A minha neta e a crise no Serviço Nacional de Saúde. Ainda algumas reflexões mais sobre a democracia, em Portugal e na União Europeia – Anexo 6 : A Face escondida da pressão de Bruxelas. Parte A: A recusa em investir na CP (2/2). Por Júlio Marques Mota

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Anexo 6: A Face escondida da pressão de Bruxelas

   julio-marques-mota Por Júlio Marques Mota

em 25 de novembro de 2018

 

Anexo 6 A – A recusa em investir na CP (2/2)

(conclusão)

3. Conclusões apresentadas pela CP

Num Cenário de “Não Aquisição de Material” a CP entrará num ciclo vicioso, que se perceberá através da degradação do nível de serviço, da perda de competitividade, do incremento do deficit operacional, factores que ameaçarão a sua sustentabilidade e, por conseguinte, o seu futuro como Empresa de Transportes e uma referência a nível Nacional.

Serão igualmente colocados em causa centenas de postos de trabalho, não só na CP, mas de muitos que hoje trabalham no sector, designadamente na área Industrial, para além do serviço público que hoje a CP assegura à população Portuguesa, através do seu modelo de produção integrada em rede “Rede CP”, que garante a Mobilidade no território nacional.

No Cenário de “Não Aquisição de Material” a CP terá para o período 2017-2041 de investir mais de 55 Milhões de Euros na manutenção da Operacionalidade das Automotoras Diesel UDD 450 e Allan 350, enquanto no cenário de Investimento “Com Aquisição de 35 Automotoras”, a CP reduzirá esta despesa em 42,5 Milhões de euros e garantirá um melhor e sustentável serviço público.

No Cenário de Investimento “Com Aquisição de Automotoras” a CP deixará de ter a despesa com o aluguer de MC à RENFE num valor que, para o período de 2021 a 2041 (20 anos), será de acordo com os valores atuais de pelo menos 209,5 Milhões de euros.

O estudo realizado mostra que o Investimento na aquisição de 35 Novas Automotoras, se analisado de forma global e integrada, tendo em conta a actual realidade da CP, implicará um gasto adicional de 87 Milhões de euros, muito inferior ao montante deste investimento na ordem dos 339 Milhões de euros, uma vez que a CP deixará de “investir” em material que será libertado, quer da CP (UDD 450, ALLAN 350 e Carruagens Sorefame), quer da RENFE (UTD 592, Carruagens TALGO e Locomotivas RENFE).

O Investimento na Aquisição das 35 Automotoras é imprescindível para dotar a CP dos meios necessários para fazer face à prevista liberalização do mercado em 2020, à realização de um serviço ferroviário moderno e de qualidade e dar resposta ao crescimento do mercado que se perspectiva para o futuro, garantindo as condições necessárias à sua sustentabilidade económica e contribuindo simultaneamente para o desenvolvimento económico, social e ambiental do país.

Mesmo com pressupostos conservadores, a Aquisição de Novo Material e a reformulação de alguns modelos produtivos, apostando no reforço da oferta em eixos de elevado potencial, o Investimento irá gerar valor económico para a CP e libertará meios financeiros que o tornam viável e sustentável do ponto de vista económico.

Propomos assim, que seja iniciado de imediato o processo de organização do caderno de encargos que possibilite o concurso público para recolha de propostas de modo a que a CP concretize no menor espaço de tempo a aquisição de:

  • 25 automotoras para o serviço Regional e Urbano das quais 15 Híbridas e 10 Eléctricas Bi-Tensão (3 Kv c.c. e 25 Kv c.a.);
  • 10 composições do Tipo Talgo 250 Dual (ou equivalente) das quais 5 Eléctricas Bi-Tensão (3 Kv c.c. e 25 Kv c.a.) e 5 Híbridas, para o serviço de Longo Curso e Internacional.

Consideramos ainda necessário realçar, que a consulta ao mercado, necessária e obrigatória, deverá ter em consideração que o material fabricado em Espanha para além de ser concebido para circular em bitola Ibérica, terá o processo de homologação para circulação no espaço Ibérico facilitado, restando uma última etapa, que consiste na negociação de uma eventual parceria com a congénere Espanhola – Renfe, para a exploração conjunta dos serviços Internacionais.

