Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. Reino Unido: Introdução

Introdução

(Júlio Marques Mota, 08/12/2019)

JULIO_MOTA

Nesta série publicaremos diariamente um artigo pelo menos até às eleições no Reino Unido, que se realizarão a 12 de Dezembro próximo. Assim utilizaremos textos de vários autores, desde o analista dos mercados financeiros Victor Hill, que é um Conservador britânico, a analistas que escrevem para a London Review of Books, como é o caso de William Davies, a um antigo secretário de Estado dos Trabalhistas, Wynne Godley, a textos da Sociedade Fabiana, para além do especialista dos mercados de trabalho Jacques FREYSSINET ou do politólogo especialista em estudos anglófonos, Thierry Labica. um dos autores, com François Cusset e Véronique Rauline, da obra “Imaginaires du néolibéralisme” (La Dispute, 2016).

Nesta série interessou-nos menos o Brexit em si mesmo e mais o que está e/ou esteve por detrás dele, durante décadas, em que alternadamente governou a direita da direita britânica e a esquerda da mesma direita britânica, isto é os Conservadores, por um lado, e os Trabalhistas, por outro. E isto para se perspectivar o que é que pode estar em jogo para o futuro da Inglaterra e, porque não, da Europa também.

Neste quadro explicita-se que, se agora todas as apostas eleitorais são admissíveis,  também se pode dizer que durante décadas todos os golpes foram possíveis, praticados ou pelos Conservadores, a direita da direita, ou pelos Trabalhistas, a esquerda da mesma direita.

Sobre a questão de todos os golpes serem possíveis, chamamos a atenção  para o que diz  Victor Hill sobre o programa do partido trabalhista e Jeremy Corbyn no seu texto “Primeira questão eleitoral – a crise climática” a editar nesta série, Chamamos também a atenção para a intervenção de Corbyn no parlamento britânico  sobre a situação das pessoas afectados pelo incêndio  na Torre Grenfell em 2017, e procuraremos confrontá-la com a reacção do governo português ao surto de legionella que matou 12 pessoas e afectou mais de 400 em Novembro de 2014.

Para concluir esta introdução/apresentação propomos-vos a leitura do que nos relata Lorde Falconer, antigo ministro trabalhista, que deixou o governo sombra em 2016 em desacordo com a linha de Corbyn, sobre uma eventual fraude nas próximas eleições de 12 de Dezembro de 2019. Será  muito útil ler simultaneamente o artigo de Victor Hill intitulado  “Eleições Gerais do Reino Unido 2019 – todas as apostas estão  em aberto”.

Sobre essa eventual tentativa de fraude nas eleições inglesas referida por Falconer, disse-nos o jornal The Guardian em 16 e 17 de Novembro de 2019:

“Polícia avalia alegações de que os Tories ofereceram títulos de Par do Reino a altos quadros do partido do Brexit (Brexit Party).

Lord Falconer exorta a Policia Metropolitana a olhar para as alegações de que a alguns candidatos foram oferecidos lugares de Par do Reino para se retirarem das eleições.

“Não trabalhamos desta forma “: Boris Johnson nega que qualquer oferta de lugares de Par do Reino ao partido do Brexit – vídeos

A Scotland Yard está a avaliar duas alegações de fraude eleitoral depois de se pretender que os Conservadores ofereceram lugares de Par do Reino a altos quadros do partido do Brexit para os persuadir a desistirem das eleições gerais.

O par do reino trabalhista Lord Falconer escreveu ao comissário da polícia metropolitana e diretor de acusações públicas pedindo uma investigação sobre o que ele disse serem “alegações excepcionalmente graves”.

Numa carta a Cressida Dick e Max Hill, Lord Falconer referiu-se à alegação de Nigel Farage de que ele e oito outras figuras de destaque do partido do Brexit terão recebido ofertas de lugares de Par do Reino, (peerages), e disse que isso deveria ser investigado pela polícia como uma questão de ordem urgente para manter a confiança pública na integridade da eleição.

A policia informou: “O MPS [Serviço de Polícia Metropolitana] recebeu duas alegações de fraude eleitoral e negligência em relação às eleições gerais de 2019. A equipe de investigação especial do MPS é responsável por investigar todas essas alegações.

Boris Johnson reconheceu que pode ter havido “conversas” entre altos quadros dos Conservadores e do Partido do Brexit, mas negou categoricamente que tenha havido qualquer oferta de lugares de Par do reino, dizendo que ” Não trabalhamos desta forma “.

O presidente do Partido Trabalhista, Ian Lavery disse: “Se o que Nigel Farage sugere é verdade, que os membros do partido do Brexit foram abordados por altos responsáveis conservadores pedindo-lhes para renunciarem e que em contrapartida ser-lhes-iam oferecidos lugares de Par do reino, em que estado de coisas é que está a nossa política? É um ultraje absoluto.

 “Isto poderia ser corrupção política da mais alta ordem e, além disso, poderia ser vista como uma atividade criminosa. Isto não pode ser aceite. Deve haver, sem dúvida, uma investigação sobre a situação.

Na sua carta, o antigo Lord Chanceler, disse: “Acredito que estas alegações levantam sérias questões sobre a integridade das próximas eleições gerais e, em particular, se os altos funcionários da CCHQ [sede da campanha do Partido Conservador] ou do N.º 10 violaram duas secções da Lei da Representação do Povo de 1983.” Para lerem esta notícia no original, sugerimos que cliquem aqui

É pois uma longa série de textos de análise sobre o Reino Unido que nos propomos pôr a vossa disposição em A Viagem dos Argonautas, tendo-se considerado um longo arco de tempo, de modo que muito do que aconteceu durante estes últimos 40 anos está presente nas razões que levam às próximas eleições de 12 de Dezembro de 2019.

Lista dos artigos que integram a série:

1º Texto. Brexit: Porque é que isto me faz rir  Primeira Parte Victor Hill

2º Texto. A economia britânica: boas notícias, más notícias , Victor Hill

3º Texto. Reino Unido- Unificação ou regressão?, Jacques FREYSSINET

4º Texto. A reivindicação do Living Wage, Jacques FREYSSINET

5º Texto- Economia Inglesa- atualização: mais empregos, crescimento -e medo , Victor Hill

6º Texto. Maastricht e tudo o mais,  Wynne Godley

7ª Texto. Brexit, o romance, Simon Johnson

8º Texto. Brexit é uma viagem sem fim para a Grã-Bretanha, Martin Wolf , Financial Times

9ª Texto. Brexit: A eleição geral defendida por Johnson será um falhanço?, Yves Smith

10º Texto. Eleições Gerais do Reino Unido 2019 – todas as apostas estão  em aberto, Victor Hill

11º Texto. Primeira questão eleitoral – a crise climática, Victor Hill

12º Texto A derrota eleitoral iminente do Partido Trabalhista britânico, Bill Mitchell

13º Texto .  Quem é que vai ganhar esta eleição cibernética, Victor Hill


O primeiro texto desta série será publicado amanhã, 09/12/2019


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