UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (45)

CARTA DO PORTO

As praias e as rochas da frente marítima

Quem frequenta as praias do Porto, apesar dos vários placards (nove) expostos ao longo do passeio marítimo, nem se dá conta das maravilhas históricas que aquela zona encerra.
As rochas presentes ao longo da faixa litoral da cidade do Porto, classificadas como Património Natural Municipal desde 2001, entre o Forte S. Francisco Xavier (Castelo do Queijo) e o Molhe de Felgueiras (onde está o farolim mais conhecido e fotografado de todo o Norte de Portugal, quiçá do País), constituem verdadeiras relíquias que contêm uma parte da história geológica da Península Ibérica e do nosso planeta. A cidade tem o privilégio de possuir um conjunto de rochas de enorme valor científico e pedagógico, facto que não é comum encontrar-se em meios urbanos.

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Instalado ao longo da faixa litoral da cidade, este percurso geológico convida-nos a observar afloramentos de diversos tipos de rochas, metamórficas, nomeadamente gnaisses (rochas de origem metamórfica, resultante da deformação de sedimentos arcósicos ou de granitos), metassedimentos (rochas que derivam de sedimentos de outras rochas) e anfibolitos (rochas escuras, normalmente negras, de grão fino a muito fino, densas e duras, com xistosidade mais ou menos desenvolvida, constituída essencialmente por anfíbola e plagióclase) que existem há mais de 570 milhões de anos, algumas terão perto de mil milhões, pelo que se terão formado em idades Pré-Câmbricas. Todos estes termos técnicos encontram uma explicação simples e lógica nos “out doors” instalados ao longo do passeio.
Para o comum cidadão estes conhecimentos terão pouco interesse, mas já terão mais se não se quiserem limitar a saber que quando estão descansados a saborear o calor do sol, estendidos sobre a toalha ao lado dos penedos, ou sentados na esplanada a olhar as ondas, as rochas que compõem a paisagem pertencem às mais antigos da Terra e foram formadas há muitos milhões de anos. Para os interessados, existe na Rua da Senhora da Luz o Centro Interpretativo do Passeio Geológico da Foz do Douro no Porto, que fornece visitas guiadas e informações.
A orla marítima da cidade do Porto, tem várias praias, todas (com excepção de uma, a do Castelo do Queijo) ostentando a “Bandeira Azul”, símbolo de excelência no que se refere à qualidade da água, da areia e dos serviços de apoio.
A temperatura da água é de uma maneira geral, baixa, variando entre os 14 e os 16 graus, mas, nos últimos anos temos assistido a fenómenos muito agradáveis, com épocas em que essa temperatura sobe até aos 18 ou 19 graus, comparando-se às temperaturas existentes nas águas das praias do sul do País. As areias, de tamanho médio, após habituação são agradáveis, já que saem facilmente quando se colam ao corpo.
É muito agradável tomar banho no mar da Foz, esteja a água fria, o que é mais frequente, ou com temperatura mais cálida. Tem ondas de tamanho médio, boas para “furar” e vários molhes de onde se pode mergulhar em segurança, sendo que o mais conhecido e maior, é o molhe de Carreiros.

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As praias, separadas entre si por maciços rochosos (de que falo no início desta crónica) dos mais diversos tamanhos e espécies, são pequenas e acolhedoras, cheias de cantos e recantos, das mais variadas formas.
Todas as praias têm nadadores-salvadores, bares de apoio e algumas, Molhe, Senhora da Luz e Homem do Leme, têm restaurantes de óptima e reconhecida qualidade. A minha praia favorita, a de Gondarém, pequena e acolhedora, tem, para além de um bar de apoio, a companhia de um restaurante de Pizzas, colocado na Avenida Brasil e sobranceiro à praia.

Praia de Gondarém

Praia de Gondarém

A norte do Forte de S. Francisco Xavier, o Edifício Transparente e a praia larga e quase sem rochas que se prolonga pela marginal de Matosinhos, a par da ligação directa ao Parque da Cidade (caso ímpar em todo o mundo), são uma enorme mais valia para a cidade.
O passeio de cerca de dois mil metros, plano e agradável existente entre os dois fortes do Porto, o Castelo do Queijo e o Castelo da Foz (Forte de São João Baptista), é utilizado diariamente por milhares de pessoas para correrem, caminharem, andarem de bicicleta ou simplesmente passearem, aproveitando, todos eles, para apreciarem a enorme diversidade de motivos paisagísticos que se lhes apresentam a cada passo.
A marginal marítima do Porto, que está em vias de novo arranjo urbanístico, é mais um dos muitos orgulhos dos Portuenses, responsável, a par do Parque da Cidade, da Ribeira, da baixa, e da Casa da Música, pela popularidade da cidade, além fronteiras.

About José Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

10 comments

  1. Pingback: UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (45) | joanvergall

  2. mota freitas

    Aumentei meus conhecimentos. Obrigado,com um abraço. Mota Freitas

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  3. Meu caro Mota Freitas, é uma honra sabê-lo por aqui. Um forte abraço.
    J M

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  4. helena pedrosa

    Fabuloso artigo como sempre. Parabéns!

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  5. José Carlos Pereira de Magalhães

    Espectàculo de artigo. Parabéns.

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