UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (92)

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SOLSTÍCIO DE VERÃO

O dia mais comprido e a noite mais curta, estão a chegar.
Com eles trazem os dias mais quentes, as noites ainda mais animadas, a alegria incontida de uns e de outros, o descanso ao sol entremeado com banhos de mar, as roupas ainda mais leves, as esplanadas cheias, os sorrisos mais rasgados, a música ainda mais alta, as férias anuais, as festas dos Santos Populares, e o São João.
O São João, no Porto, não é uma mera festa popular, é a festa da cidade. Não sendo o São João o Santo padroeiro da cidade, é o Nosso Santo, que começa em São João da Foz do Douro, e se espalha por toda a urbe, abraçando as cidades vizinhas, em especial Vila Nova de Gaia. Como sempre (ou quase) o rio Douro aproxima as duas margens, e na noite mais alegre do ano, faz a festa com fogo-de-artifício monumental, a partir de barcaças colocadas a meio do rio, e da Ponte Luís I.

Imagem Internet

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Nestes dias, em que o dia nunca mais acaba, há mais tempo para ver e para sentir o Porto.
Quem cá chega fica indelevelmente marcado com o primeiro encontro com a cidade, com a cor das suas ruas (o Porto já há muito deixou de ser uma cidade cinzenta) misturada com a cor do granito, com a alegria das pessoas (o sorriso na cara das pessoas é cada vez mais espontâneo), com as brumas e nevoeiros, com as paisagens únicas do rio e do mar, e com as horas mágicas do anoitecer e do amanhecer.
Visitar o Porto é uma experiência maravilhosa para todos os sentidos.
A História e as histórias da nossa cidade são mais ouvidas e melhor entendidas nas conversas à volta dos nossos pratos típicos, as Tripas à Moda do Porto, o Bacalhau, as Sardinhas assadas e as Francesinhas, regados com Vinho Verde, Finos e Príncipes, terminando com um Pastel de Nata e um Cimbalino. Depois, saciados alguns dos sentidos, tratemos dos outros e façamos incursões pela cultura. No Porto, a arquitectura, a pintura, a fotografia, o cinema e a literatura, têm muito que se diga. Encontramos exemplos em cada canto e esquina.

Estava eu a namoriscar com a minha mulher à mesa da esplanada da Confeitaria da Leitaria da Quinta do Paço, na Praça de Guilherme Gomes Fernandes, quando surgiu a ideia de nos ausentarmos uns dias, poucos, para outras paragens. Encontramos muito rapidamente um problema. Direi mesmo um muito grande problema.
Ir para onde?
Com tanta coisa para descobrir no Porto, com tanto movimento diurno e nocturno, com tanto rio, com tanta beleza, com tanto mar, com praia e com campo, com tanta qualidade, com tanta diversidade, para quê ir procurar noutro lugar o que temos aqui, sendo que o que temos é porventura melhor e eventualmente mais bonito?
Para quem vive no Porto, cidade e área metropolitana, sair daqui, para férias ou por outra qualquer razão, começa a ser um autêntico suplício.

Vista do Restaurante Portucale

Vista do Restaurante Portucale

Nestas últimas semanas andei pelos pontos altos da cidade. Visitei duas torres e almocei num dos últimos andares de cada uma delas. Vistas soberbas e serviços a condizer.

No primeiro caso visitei o restaurante Portucale, no 18º andar do edifício da Cooperativa dos Pedreiros. O restaurante mais alto da cidade do Porto.
Categoria, Luxo!
Já há alguns anos que lá não ia e o serviço em nada desmereceu do que eu me lembrava. Categoria superior. Vista sobre a cidade, de tirar a respiração. Comida de alta qualidade. Serviço exemplar.
E tudo isto por um preço perfeitamente aceitável, uns módicos dezanove euros (preço do Menu Executivo, que é necessário solicitar, uma vez que não nos é apresentado), se nos lembrarmos do local onde estamos.
Absolutamente a não perder!

Vista do Restaurante do Hotel D. Henrique

Vista do Restaurante do Hotel D. Henrique

No segundo caso visitei o restaurante do Hotel D. Henrique. Situado no 18º andar, tem também uma vista esplendorosa sobre a cidade.
Categoria superior, preço ligeiramente abaixo dos vinte euros, no caso do menu executivo, simpatia a rodos, e, comida e serviço de excelente qualidade.
Como o anterior, absolutamente a não perder.

Mais duas boas razões para não sairmos de cá.
Façamos de turistas na nossa cidade.

 

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About José Fernando Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

3 comments

  1. Pingback: UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (92) | joanvergall

  2. Uma narrativa bem descritiva de uma cidade milenária recheado de espaços com a sua história -interessante e atraente ,com imagens convidativas a uma viagem curiosa .-Maria

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