Em 1999, uma criança nasceu, de parto prematuro e com deformidades congénitas: o Euro 20 anos depois – alguns textos sobre a sua atribulada existência. Texto nº 3. A zona euro tem 20 anos – Parte I


A zona euro tem 20 anos – Parte I

( Jacques Sapir, 1 de Janeiro de 2019)

SG1

A publicação, em 5 de Setembro de 2018, de uma nota do departamento de investigação do Banco NATIXIS relançou o debate sobre a zona euro. Este estudo da NATIXIS fala explicitamente do fracasso da Zona Euro [1]. Chega no momento certo, uma vez que iremos  celebrar, desde 1 de Janeiro de 2019, o 20º aniversário da introdução do Euro, em primeiro lugar com a introdução do Euro escritural.

Neste estudo NATIXIS, os autores concluem que a mobilidade de capital entre os países da área do euro desapareceu desde a crise de 2010-2013 na área do euro (e esta mobilidade foi apresentada como um dos poucos resultados positivos da área do euro) e que o comércio entre os países da área do euro não beneficiou tanto quanto seria de esperar da integração monetária e económica. Se o segundo ponto era largamente previsível desde as críticas ao trabalho de Andrew K. Rose, o primeiro é de facto condenável para a zona euro. Com efeito, estamos perante um fracasso profundo, um fracasso cujas consequências são e serão desastrosas para os países da zona euro[2], mas que não se limitam precisamente a esses países[3]. Com efeito, a crise económica gerada pelo euro, uma crise que lembra os efeitos do “Bloco de Ouro” dos anos 20, denunciado por J. M. Keynes[4], tem efeitos muito perversos sobre a economia mundial no seu conjunto

I – Noções básicas questionáveis

A zona euro sofre de bases que são  fundamentalmente questionáveis e até mesmo viciadas. Não corresponde de modo algum à imagem que se pode ter de uma zona monetária óptima, no sentido de Robert Mundell[5]. Pode pensar-se que foi construída sobre um desafio: o seu desequilíbrio conduz a crises que forçariam os países membros a tomar decisões políticas no sentido de um verdadeiro federalismo fiscal e monetário[6]. Mas, na realidade, a introdução do euro foi sobretudo um desastre económico acompanhado de um desastre político. A implementação do euro tem sido acompanhada por abusos antidemocráticos na zona euro[7]. Por conseguinte, é necessário rever as condições de aplicação antes de medir a extensão dos danos causados pelo euro nos países da zona euro.

  1. As mentiras do nascimento do euro

A origem do Euro e da UEM remonta directamente ao relatório Delors, publicado em Abril de 1989[8]. Estávamos então no período marcado pela Perestroika na URSS e tinha-se tornado claro que esta  marcaria o fim da Europa tal como tinha emergido do fim da Segunda Guerra Mundial. É concebível que a ideia  que guiou os peritos reunidos na altura sob a orientação de Delors tenha sido procurar construir um pilar de estabilidade na Europa, em torno do qual os países do antigo campo soviético pudessem estar unidos. Por conseguinte, os objectivos geoestratégicos foram provavelmente dominantes, ainda que não tenham sido abertamente explicados neste relatório.

O principal objectivo da regulamentação da UEM era complementar o mercado único europeu com uma moeda única e uma elevada estabilidade dos preços[9]. Em certo sentido, a UEM e o euro daí resultante derivaram directamente do Acto Único Europeu, que entrou em vigor em 1987[10]. Tendemos a esquecê-lo hoje em dia, mas o Acto Único Europeu foi o primeiro texto a incluir mecanismos supranacionais nos mecanismos institucionais do que era então a CEE. No entanto, a UEM – tal como o euro – foi característica do final dos anos 80, na medida em que a UEM previa a abolição de todas as restrições aos movimentos de capitais entre Estados-Membros. Vivemos num período marcado pela ascendência da ideologia neoliberal, que resultou num desprezo pelas nações e numa importância cada vez maior das estruturas supranacionais. O Tratado de Maastricht tem, sem dúvida, o seu traço [11]. Em termos mais gerais, a ideologia da época na Europa, e em particular em França, foi marcada pela ideia da necessidade de ultrapassar as Nações no preciso momento em que as nações recuperam a sua soberania. Não poderia haver maior má interpretação histórica do período e do contexto.

