UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (41)

CARTA DO PORTO

ABRIU A ÉPOCA DOS DIAS FANTÁSTICOS

Gosto de ti, Porto, e então?

Tenho o privilégio de viver numa zona nobre da cidade.
Pela janela da sala onde escrevo e leio, onde discuto comigo mesmo e trato as minhas fotografias, vejo o verde das árvores e o dos relvados dos vizinhos, ouço o canto dos pássaros, muitos e de variadas espécies, ouço um galo, sempre o mesmo, e mais ao longe, de vez em quando, ouço um ou outro cão. De resto, o silêncio impera, mesmo durante os dias de trabalho. Os barulhos inquietos da cidade quase não chegam aqui.
Há espaços assim, na minha terra. Este local não é, felizmente, único.
Mas alturas há em que a inquietude, o bulício e o ruído próprios de uma grande cidade, me fazem falta, e então lá mergulho eu nas zonas mais movimentadas do Porto, que são, e ainda bem, cada vez em maior número.
Assim foi nesta última segunda-feira, dia de trabalho e véspera de feriado.
Tinha passado a manhã naquele meu silencioso espaço, ouvindo, desta vez, mais distintamente as rolas, que outro qualquer pássaro, e um rouxinol, ora mais longe, ora mais perto, quando, como muitas vezes me acontece, uma vontade incontrolável de olhar a minha cidade se apoderou de mim.
Regresso às minhas saídas, agora que o sol e o calor voltaram, agora que a temporada dos dias fantásticos, abriu.
Espero-te, a ti, meu amigo, na esplanada de um qualquer café da cidade, penso de mim para mim.
Apetece-me caminhar pela praia, de pés descalços, molhados por este mar maravilhoso mas, por certo que não o irei fazer, ainda não, pelo menos. A água ainda está muito fria. Fico-me pelo apetite. Vou limitar-me a sentir a brisa do mar e aproveitar este sol, quase de Verão.
Saí de casa e dirigi-me à Foz. É um início usual dos meus passeios. Raramente começo as minhas saídas sem passar primeiro pela avenida Brasil, ou pelo Passeio Alegre, ou pela zona do Mercado da Foz. Nestes inícios de passeatas, costumo tomar um cimbalino, encostado ao balcão de um cafezinho da rua do Crasto. Na passada segunda-feira, tudo foi igual ao de sempre.

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No entanto, havia algo que me parecia diferente.
Apesar de estar programada chuva e até um pouco de frio (diziam os entendidos que, pelo menos no que se refere à minha cidade, se enganam frequentemente) o sol brilhava intensamente e a temperatura subira até aos vinte e cinco graus.
O cafezinho, estava cheio, como de costume, mas, em vez de ter os clientes de todos os dias, eram estrangeiros que ocupavam o espaço. Mais abaixo, já em frente ao mar, as esplanadas dos passeios da avenida Brasil, e as das praias, estavam apinhadas, também, de gentes de nacionalidades que não eram a nossa. A azáfama era grande, da parte dos funcionários dos estabelecimentos, contrastando com a calma e descontracção dos nossos visitantes.
Já não é só na baixa da cidade que se movem os turistas. Encontramo-los espalhados por todo o lado. Descobriram, com facilidade, que o Porto, não tem só o rio Douro, a Ribeira, e a avenida dos Aliados. O Porto tem campo, rio, praias e mar.
Tanta coisa para descobrir…
Encetei o meu caminho pela Cantareira, subindo o rio. Devagar, como se impunha. Não andava muitos metros sem me cruzar com pessoas que, nitidamente, não eram de cá. As máquinas fotográficas, os mapas, a pele muito branca, algumas mochilas, a atitude, e os grupos parados com os braços a apontar para um qualquer lugar, não deixavam margem para quaisquer dúvidas.
Parei imensas vezes (os passeios a pé são sempre assim) a apreciar o que já tantas vezes vi, mas que se me afigura sempre diferente, de cada vez que olho. A baía de São Paio (Sampaio) com a sua marina, as casas da Afurada, a Ponte da Arrábida… Virando as costas ao rio, o monte da Arrábida, o Bicalho, Massarelos, o Cais das Pedras…
O passeio já ia longo, estava na hora de regressar. Entrei no eléctrico e saí no Passeio Alegre, já com as forças retemperadas.
É tão lindo, o meu Porto!
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Terminal de Cruzeiros + navio AZURA

Terminal de Cruzeiros + navio AZURA

O AZURA , a entrar hoje, em Leixões - fotografia de José Modesto

O AZURA , a entrar hoje, em Leixões – fotografia de José Modesto

E por falar em beleza, hoje aportou em Leixões um magnífico navio de cruzeiros, o Azura. Chegou às 8hoo da manhã, com mais de 3000 passageiros e cerca de 1200 tripulantes.
Visto de longe, é um enorme e bonito prédio flutuante, com os seus quase 300 metros de comprimento.
Fica bem, ali parado, debitando turistas e mais turistas para visitar a nossa cidade.
Infelizmente o terminal ainda não está acabado, mas quando estiver (supõe-se que ainda este ano), estes turistas não irão ter de ir embora no dia em que chegam, passando a trazer, nessa altura, uma ainda maior valia às suas visitas.

Terminal de Cruzeiros - Leixões

Terminal de Cruzeiros – Leixões

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About José Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

6 comments

  1. Pingback: UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (41) | joanvergall

  2. Quando se ama “o chão” onde se nasceu e vive ,esse “chão ” está sempre presente nos recantos da memória ,mesmo que a modernidade ouse introduzir-se .Nunca perde o seu encanto -Maria

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  3. Joao Pires

    Parabéns pela excelente história sobre a cidade do Porto, na qual me revejo.

    Joao Pires

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  4. Maria Luísa

    Parabéns fiquei encantada pela excelente história sobre a cidade do Porto na qual me orgulho

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