UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (333)

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EM TEMPO DE CONFINAMENTO

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MEMÓRIAS PLEONASMÍTICAS E REDUNDANTES

Em tempo de confinamento, os pensamentos têm roda livre para se espraiarem por onde lhes apetece. Os meus, não particularmente activos, dão-se ao luxo de, de vez em quando, se lembrarem do que não lembra a ninguém.

E foi assim!

“Lembro-me bem, como se fosse hoje, foi há quinze anos atrás, amanhecia o dia.

Saí para fora do quarto e subi para cima, para a sala.

Com fome e sem outra alternativa, comi uma laranja cortada em duas metades iguais. Saciado, desci para baixo levando juntamente comigo as ferramentas, para dar o acabamento final ao elo de ligação que unia os dois grandes aquários onde viviam cardumes de peixes.

Mais tarde, retornei de novo à sala subindo penosamente para cima, mas, qual surpresa inesperada, ao entrar para dentro, tive de recuar para trás, já que uma multidão de pessoas me forçaram a encarar de frente o facto real de, com certeza absoluta, me ter esquecido de gritar bem alto que o vereador da cidade fora o protagonista principal da decisão de voltar a repetir de novo o trabalho, numa nova criação, da minha livre escolha e de meu critério pessoal, sendo essa, como escolha opcional, a última versão definitiva, devendo eu ter a máxima atenção aos pequenos detalhes e às propriedades características da peça, não o devendo adiar para depois, para que, em conclusão final, não falhasse a abertura inaugural do certame. E também, que todos, em consenso geral, foram unânimes em declarar, em anexo junto à carta assinada e preparada de antemão, que compareceram pessoalmente à reunião, que viram tudo com os próprios olhos, e que, regra geral. confiavam inteiramente em mim.”

Esta, é uma memória curta e muito cansativa.

 

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