O euro foi primeiramente apresentado como uma “garantia” contra as especulações cambiais que marcaram o período do Sistema Monetário Europeu, a “serpente monetária” e o ECU[12]. O SME foi precedido pela “Serpente Monetária Europeia”, resultado do “Relatório Werner” apresentado em 1970[13]. Como podemos ver, as tentativas de criar uma zona monetária europeia são antigas. O relatório Werner foi substituído pela decisão dos Estados Unidos de pôr fim à convertibilidade automática do dólar em ouro à taxa de 35 dólares por onça. Criada pelo Acordo de Basileia de 10 de Abril de 1972, a “serpente” foi então a resposta dos países europeus.

É verdade que uma moeda comum (por outras palavras, uma moeda existente para além das moedas nacionais e utilizada para certas transacções), tal como a pretendida com o SME e o ECU, exige regras estritas que limitem os movimentos de capitais, de modo a não deixar margem para especulação dentro da zona. Foi efectivamente o que aconteceu durante a experiência, de 1949 a 1957, da União Europeia de Pagamentos, um mecanismo que permitiu, num quadro que autorizava uma verdadeira flexibilidade aos Estados, fazer face à instabilidade monetária da época[14].

É aí que reside o problema. De facto, os países europeus optaram por uma liberalização financeira total. Esta escolha, largamente inspirada pelos socialistas franceses[15] , conduziu, como veremos, a eliminar a ideia de uma moeda comum  e serem a favor  da criação da moeda única, em princípio mais elegante mas muito mais perigosa. A resposta a esta primeira pergunta reside, pois, nas crises que o Sistema Monetário Europeu (SME) atravessou. Mas a história destas crises foi reescrita pelos defensores da moeda única como um fracasso em combater a especulação num quadro de múltiplas moedas. A questão das instituições susceptíveis de limitar e controlar os movimentos de capitais nunca foi abordada e a “liberalização” do capital foi apresentada como um dogma, o que certamente não era[16]. No entanto, o controlo do capital tem funcionado face às grandes crises[17]. Em particular, foi sistematicamente omitido especificar ou recordar que os países que eram partes interessadas no SME tinham feito todo o possível para deixar o campo aberto à especulação. A tendência contra os controlos de capitais parece ser essencialmente ideológica[18].

  1. Mentiras sobre o crescimento

Recorde-se aqui que depois de disfarçar o euro como sendo uma forma de garantia contra os movimentos e flutuações especulativas, os  apologistas  do euro apresentaram-no como uma vantagem para o crescimento na Europa[19]. No entanto, ficaram decepcionados e até Jacques Delors repudiou o euro tal como ele existe hoje.[20]

Os trabalhos apresentados na década de 1990 sublinharam todos os benefícios extraordinários que a moeda única traria aos países que a utilizassem. Trata-se, evidentemente, de estudos econométricos[21]. No entanto, os resultados foram rapidamente contestados, não sem boas  razões[22]. É verdade que estes estudos foram construídos sobre bases metodológicas[23] e teóricas extremamente frágeis[24]. Aceita-se agora que os efeitos do euro sobre o comércio interno dos países da UEM têm sido muito limitados[25]. O estudo publicado pela NATIXIS põe assim o último prego no caixão desta ideia.

