Dos conhecimentos básicos em finança à opacidade e complexidade do mundo financeirizado – Uma exposição e uma análise crítica. Parte III – A finança ao serviço da sociedade e não a sociedade ao serviço da finança – 1. O trilema bancário da Europa (11ª parte-conclusão). Por Finance Watch

Jan Brueghel the Younger Satire on Tulip Mania c 1640

Jan Brueghel the Younger, Satire on Tulip Mania, c. 1640

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Parte III – A finança ao serviço da sociedade e não a sociedade ao serviço da finança.

Parte III texto 1 1

Cascatas do Roški Slap, Krka National Park, Croácia

1. O trilema bancário da Europa (11ª parte-conclusão)

Porque é que a reforma do sistema bancário é essencial para uma União Bancária bem sucedida

Um texto editado por Finance Watch com o apoio da Fundação Hans-Böckler, setembro de 2013. Autores: Duncan Lindo e Katarzyna Hanula-Bobbitt. Editores: Thierry Philipponnat e Greg Ford

 

 

(11ª parte-conclusão)

 

Conclusão

O aparecimento de bancos demasiado grandes para falirem (too-big-to-fail), abrangendo a expressão demasiado grandes, demasiado interligados e demasiado complexos para falirem, pode ser atribuído ao crescimento de longo prazo das atividades do banco principalmente nos mercados financeiros e está relacionado com uma dinâmica de desregulamentação.

Um complemento necessário para o crescimento das atividades de mercado é um mecanismo credível para gerir as crises bancárias. A resolução dos bancos em situação de falência está na linha da frente da gestão de crises. Foi incorporado na Europa na Diretiva de Recuperação e Resolução de Bancos (DRRB) e no Mecanismo Único de Resolução (MUR). A resolução tem o duplo objetivo de garantir a segurança do crédito bancário sob a forma de depósitos e sistemas de pagamento, e de alocar perdas para credores e não para os contribuintes.

No entanto, os mecanismos de resolução por si sós não serão suficientes para alcançar esse duplo objetivo. Em primeiro lugar, as tentativas de passar as perdas de bancos demasiado grandes e também demasiado interligados a outros bancos falidos algures no sistema provavelmente aumentarão, ao invés de absorverem, os riscos sistémicos. Isso forçará as autoridades a escolherem entre depositantes e resgate com o dinheiro do contribuinte, o que é uma escolha impossível de fazer. Para reforçar a resolução, a fim de atingir o seu duplo objetivo, é necessário aplicar algumas restrições aos bancos.

Dois primeiros passos críticos podem ser identificados. Em primeiro lugar, a separação clara entre banco comercial e banco de investimento – a separação torna as resoluções credíveis, uma resolução credível alcança os benefícios da separação. Em segundo lugar, aumentar a capacidade de absorção de perda dos bancos (tanto capital próprio como dívida a intervirem no resgate). Isso, em primeiro lugar, não só reduzirá a incidência da falência, mas também permitirá que as perdas de bancos falidos sejam distribuídas pelos seus credores e não pelos contribuintes. Isso pode ser alcançado de várias maneiras, entre as quais o simples limite à alavancagem e uma quantidade bastante significativa de dívida passível de ser sujeita ao resgate interno, são as duas medidas mais simples e diretas.

Em resumo, a Europa precisa de robustos mecanismos de recuperação e resolução, precisa de uma forte separação das atividades de bancos de depósito relativamente às atividades de bancos de investimento, ditas também atividades de negociação ou de especulação, e precisa igualmente de reduzir a fragilidade do sistema financeiro, aumentando a capacidade dos bancos para poderem absorver as suas perdas. E isso precisa de ser feito quanto antes.

 

Finance Watch, Europe’s banking trilemma. Why banking reform is essential for a successful Banking Union. Texto disponível em: http://www.finance-watch.org/our-work/publications/687-europe-banking-trilemma

 

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