FORTE DE SÃO JOÃO BAPTISTA DA FOZ
CASTELO DA FOZ
O Castelo da Foz, onde em 7 de Junho de 1808 (durante a Guerra Peninsular) se hasteou a bandeira das quinas como primeiro acto de rebelião contra a invasão Napoleónica, não nasceu como tal.
No reinado de El-Rei D. João III foi construída por ordem do Bispo de Viseu, D. Miguel da Silva, recém-chegado de Roma e abade comendatário do Mosteiro da Ordem dos Beneditinos de Santo Tirso, uma Igreja em local ermo na entrada da barra do rio Douro (onde antes existira uma ermida proto-românica do século IX), a cerca de trezentos metros da capela de São Miguel-o-Anjo, constituindo com ela um conjunto harmonioso, à moda do que se estava a fazer na altura em Itália, impondo novos conceitos de espaço e integrando elementos inovadores de decoração.
Trabalhos de prospecção arqueológica, realizados nas últimas décadas do século XX, confirmam uma ocupação anterior à igreja quinhentista de S. João Baptista. Estas pesquisas divulgam um edifício de planta longitudinal, constituído por corpo rectangular e cabeceira quadrangular mais estreita, sob os alicerces da igreja posterior, associam-no à ermida mencionada na carta de doação de 1145 e definem-no como proto-românico, datável do início do século IX. Trata-se da carta de doação da Ermida de S. João da Foz do Douro, por El Rei D. Afonso Henriques, a Roberto e aos seus cenobitas de Santa Maria e de S. Miguel Arcanjo de Riba Paiva.
Em 1567, a Rainha Regente, D. Catarina, ordenou que se edificasse ao redor da Igreja de São João Baptista, uma defesa abaluartada, que considerou essencial devido à localização do templo face à defesa da foz do Douro, e em 1570 iniciaram-se as obras.
A partir da Restauração da nossa Independência (1640) e até meados do século XVIII (1790), a Igreja foi sofrendo alterações que a transformaram numa fortaleza, sacrificando-a e à residência Beneditina. Em 1646 acabaram por demolir parcialmente a Igreja, de que hoje resta o Altar Mor, algumas janelas e o púlpito. Fizeram desaparecer a parte central da fachada, abriram as torres, removeram as lajes das campas do pavimento da Igreja e apearam a abóbada, transformando a nave, agora a céu aberto, na parada e praça de armas do Forte.
Os nichos laterais dos altares foram entaipados por muros de pedra aproveitando as lajes que tinham sido retiradas do pavimento da Igreja.
Desaparecia a primeira Igreja de estilo renascentista de Portugal, e nascia a fortificação em forma de um quadrilátero irregular que hoje conhecemos.

Entre Junho de 1921 e Junho de 1922 viveu neste forte a poetisa Florbela Espanca (Vila Viçosa 1894 – Matosinhos 1930), que, em segundas núpcias (casou-se por três vezes), era mulher de um dos oficiais da guarnição, o Alferes António Guimarães.
Após um largo período de abandono, e depois de ter recebido nos últimos anos do século XX uma intervenção da Divisão de Museus e Património Histórico e Artístico da Câmara Municipal do Porto, a fortaleza foi ocupada pelo Instituto de Defesa Nacional que ali organiza os seus cursos anuais, divididos com a fortaleza de Cascais.
Encostado à Fortaleza está o Clube de Ténis da Foz (Lawn Tennis Club da Foz), clube cuja inauguração remonta a 1903.
Nada tendo contra os Clubes de Ténis, contra esse desporto em especial, e muito em particular contra este excepcional clube da Foz do Douro, entendo que mantê-lo encostado a um Monumento Nacional não é “muito bem”!

Fot Internet
O Castelo da Foz merece ser visitado.
A paisagem que se avista das suas muralhas, sobre o Jardim do Passeio Alegre e sobre a foz do Rio Douro e o mar, são deslumbrantes.
O seu interior, agora recuperado, merece visita, mas requer uma autorização especial.
Já o exterior, pode ser visitado livremente em todos os dias úteis, entre as 9h e as 17h.
Não se acanhe, embora não pareça, pode visitá-lo quando quiser, sem que, com isso, tenha de dar qualquer satisfação, seja a quem for.

NOTA DE RODAPÉ
O Sr Ministro Pires de Lima utilizou hoje, dia 6 de Novembro de 2014, na Assembleia da República, uma palavra de que os senhores deputados não conheciam o significado.
Dado o basqueiro que se passou a ouvir na Câmara (ainda maior do que o que se ouvia até então), foi explicado pelo Sr. Ministro, que se tratava de uma palavra usada, em gíria, na cidade do Porto.
Não é gíria, nem tão pouco calão, como alguns consideraram.
Por essa razão, e querendo ajudar a um melhor conhecimento da Língua Portuguesa, por parte de quem nos representa, junto cópia do que se pode encontrar na internet (Dicionário Priberam) sobre o assunto.










Muito interessante este artigo com tantos dados históricos .Adorei as imagens .Espectaculares .Desconhecia esta riqueza .
Obrigada por esta partilha -Maria
Obrigado pela visita e pelo comentário, Maria de Sá Pires.