Muitos políticos têm afirmado que a introdução do euro, pelo seu próprio efeito, levaria a um aumento do crescimento nos países membros de cerca de 1%. Não foi esse o caso[26]. Na realidade, o euro teve um efeito no comércio intra-zona, mas esse efeito foi essencialmente para reorganizar os fluxos entre países e levar alguns países a desindustrializar, enquanto outros (principalmente a Alemanha) beneficiaram muito fortemente da introdução do euro[27]. Tudo isto suscita dúvidas quanto à racionalidade económica da introdução da moeda única. Pelo contrário, desempenhou um papel na exacerbação das diferenças entre os países membros, o que não é surpreendente se pensarmos nisso um pouco, porque as variações das taxas de câmbio entre países tiveram o efeito fundamental de compensar essas diferenças (uma vez removida a componente especulativa dos movimentos de curto prazo)[28].

II – O estado actual da Zona Euro

A zona euro está, portanto, doente, e tem estado doente há muito tempo, de facto. Os desequilíbrios vêm de longe[29]. Alguns descreveram o euro como a “túnica de Nessus da Europa”[30]. Com efeito, os mecanismos de divergência sistémica entre as economias da zona euro eram já visíveis antes da grande crise financeira mundial de 2007-2009[31]. Mas é evidente que os efeitos desta crise agravaram o processo de divergência. Atingiram agora níveis em que esta divergência  já não pode ser negada. Estes níveis são tais que agora centram  grande parte da atenção dos economistas que agora questionam a sobrevivência do euro.

  1. A explosão das diferenças de competitividade

As causas desta situação são conhecidas. Foram analisadas num estudo publicado em 2017.

Gráfico  1

Evolução das taxas de câmbio reais relativamente à Alemanha

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Source : OCDE et Eurostats

Na edição de 2017 do External Sector Report [32], o Fundo Monetário Internacional destacou a dimensão do problema colocado pela divergência dos níveis de competitividade na Zona Euro. Ele mostrou a importância destes problemas para países como a França, mas também a Itália e a Espanha.

Podemos ver que o problema se agravou ainda mais em relação aos dados apresentados em  2016. Estes diferenças  cambiais virtuais dentro da zona euro são regularmente calculados pelo FMI. Assim, em todos os setores, a taxa de câmbio real da França aumentou 6% em relação à da Alemanha. Para Portugal e Bélgica há um aumento de 13%, para Espanha um aumento de 22% e para Itália um amento  de 28%. Um dos problemas é, naturalmente, o facto de estarmos a falar aqui da taxa de câmbio global, dita também taxa de câmbio multilateral. E os estudos do FMI fornecem estimativas para os sectores comercializados. A metodologia do FMI consiste em calcular a dinâmica da taxa de câmbio fornecida (caso não existisse euro). Eles calculam os ajustamentos médio e máximo. Vemos que, para os quatro países do “Sul”, ocorreria uma desvalorização bastante forte – França, Espanha, Itália, Bélgica. E nos Países Baixos e na Alemanha, haveria uma reavaliação.

 Quanto aos dados do FMI, calculados em relação às taxas de câmbio multilaterais  reais nos relatórios anuais [33], estes mostram tanto uma sobrevalorização potencial do euro para países como a França, Itália, Espanha ou Bélgica em relação aos ganhos de produtividade e à inflação, como uma subvalorização significativa para a Alemanha.

Quadro 1

Dimensão das apreciações/depreciações das taxas de câmbio reais

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Com efeito, se a Alemanha  tivesse mantido a sua moeda, a sua taxa de câmbio face ao dólar dos Estados Unidos, mas também face a outras moedas, seria fortemente revalorizada (de 15% para 27% face à taxa de câmbio do euro). As diferenças para a França, em comparação com a Alemanha, estão, portanto, entre 26% e 43%, e são encontrados níveis  idênticos , ainda em comparação com a Alemanha, para a Itália, Espanha ou Bélgica[34].

O problema das diferenças na evolução das  taxas de câmbio reais é um problema muito grave para os países do Sul. Estas diferenças  obrigam os países dominados pela Alemanha a fazer sobreajustamentos salariais à  baixa[35], e estes sobreajustamentos  têm não só um impacto na procura interna  mas também na situação social destes países, como mostra a crise dos Coletes Amarelos em França.