Lisboa, 07 de março de 2017

O Diretor Geral, Carlos Leão Mendes

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Excertos retirados  do relatório de fundo produzido pela Direcção Geral de Produção e Negócio

Quadros de custos

No quadro seguinte apresentam-se os valores previstos para o investimento com novas máquinas:

Anexo 6 A Recusa em investir na CP 2

Material de renovação- análise de custos-uma síntese

Conforme detalhado anteriormente, as 35 Automotoras a adquirir serão:

  • 5 Automotoras Hibridas, Topo de Gama, para o Serviço Internacional (ligações Porto – Madrid e Lisboa – Madrid);
  • 5 Automotoras Eléctricas, Topo de Gama, Bi-Tensão, para o serviço de Alta Qualidade Nacional;
  • 15 Automotoras Híbridas, para o Serviço Regional;
  • 10 Automotoras Eléctricas Bi-Tensão, para o Serviço Internacional Porto Galiza, Médio e Longo Curso (Lisboa-Évora), Regional e Urbano (Douro e Oeste)

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No quadro seguinte apresentam-se os valores previstos para o investimento

Anexo 6 A Recusa em investir na CP 3

Por contraponto, salienta-se que no cenário alternativo, ou seja, de “Não Aquisição de Automotoras”, será necessário que a CP realize investimentos anuais relevantes (grandes reparações), que mantenham a operacionalidade mínima das Automotoras UDD 450 e das 4 ALLAN 350, para lá do necessário investimento na reabilitação de 25 Carruagens Sorefame que permitirá à CP dar resposta à procura crescente dos serviços de Longo Curso (Intercidades) e que já se encontrava previsto para os próximos anos. Neste cenário, haverá ainda necessidade de instalar do GSMR em 19 Automotoras UDD 450 e 4 ALLAN 350.

No quadro seguinte apresentam-se os valores previstos para as intervenções referidas, que no período de 2017 a 2041 (20 anos após a entrada em exploração das Novas Automotoras) ascenderão a mais de 55 Milhões de euros.

Anexo 6 A Recusa em investir na CP 4

Total dos custos para o período 2017-2041 sem novas máquinas

De referir que, no cenário “Com Aquisição de Automotoras”, a CP terá de manter operacionais 5 automotoras Diesel UDD 450, pelo que, uma parte destes investimentos terão que ser realizados.

Acresce que, até à entrada em exploração das Novas Automotoras, terão que ser realizadas as Grandes Reparações que manterão a operacionalidade das UDD 450 e das Allan 350.

Vejamos o cenário de custos de reparação do material circulante existente, agora no cenário de se ter novas máquinas:

Anexo 6 A Recusa em investir na CP 5

Até 2041, no cenário de “Não Aquisição de Automotoras”, a CP terá que realizar “investimentos” adicionais de 42,5 Milhões de euros, relativamente ao cenário de Aquisição, conforme se pode constatar no quadro seguinte que compara os gastos com Reparações e Reabilitações de Material Circulante da CP (UDD 450, ALLAN 350 e Carruagens Sorefame) nos dois cenários, no referido período.

A diferença dos quadros “Com Aquisição de Máquinas” –“Sem Aquisição de Máquinas” é-nos dada pelo quadro seguinte:

Anexo 6 A Recusa em investir na CP 6

Ou seja, em termos de custos em reparações, o cenário de Máquinas Novas traz uma poupança de 42,5 milhões relativamente ao outro cenário.

Adicionalmente há ainda que considerar que, “Com a Aquisição de Automotoras”, a CP deixará de pagar o Aluguer de Material Circulante à RENFE (10 M€ valor de 2017), nomeadamente as Automotoras UTD 592, as Carruagens TALGO (Sud e Lusitânia) e as Locomotivas utilizadas para traccionar, em território espanhol, os Comboios Internacionais SUD Expresso e Lusitânia (50%), aluguer que, no período de 20 anos (2021-2041) implicará gastos superiores a 209 Milhões de Euros (ver quadro seguinte). Esta despesa deixará de ser realizada se a CP concretizar a Aquisição das 35 Automotoras.

Anexo 6 A Recusa em investir na CP 7

Comparando os dois cenários, Investimento na Aquisição de Novas Automotoras e a Manutenção da Situação Actual, no que diz respeito apenas aos meios financeiros necessários para fazer face à despesa “fixa” com o material circulante (Investimento em aquisição, reparações ou reabilitações e aluguer à RENFE) entre 2017 e 2041, apesar do Investimento total na Aquisição das 35 Novas Automotoras ser considerável (339 Milhões de euros), esta aquisição implicará, de facto, um gasto adicional de apenas 87 Milhões de euros, relativamente aos montantes que a CP terá inevitavelmente que gastar com o actual material, mais 25,6% (ver quadros seguintes).

Anexo 6 A Recusa em investir na CP 8

Anexo 6 A Recusa em investir na CP 9

Anexo 6 A Recusa em investir na CP 10

 

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