A minha neta e a crise no Serviço Nacional de Saúde. Ainda algumas reflexões mais sobre a democracia, em Portugal e na União Europeia – Anexo 5 : A solidariedade na União Europeia e os efeitos a prazo da crise – o caso da Grécia – um país em agonia

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Anexo 5 : A solidariedade na União Europeia e os efeitos a prazo da crise – o caso da Grécia – um país em agonia

Anexo 5 A – Pensar Diferente: os impactos humanitários da crise económica na Europa (relatório da Cruz Vermelha Internacional e do Crescente Vermelho publicado em 2013[1] – excertos)

Anexo 5 B – O peso da doença na Grécia, a perda de saúde, os fatores de risco e o financiamento da saúde, 2000-16 (relatório da revista médica Lancet publicado em 2018[2])

 

Diz-nos Odysseas no seu poema Axion esti (Vale a pena )[3]

“Já vos disse. É a barbárie. Vejo-a vir, disfarçada em alianças ilegais e sem princípios morais. Isto talvez nada tenha a ver com os fornos de Hitler mas sim com a subjugação metódica e quási-científica do homem. Para a sua humilhação absoluta. Para a sua desgraça “

Odysseas Elytis, Prémio Nobel da Literatura

 

Anexo 5 A – Pensar Diferente: os impactos humanitários da crise económica na Europa ( relatório da Cruz Vermelha Internacional e do Crescente Vermelho publicado em 2013 – excertos retirados de https://media.ifrc.org/ifrc/wp-content/uploads/sites/5/2017/02/Report-02_Think-Differently-Report-2013_EN.pdf)

” (…)

Tendência nº 3: Degradação da saúde

Os cortes na saúde podem sair caros

Constatações principais:

  • Os cortes na saúde pública durante as épocas de crise podem sair caros no longo prazo.
  • As Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho informam que existe uma necessidade crescente de apoio psicossocial a pessoas que sofrem de depressão e outros problemas de saúde mental.
  • Muitas pessoas alteram o seu comportamento durante as crises – algumas reduzem as despesas em saúde, outras enveredam por estilos de vida pouco saudáveis, embora haja também exemplos do oposto: alguns começam a viver de forma mais saudável.

(…)

A crise da saúde na Grécia tem sido bem documentada como uma das consequências não intencionais das medidas de austeridade e dos cortes orçamentais. Aos pacientes é-lhes pedido que paguem em dinheiro os medicamentos e eles devem trazer as suas próprias seringas quando são admitidos num hospital público. Por outro lado, o sistema de saúde público, que está parcialmente disfuncional, tornou-se inacessível para muitos cidadãos gregos.

Mais de metade dos desempregados gregos já não têm seguro de saúde, e muitos estão agora a ser apoiados por organizações e por grupos de médicos ‘clandestinos’ apropriadamente chamados de Robin dos Bosques, que sentem o imperativo humanitário para fazer alguma coisa e ajudar os outros.

De acordo com o Ministério da Saúde, as taxas de suicídio na Grécia têm crescido dramaticamente à volta de 40 por cento entre janeiro e maio de 2011 por comparação com o mesmo período em 2010, uma subida de cinquenta por cento. As taxas de suicídio entre as mulheres mais que dobraram. Antes da crise, a Grécia era um país com excepcionalmente poucas pessoas que se suicidavam e ainda existem muitos estigmas ligados com isso nos sectores ortodoxos da sociedade, o que significa que é provável que haja um número de suicídios que não é declarado. Dado que pode haver situações de 15 – 20 tentativas como acontece em muitos suicídios reais, o número de pessoas a gritar por ajuda é alarmante.

(…)

“A confiança, uma vez perdida, é difícil de se reconstruir. A confiança em geral do público nas estruturas de saúde pública foi seriamente danificada na Letónia. Refazer no país um adequado conjunto de equipas médicas também levará tempo, esforço assim como é necessário reconstituir e refazer a posição de confiança qe havia entre profissionais e o sistema de saúde pública.”

Cortem nas gorduras, não no resto

A Letónia e a Grécia não são os únicos países que cortaram nos orçamentos da saúde. Em Espanha, os orçamentos foram cortados em 14 por cento com efeitos devastadores, incluindo o aumento de doenças. A Cruz Vermelha sueca relata que, mesmo que os salários tenham de facto aumentado, certos grupos vulneráveis são afectados pelas mudanças legais quanto à aplicação dos cuidados de saúde e quanto aos seguros de desemprego, baixando os níveis de compensação ou limitando o tempo em que a eles podem ter acesso.