Graphique 2

Volumes des exportations vers la Zone Euro

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Source : Natixis, Flash Economie, Pour l’instant la zone Euro est un échec, n°955, 5 septembre 2018.

O estudo NATIXIS (realizado por Patrick Artus) mostra a evolução da balança comercial em percentagem do PIB, tanto para a Alemanha como para países como a França e a Itália.

Desde 2002, o excedente comercial na Alemanha tem continuado a aumentar. Hoje, representa quase 10% do PIB. Em termos absolutos, este valor é superior ao excedente da China. Esta superioridade da Alemanha reflete mais do que uma competitividade real do sistema económico alemão, que hoje enfrenta fortes problemas materiais e humanos de envelhecimento. Esta superioridade reflecte efectivamente uma vantagem em termos de taxas de câmbio, obtida graças ao euro.

Vemos também a dimensão do excedente comercial da Alemanha e a fraqueza  de outros países. Uma vez que a vantagem competitiva da Alemanha tem como contrapartida a desvantagem para outros países, estamos perante uma desvantagem que se traduz em efeitos particularmente fortes de desindustrialização. Alguns dos países em causa, como a Itália e a Espanha, conseguiram estabilizar os seus défices comerciais. Mas isto aconteceu à custa de uma grave contracção da procura interna. Com efeito, o défice não foi compensado por um aumento das exportações, mas sim por uma diminuição bastante significativa das importações. Os estudos realizados pela NATIXIS demonstram-no eloquentemente (Gráfico 2). De facto, existe um verdadeiro fracasso da procura interna, o que é importante do ponto de vista do crescimento. Com efeito, excepto no caso de Espanha, a procura interna em 2018 é inferior ou igual ao nível registado em 2002. Mas mesmo no caso da Espanha, a situação não é boa. Com efeito, este país exportava massivamente para a Europa. Até 1999, isto representou 60 a 65% das suas exportações. Mas este valor caiu para 50% no final desse período. Ou seja, as exportações espanholas para a zona euro diminuíram 15% ao longo dos anos.

Graphique 3

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Source : Natixis, Flash Economie, Pour l’instant la zone Euro est un échec, n°955, 5 septembre 2018.

  1. Impacto na procura e no investimento

Verifica-se, por conseguinte, uma diminuição geral da procura interna dos países em causa (Figuras 4 e 5). Este declínio da procura interna é importante do ponto de vista do mercado interno. Tem, naturalmente, consequências para o investimento e o crescimento. De facto, as exportações de outros países, como a França, a Itália e a Espanha, tendem também a ser mais orientadas para o exterior do que para o interior da zona euro. Antes da introdução do euro, as exportações eram estáveis. No entanto, desde a introdução do euro entre 1999 e 2002, a parte das exportações no mercado interno da zona do euro começou a diminuir. Este declínio tem também consequências para as exportações da Alemanha. Como é mostrado na Figura 3, estas exportações aumentaram acentuadamente em geral. A procura  deprimida de outros países da Zona Euro (Gráfico 4) está na verdade a forçar  a Alemanha a seguir uma política de exportação muito agressiva fora da zona euro. De facto, desde a crise financeira de 2007-2010, as exportações alemãs para a zona  euro tendem a diminuir, enquanto as exportações alemãs para fora da área do euro tendem a aumentar. E este fenómeno não é exclusivo da Alemanha

Graphique 4

GX4

Source : Natixis, Flash Economie, Pour l’instant la zone Euro est un échec, n°955, op.cit.

Graphique 5

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Source : Natixis, Flash Economie, Pour l’instant la zone Euro est un échec, n°955, op.cit.

