RAUL BRANDÃO VEIO JANTAR CONNOSCO
Na passada segunda-feira, 12 de Junho deste venturoso ano de 2017, pouco passava das 20h30, teve início, na Tasca do Bairro, o nosso local costumeiro para estas aventuras, o jantar convívio cujo convidado de honra foi Raul Brandão.
É-me difícil descrever o entusiasmo dos dias que antecederam este evento. Íamos homenagear um dos filhos mais importantes da Foz do Douro, e, para além disso, e como tem sido habitual nestes nossos encontros Tomaz Ribeiro não iria deixar de se fazer representar, desta vez não com a bagaceira de Parada de Gonta, que mesmo assim esteve presente, mas com o novo vinho, apresentado há poucos dias na sua terra natal, que o homenageia e a que baptizaram com o nome de Dom Jaime.
Casa cheia, como tem sido hábito, éramos mais de 50 convivas, não só pela qualidade do evento que o nome do seu organizador e orador, Dr. José Valle de Figueiredo, assegurava de antemão, mas também pela qualidade do serviço e dos produtos servidos, sempre excelentes na Tasca do Bairro.
“Levando os porões carregados de pólvora, o alegre Capitão Serrabulho, casado com uma mulher fantasmática, homem prodigioso, com uma grande barriga sacudida de risadas”, exclama:
“Acaba-se aqui o mundo com uma ceia de peixe!”
Raul Brandão, “OS PESCADORES”
Arrancamos com uma “sopa de peixe à Cantareira”. Provavelmente nunca terei comido alguma que lhe fosse superior, tanto na textura como no sabor. Uma verdadeira delícia.
“Saltam no fundo,as pescadas de lombo preto, os bonitos, as raias, os capatões e um toninha reluzente, que os homens matam com os bicheiros”…
Depois, veio a caldeirada à Raul Brandão. Prato cuidadamente apresentado que fez as honras à cozinha da casa. Um sabor óptimo que fez tecer os mais rasgados elogios aos comensais e conhecedores do assunto.
“Pesca-se. Sonha-se. Toma-se banho. E esquece-se a vida prática e mesquinha. Dorme-se ao largo, deitando-se a fateixa ou abica-se ao areal: um fogaréu, uma vara, uma caldeirada”.
“Mas todo o peixe regala quando sai da rede para o lume: tem um sabor único a mar, e até a reluzente savelha e o horrível cação, lavados e amanhados na maré, se tornam toleráveis. Quanto ao linguado, ao goraz, à corvina, à gordíssima sarda, à pescada e à saborosa sardinha, para não falar dos peixes hoje quase desaparecidos, do rodovalho, do peixe-rei, ignora-lhe o sabor e o delicado perfume quem os não trouxe do barco para casa, ainda a escorrer dentro do cabaz, sobre uma cama de algas e de limos. São, então, esplêndidos assados, fritos, de caldeirada, com um fio de azeite, ou preparados pelo próprio pescador sobre umas brasas”.
“OS PESCADORES”
Sempre tudo regado com o excelente e novo vinho Dom Jaime, que Tomaz Ribeiro tinha feito questão de enviar, ainda e só em traje de passeio. A vestimenta a rigor, virá numa outra altura. Fresco, frutado e leve, este vinho do Dão é mesmo muito bom.
Por fim, chegou-nos a sobremesa. Um “Bolo de Laranja à Senhora da Luz”, que nos fez crescer água na boca só de olhar para ele. Um remate excelente para um excelente jantar.
Com o café, chegaram as ansiadas palavras do Dr. José Valle de Figueiredo, que desta vez trouxe com ele duas vozes que elevaram ainda mais, se possível, a qualidade deste encontro. Cuca Sarmento e Inês Taveira emprestaram a suas excelentes vozes e formas de dizer, lendo uns trechos escritos por Raul Brandão.
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Quanto ao Dr. José Valle de Figueiredo, resta-me reproduzir o que nos disse, acrescentando que, fazendo jus à sua excelente qualidade de poeta, nos trouxe uma surpresa, um poema, inédito, que escreveu para este nosso encontro.
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Texto do Dr. José Valle de Figueiredo:
Do Sonho que nos coube
“O que sei de belo, de grande ou de útil, aprendi-o nesse tempo (da Foz): o que sei das árvores, da ternura, da dor e do assombro, tudo me vem desse tempo”(“Memórias”).
E nós? O que teremos de aprender, também, da “ternura, da dor e do assombro”, com “OS PESCADORES”, ou o “HÚMUS”, o “VALE DE JOSAPHAT” ou “O GEBO E A SOMBRA”,”O POBRE DE PEDIR”, a descobrir “AS ILHAS DESCONHECIDAS” ou o “PORTUGAL PEQUENINO”?
E nós, sim, o que teremos mais ainda, de aprender com Raul Brandão ao evocarmos, agora, mais uma vez, os 150 anos do seu nascimento?
Nos caminhos que tenhamos de percorrer na nossa vida, saibamos sempre, com o Escritor que “escolheu” a Foz para nascer, que “o Homem é tanto melhor quanto maior é o quinhão de Sonho que lhe coube em sorte”…
Poema:
Carta de Raul Brandão a quem o ler em 2017
Nem só com a sombra e o assombro
A alma se move:
Da claridade, do mar e do céu
Também se ilumina,
da terra e do húmus
Para mais alto se encaminha.
Memória de quanto foi,
Saudade de por onde andou,
Fez-se verso, fez-se poema,
Mas sombra só, não ficou.
Porque o dia claro e luminoso
Ao assombro e à sombra
Nunca mais voltou.
José Valle de Figueiredo
CONVIVAS
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AS MENTIRAS DO COSTUME
Governo decidiu candidatar Portugal à sede da EMA a 27 de Abril mas já trabalhava na candidatura de Lisboa no início do mês
“Tem de se dar um murro na mesa e pôr termo a isto”
de ter tudo em Lisboa
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NO PRÓXIMO DIA 25 DE JUNHO, NO “CASTELO DA FOZ”, NO ÂMBITO DO FOZ ARTE
Nova apresentação do livro “COMO SE FORA UM CONTO”
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Grande momento literário para o lançamento do Livro “Como se fora um conto”a que foi adicionado a referência a Raúl Brandão referenciado através de obras bem como por um poema .
Momento aproveitado para o Presidente da Camâra reclamar o Porto como cidade ideal para a implementação da Agência do MEDICAMENTO .-Apoiado .
Maria