A obra Body Politics, um livro escrito por David Stuckler e Sanjay Basu, publicado em maio de 2013, analisa as crises económicas passadas e presentes e chega a uma conclusão clara, com base numa vasta análise dos dados. Os desastres económicos podem afetar a saúde pública na medida em que as pessoas morrem na sua consequência, mas não tem que ser necessariamente assim.

De acordo com Stuckler e Basu, os dados da Grande Depressão, que durou desde 1929 até bem dentro da década de 30, assim como os dados de mortalidade no pós-comunismo na Rússia e da crise das divisas na Ásia no final da década de 1990, até ao início da actual crise europeia, todas estas crises mostram que se as redes de segurança social funcionarem bem e os custos de saúde pública permanecerem inalterados, então, mesmo a mais dramática crise económica não terá efeitos negativos significativos para a saúde.

Na verdade, talvez possam mesmo ter efeitos positivos. Alguns estudos mostram que a população da Islândia melhorou a sua saúde após a crise, talvez devido ao facto de que as cadeias de fast-food deixaram o país, por causa da subida dos preços dos bens importados tais como o tomate e a cebola. Pelo contrário, a comida caseira teve um ressurgimento, especialmente comendo-se peixe, apoiando por conseguinte a indústria local.

(…)

Grécia: um doente que era um verdadeiro cavalheiro

 A história do senhor Konstantinos, um homem grego de 60 anos de idade, é a história da crise do país e de uma pessoa que recebe o apoio da Cruz Vermelha na Grécia num momento de grande necessidade.

Depois de no hospital terem diagnosticado ao senhor Konstantinos uma grave infeção na parte inferior da perna esquerda, ele contactou o departamento de enfermagem da Cruz Vermelha para receber tratamento médico gratuito, uma vez que ele não era capaz de poder pagar fosse o que fosse por qualquer serviço de hospital privado ou mesmo público em Atenas.

A infeção era grave e precisava de limpeza especial e de tratamentos médicos caros. Além disso, ele precisava de um especialista de Angiologia para cuidar dele e isso tornou-se possível através do serviço de enfermagem da Cruz Vermelha helénica.

O senhor Konstantinos começou as suas visitas ao departamento de enfermagem em abril passado e dia a dia passou a conhecer melhor o pessoal de enfermagem da Cruz Vermelha e os voluntários. Ele também ficou impressionado com a delicadeza e a personalidade do pessoal, que o descreveram como sendo ele um verdadeiro cavalheiro a passar por uma situação muito difícil. As enfermeiras descobriram que ele era um antigo homem de negócios anteriormente bem conhecido e altamente respeitado, um fabricante de artigos de couro.

Durante semanas, o senhor Konstantinos recusou a oferta das enfermeiras para irem a sua casa prestarem-lhe serviços médicos de que precisava, o que as surpreendeu, dada a sua idade e a condição em que a sua perna estava. No entanto, em junho ele finalmente disse às enfermeiras, que tinha recusado as ofertas delas e que sempre evitou perguntas sobre o seu próprio domicílio porque, na verdade, ela era um homem sem-domicílio, um sem abrigo, e está assim desde o ano passado.

Ele tinha perdido tudo: rendimento, habitação, carro, até os papéis de seguros de saúde pública, uma vez que deixou de poder pagar as taxas de seguro de saúde.

(…)

 

(…)”

 

Anexo 5 B – O peso da doença na Grécia, a perda de saúde, os fatores de risco e o financiamento da saúde, 2000-16: uma análise do peso global da doença (relatório da revista médica Lancet publicado em 2018, excertos retirados de https://www.thelancet.com/journals/lanpub/article/PIIS2468-2667(18)30130-0/fulltext)

 (…)

Âmbito da investigação

(…)

Valor acrescentado deste estudo

(…)

… este estudo investiga a articulação temporal entre o financiamento da saúde e a perda de saúde até 2015. Neste estudo faz-se uma análise detalhada das mudanças anuais na saúde da população na Grécia de 2000 a 2016, utilizando comparações regionais que (…) nos permitiram capturar e identificar evidências de um decréscimo desproporcionado na saúde dos gregos em comparação com as populações regionais nos intervalos temporais de 2000 a 2010 (era de pré-austeridade) e de 2010 a 2016 (era pós-austeridade), evolução que é coincidente com a diminuição da despesa pública em saúde. Uma comparação mais aprofundada das taxas de mortalidade bruta e normalizada indicou um envelhecimento acelerado da população na Grécia, em comparação com Chipre, em que se verifica uma grande redução populacional na faixa dos 15 – 34 anos que pode estar associada a efeitos indiretos da crise, tais como desemprego de longa duração, salários reduzidos e apertados calendários de uma forte tributação.