 A Alemanha exporta actualmente menos para a zona euro  do que em 1995. Isto diz muito sobre os efeitos do euro, que, por conseguinte, vão no sentido contrário ao da integração da União Europeia, tal como tinha sido o sonho dos seus criadores. De facto, o euro provocou uma diminuição acentuada da procura interna na zona  euro em relação à procura interna nos Estados Unidos (Gráfico 5). Por conseguinte, o euro enfraqueceu a economia da zona  euro em geral, em vez de a reforçar. As consequências são óbvias para o crescimento.

Gráfico  6

Comparação das taxas de crescimento

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Source : données du FMI

No entanto, no que respeita ao crescimento do PIB, importa recordar que a situação é também afectada pelas políticas mais ou menos expansionistas  prosseguidas pelos governos. Vemos então emergir três grupos de países. A Bélgica e a Espanha parecem não sofrer desta situação – o seu crescimento do PIB a partir de 1998 é de 40 a 45%. Mas, na realidade, o caso destes dois países é muito diferente. A Espanha foi um dos países menos desenvolvidos da Europa Ocidental, pagando o preço  pelos anos do regime de Franco que tinha deixado o país num estado de semi-subdesenvolvimento. Em Portugal e na Itália, a situação é bastante decepcionante. Isto é especialmente verdade no caso da Itália, onde vemos um aumento de apenas 6% durante todo o período (1998-2017)! Esta é a base económica para os problemas políticos que podem ser observados em Itália.

As taxas de crescimento em França e na Alemanha situam-se aproximadamente ao mesmo nível. O problema é que a França só pode manter este nível de crescimento igual ao da Alemanha através de um aumento anual do défice. No entanto, os condicionalismos da União Europeia exigem uma redução deste último.

Por outro lado, podemo-nos  questionar  se tentar compensar o efeito depressivo do euro através de uma expansão orçamental constante é uma política sustentável ao longo do tempo. Se a Alemanha  aplicasse a  mesma política orçamental que a França, o seu crescimento seria superior ao da França   e se em França se aplicasse  a mesma política orçamental que na Alemanha o seu crescimento  seria pior do que na Alemanha. O impacto do euro pode assim ser parcialmente compensado pela política orçamental, mas dentro de certos limites.

Gráfico  7

Les évolutions de l’investissement

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Source : base de données du FMI, World Global Outlook

A situação deprimida da procura interna também tem consequências para o nível de investimento em cada país. De facto, o problema é geral na zona euro[36]. O investimento na Alemanha foi de 23-24% do PIB em 1998 e, em 2017, tinha caído para menos de 20%. Este declínio na taxa de investimento significa que a Alemanha já não está mais em condições de renovar o  seu aparelho produtivo e as suas infraestruturas [37]. A competitividade geral do território só pode sofrer com isso.

O problema é ainda mais grave nos países do sul  da zona euro: em Portugal a taxa de investimento desceu para 16% do PIB, e na Itália  para 17,5%. Toda a gente sabe da catástrofe de Agosto, quando a Ponte Morandi desabou em Génova. Em Itália,  já há mais de uma dúzia de pontes a desmoronarem-se desde 2012. Podemos ver que é impossível sacrificar investimentos e ao mesmo tempo enfrentar  as catástrofes provocadas pelo homem. No entanto, a Franaça  e a Bélgica ainda mantêm um nível de investimento relativamente comparável ao de 1998, mas com um grande défice orçamental.


Notas:

[1] Natixis, Flash Economie, Pour l’instant la zone Euro est un échec, n°955, 5 septembre 2018.

[2] Mastromatteo, G. et S. Rossi, « The economics of deflation in the euro area: a critique of fiscal austerity », in Review of Keynesian Economics, vol. 3, 2015, n° 3, pp. 336–350.

[3] Bibow J. et A. Terzi (dir.), Euroland and the World Economy: Global Player or Global Drag?, New York (N. Y.), Palgrave Macmillan, 2007.

[4] Keynes J.M., A Tract on Monetary Reform, Cambrdige University Press, Cambridge, 1923. Il peut être téléchargé en pdf à : https://fr.scribd.com/document/374699363/keynes-1923-a-tract-on-monetary-reform-pdf. Les notes concernant cet ouvrage correspondent aux pages de l’édition de la version pdf.

