santos, lembrando haver atividades de valor social ímpar como “a pastorícia, os resineiros, os caçadores”. O Estado poderia criar um mercado de consumo. Imaginemos que escolas, hospitais, lares teriam de passar a usar produtos que tivessem a ver, até uns 15%, com a gestão de combustíveis”. Eliminar o fogo é uma quimera. Geri-lo de “uma forma social, ambiental e economicamente sustentável, através do pagamento de serviços” é a opção para o Estado, intervindo em áreas que ‘o mercado não remunera’. Também aqui se necessita e muito do Estado social que alguns, poderosos, se empenham em destruir.”

One comment

  1. Carlos A P M Leça da Veiga

    Sobre a UE é preciso dizer mais e pior. Tudo de mau que está a acontecer no território desta malfadada UE faz parte duma campanha de atemorização geral das populações não vão lembrar-se de quererem recuperar as suas Liberdades e, com isso, contrariar os desígnios do capitalismo e dos patos bravos que lhe oferecem dimensão. “Paris já está a arder?” Foi a pergunta dum louco assassino que, agora, alguém – não menos bandido – terá feito sobre Portugal. Não façam acreditar que não houve um ataque bem programado. Já não são as brigadas disfarçadas de vermelhas; são aquelas pintadas a rosa, azul e amarelo.CLV

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