Implicações de todas as provas disponíveis

Estes resultados apontam para efeitos multifacetados da crise financeira na Grécia: efeitos diretos da redução da despesa em saúde na mortalidade e em menor grau na morbidade e nas tendências temporais, e efeitos indiretos relacionados com uma grande mudança na demografia com o envelhecimento populacional a emergir como um problema de saúde pública. O aumento do total de óbitos em crianças com menos de 5 anos e em idosos, com o aumento de causas sensíveis à ausência de recursos (por exemplo, acesso à triagem e serviços de urgência), sugerem que o sistema de saúde requer uma reestruturação substancial para poder lidar com os efeitos que a crise financeira teve sobre a disponibilidade de recursos, alocação de recursos e estrutura populacional.

(…)

Resultados

Mortalidade e causas de morte nos períodos pré-austeridade e pós-austeridade

A taxa de mortalidade para todas as idades e para todas as causas na Grécia foi de 1174,9 mortes por 100 000 em 2016 em comparação com 997,8 em 2010 e 944,5 em 2000. Estes resultados corresponderam a um acréscimo de 0•55% de variação média entre 2000 a 2010, seguido por um aumento anualizado de 2.72% de 2010 para 2016 — um valor cinco vezes maior da taxa de variação média pós-austeridade, com sinais claros de aceleração contínua em termos de mortalidade normalizada pela idade, (…) estando assim a Grécia entre os países de pior desempenho na Europa ocidental de 2010 a 2016.

(…)

As tendências de mortalidade na Grécia foram especialmente desfavoráveis em adultos com 15 ou mais anos, com os maiores aumentos observados nas pessoas com idade igual ou superior a 70 anos (Figura 1). A desagregação das tendências na mortalidade por faixas etárias específicas revelou que, embora a Grécia tivesse uma melhoria mais lenta do que a de Chipre e da Europa Ocidental na maioria dos grupos etários de 2000 a 2010, a taxa média de variação da mortalidade por todas as causas específicas da idade era semelhante para os três grupos de populações analisadas para as idades de 15 anos e mais velhos de 2010 a 2016, embora tenha sido pior na faixa de zero aos 14 anos na Grécia. Paralelamente, os dados mostram uma mudança rápida na estrutura populacional de 2010 para 2016, com redução da população em grupos etários de 15 a 34 anos e aumento de grupos etários de 55 a 59 anos e de 75 e mais anos. Relativamente ao envelhecimento da população grega, todas as faixas etárias populacionais com mais de 20 anos de idade em Chipre registaram ligeiros aumentos durante o mesmo período.

Anexo 5 B O peso da doença na Grécia 1

Quanto às causas específicas de morte, destacaram-se os efeitos adversos do tratamento médico, da automutilação, e vários tipos de cancro como tendo consistentemente aumentado na Grécia em todas as idades (Figura 2).

Anexo 5 B O peso da doença na Grécia 2

 

Em grupos etários específicos, outras causas são evidentes, com aumentos rápidos nos óbitos por doença hemolítica neonatal e septicemia neonatal em crianças com menos de 5 anos, e aumentos proeminentes em automutilação entre adolescentes e adultos jovens. Nos adultos gregos com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos aumentou a mortalidade devido ao VIH, a várias neoplasias tratáveis, a todos os tipos de cirrose, a perturbações neurológicas (por exemplo, esclerose múltipla, doença do neurónio motor), doença renal crónica e a maioria dos tipos de doença cardiovascular com exceção das doenças cardíacas isquémicas e de AVC. Este resultado contrasta com a situação em Chipre, onde a utilização de drogas foi a única causa de morte que aumentou nos grupos de 15 a 49 anos de idade, e contrasta com a Europa Ocidental, onde nenhuma causa de morte aumentou entre 2010 e 2016. Em adultos com idade igual ou superior a 70 anos, apenas um subconjunto de causas de morte aumentou em Chipre e na Europa Ocidental, mas quase todas causas aumentaram — e aumentaram mais rapidamente — na Grécia entre 2010 e 2016.

Despesas de saúde

A despesa pública na saúde aumentou consistentemente de 2000 a 2008 (o ano em que o programa de austeridade da Grécia se iniciou), altura em que a despesa pública em saúde foi cortada em US $130,32 per capita e desde então continuou a diminuir (Figura 3). Ao avaliarmos a relação entre as taxas de mortalidade e a despesa total em saúde na Grécia, observámos dois padrões distintos: durante o período entre 2000 e 2008, verificou-se um aumento ininterrupto na despesa pública total em saúde associado a um aumento lento e incremental na mortalidade total , enquanto que de 2009 a 2014, essa relação foi revertida, dado que a taxa de aumento da mortalidade por todas as causas se acelerou, no quadro das reduções compostas das despesas totais em saúde na Grécia. A mesma tendência foi registada para a despesa pública total na saúde em Chipre, mas os cortes não foram tão substanciais e havia um ano de atraso comparado com a austeridade sobre a Grécia. As relações entre a despesa total em saúde e a mortalidade também foram diferentes em Chipre, pois as taxas de mortalidade por todas as causas diminuíram continuamente até 2012.