[5] Voir Sapir J., « The EMU’s Twisted Foundations: How to Use and Misuse Economic Theory » in Studies on Russian Economic Development, Septembre 2018, Volume 29, Issue 5, pp 497–506.

[6] Sapir J., L’avenir de la zone Euro, avec Michel Aglietta, Institut Diderot, printemps 2016.

[7] Sapir J., « La zone Euro : du cadre disciplinaire à la ‘Democarnnie’ », in Coll., L’Euro est-il mort ?, Paris, Editions du Rocher, 2016, pp. 111-124.

[8] Delors J., Mémoires, Paris, Plon, 2004, 511 p

[9] Gros D., One Market, One Money –A Mistaken Argument (post factum)?, Bruxelles, CEPS, Policy Insight, n°5, 2017

[10] de Ruyt J. (Dir.), L’acte unique européen, Bruxelles, Université de Bruxelles, Institut d’études européennes, 1989, 389 p.

[11] http://eur-lex.europa.eu/legal-content/FR/TXT/?qid=1454958852229&uri=URISERV:xy0026

[12] Du Bois de Dunilac, P., Histoire de l’Europe monétaire (1945-2005) : Euro qui comme Ulysse, Genève et Paris, Presses universitaires de France, 2008.

[13] M. Aris et N. M. Healey, « The European Monetary System », in N. M. Healey, The Economics of the New Europe, Londres-New York, Routledge, 1995, p. 45-67. Voir aussi B. Harrison et N. M. Healey, « European Monetary Union: Progress, Problems and Prospects », ibid., p. 103-123.

[14] Triffin R., « L’histoire de l’unification monétaire européenne : de l’UEP à nos jours » In Revue d’économie financière, n°8-9, 1989. L’Europe monétaire : SME, Écu, Union monétaire. pp. 13-18

[15] R. Abdelal et S. Meunier, « Mondialisation : la French Touch », Telos, 12 octobre 2007, http://www.telos-eu.com/fr/article/mondialisation_la_french_touch .

[16] Rodril D. et Subramanian A., « Why Did Financial Globalization Disappoint? » in IMF Staff Papers, Vol. 56, No. 1, Frontiers of Research on Financial Globalization (2009), pp. 112-138

[17] Rodril D. et Kaplan E., «Did the Malaysian Capital Controls work », Working Paper, Kennedy School of Government, Harvar University, février 2018, https://drodrik.scholar.harvard.edu/files/dani-rodrik/files/did-malaysian-capital-controls-work.pdf

[18] de Melo Modenesi A. et R. Lyrio Modenesi, « Capital Controls and Financial Liberalization: Removing the Ideological Bias », in Journal of Post Keynesian Economics, Vol. 30, No. 4 (été 2008), pp. 561-582.

[19] Voir le « Rapport Delors », https://www.cvce.eu/education/unit-content/-/unit/7124614a-42f3-4ced-add8-a5fb3428f21c/203c1fd0-f667-4f2e-b522-02a651e1bcb7

[20] https://lexpansion.lexpress.fr/actualite-economique/jacques-delors-je-ne-suis-pas-le-pere-de-cet-euro-la_1044504.html

[21] Rose, A.K. « One money, one market: the effect of common currencies on trade », Economic Policy Vol. 30, 2000pp.7-45. Voir aussi: Rose, A. K., “Currency unions and trade: the effect is large,” Economic Policy Vol. 33, 449-461, 2001, et Rose, A.K., Wincoop, E. van « National money as a barrier to international trade: the real case for currency union », American Economic Review, Vol. 91, n°2/2001, pp. 386-390.

[22] Bun, M., Klaasen, F., « The euro effect on trade is not as large as commonly thought», Oxford bulletin of economics and statistics, Vol. 69, 2007, p. 473-496; Persson T., « Currency Unions and Trade : How Large is the Treatment Effect ? » in Economic Policy, n°33, 2001, pp. 435-448. Nitsch V., « Honey I Shrunk the Currency Union Effect on Trade », World Economy, Vol. 25, 2002, n° 4, pp. 457-474.

[23] Greenaway, D. Kneller, R., « Firm heterogeneity, exporting and foreign direct investment », Economic Journal, 117, 2007, pp. 134-161; Flam, H., Nordström, H. (2006), « Trade volume effects of the euro: aggregate and sector estimates », IIES Seminar Paper No. 746.

[24] Kouparitsas, M. A., “Is the EMU a viable common currency area? A VAR analysis of regional business cycles”, Federal Reserve Bank of Chicago, Economic Perspectives, vol. 23, 1999, n° 4, pp. 2-20.

[25] Baldwin R. (2006) « The euro’s trade effects » ECB Working Papers, WP n°594, Frankfurt. Baldwin R. et al. (2008), « Study on the Impact of the Euro on Trade and Foreign Direct Investment », Economic Paper, European Commission, n° 321.

[26] Voir Natixis, Flash Economie, Pour l’instant la zone Euro est un échec, n°955, op.cit.

[27] Kelejian, H. & al., « In the neighbourhood : the trade effects of the euro in a spatial framework », Bank of Greece Working Papers, 136, 2011.

[28] Glick, R., (1991), “European monetary union: Costs and benefits”, Federal Reserve Bank of San Francisco, Weekly Letter, no. 91-16. Salvatore, D. and G. Fink, “Benefits and costs of European economic and monetary union”, The Brown Journal of World Affairs, vol. 4, 1999, Issue 2, pp. 187-194.

[29] Sapir J., « La Crise de l’Euro : erreurs et impasses de l’Européisme » in Perspectives Républicaines, n°2, Juin 2006, pp. 69-84.

[30] Le Cacheux Jacques, « L’Euro, tunique de Nessus de l’Europe ? », Politique européenne, 2003/2 (n° 10), p. 58-76 ; URL : https://www.cairn.info/revue-politique-europeenne-2003-2.htm-page-58.htm

[31] Sapir J., « Is the Eurozone doomed to fail », pp. 23-27, in Making Sense of Europe’s Turmoil, CSE, Bruxelles, 2012. Voir aussi : Sapir J., « Krizis evrozony i perspektivy evro », [La crise de la zone Euro et les perspectives de l’Euro] in Problemy Prognozirovanija, n° 3 (126), 2011, pp. 3-18.

[32] Voir http://www.imf.org/en/Publications/Policy-Papers/Issues/2017/07/27/2017-external-sector-report et http://www.imf.org/en/Publications/Policy-Papers/Issues/2016/12/31/2016-External-Sector-Report-PP5057

[33] Voir http://www.imf.org/en/Publications/Policy-Papers/Issues/2017/07/27/2017-external-sector-report et http://www.imf.org/en/Publications/Policy-Papers/Issues/2016/12/31/2016-External-Sector-Report-PP5057

[34] écart des taux de change réels dans le FMI External Sector Report 2017 et consultations d’experts des questions de change réalisées au début d’août 2017.

[35] NATIXIS, Comment maintenir des changes fixes (ou une Union Monétaire) entre des pays ?, Flash-Economie, n°209, 20 mars 2012, p. 7.

[36] https://www.latribune.fr/opinions/tribunes/alerte-sur-le-sous-investissement-des-infrastructures-en-europe-790221.html

[37] https://www.alternatives-economiques.fr/allemagne-la-decadence-des-infrastructures-publiques/00012137 , https://www.lesechos.fr/14/05/2018/lesechos.fr/0301674645071_le-fmi-presse-l-allemagne-de-davantage-investir-pour-preparer-l-avenir.htm


A segunda parte deste texto será publicada amanhã, 24/02/2019, 22h.


Tradução de Júlio Marques Mota – Fonte aqui

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