Anexo 5 B O peso da doença na Grécia 3

(…)

Discussão

A mortalidade sobre toda a população na Grécia foi estável de 1990 a 2000, começou a aumentar de 2000 para 2010, e acelerou-se, a partir de 2010 até 2016. O ponto de inflexão em torno de 2010 foi mais pronunciado sobre os muito jovens e sobre os muito velhos e, no agregado populacional, levou a uma desaceleração de 50% na redução da mortalidade normalizada pela idade na Grécia desde 2010. Uma grande parte do aumento da mortalidade no agregado total da população está concentrada sobre os adultos. As razões para o aumento incluíram o envelhecimento da população, uma queda líquida no número de adultos jovens a viverem na Grécia e uma exposição mais elevada do que a média aos fatores de risco comportamentais e metabólicos. (…) A melhoria na mortalidade infantil na Grécia também estagnou desde 2000, com aumentos nas mortes por doença hemolítica neonatal e por septicémia neonatal desde 2010, e estas também podem estar a refletir a consequência da redução das despesas públicas na saúde.

(…)

Várias explicações plausíveis poderiam explicar as tendências da carga observada das doenças na Grécia recentemente; a explicação completa é provavelmente multifatorial. Em primeiro lugar, o envelhecimento populacional na Grécia precedeu a crise económica e poderia ter contribuído para o lento, mas mensurável aumento das taxas de mortalidade por todas as causas desde 2000. A aceleração do envelhecimento populacional desde 2010 poderia ser devida à emigração massiva de profissionais em início de carreira e a meio da carreira em busca da estabilidade financeira, no que tem sido referido como sendo a fuga de cérebros.

No entanto, os nossos resultados sobre a mortalidade por causas específicas após 2010 não sustentam a ideia de considerar o envelhecimento como o único culpado, porque os aumentos também foram observados nos óbitos por doença hemolítica neonatal e septicémia neonatal em crianças menores de 5 anos, automutilação entre adolescentes e adultos jovens, por VIH em adultos jovens e por vários cancros tratáveis em adultos mais jovens. Ao mesmo tempo, a transição demográfica na Grécia não pode ser considerada independente da crise económica, porque a emigração pode ser desencadeada por incrementos relacionados com a crise no desemprego, com a reduções de salários e com o calendário de rigorosa e forte tributação.

(…)

Em conclusão, os dados mostram-nos que existe um decréscimo desproporcional na saúde dos gregos comparados com as populações regionais, decréscimo este que é paralelo com a crise económica. De 2010 a 2016, a Grécia enfrentou uma taxa cinco vezes maiores de aumento anual de mortalidade por todas as causas e um aumento mais modesto da perda de saúde não fatal em comparação com o período anterior à aplicação das políticas de austeridade. Durante o mesmo período, a taxa média de variação da mortalidade normalizada por idade reduziu-se para quase metade no período de 2000 a 2010. Os resultados de variações quantitativas marcadas nas tendências de mortalidade e nas variações qualitativas das causas de mortalidade com aumento nas doenças transmissíveis, maternais, neonatais e nutricionais desde 2010 sugerem que tenha havido muito provavelmente um efeito da redução abrupta das despesas públicas na saúde sobre a saúde da população. No entanto, a taxa média de variação, marginalmente negativa da mortalidade normalizado por idade reflete mudanças notáveis na estrutura etária da população na Grécia, quando comparada com as estimativas brutas para a mortalidade total, o que provavelmente está relacionado com a forte emigração de adultos jovens. Há, pois, necessidade de estudos direcionados para desagregar as causas do envelhecimento acelerado da população e determinar as necessidades do sistema de saúde para lidar com essas mudanças na estrutura populacional. Os resultados encontrados quanto ao aumento do total de óbitos e do envelhecimento populacional acelerado necessitam de enfoque específico dos formuladores de políticas de saúde para determinar as necessidades em termos de saúde pública para lidar com estas mesmas mudanças.

 

Notas

[1] International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies, Geneva, 2013, Think differently Humanitarian impacts of the economic crisis in Europe

[2] Lancet: The burden of disease in Greece, health loss, risk factors, and health financing, 2000–16: an analysis of the Global Burden of Disease Study 2016

[3] Agradecemos a Marika Frangakis a precisão da localização deste excerto do grande poeta grego.

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