Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. XV – O vazio ideológico do Partido Socialista – Parte I

(Por Rafaël Cos, in Revue Mouvements,  2017/1, n° 89)

.O quadro desolador do mandato de  François Holland não pode somente  ser atribuído ao contexto econômico internacional. É também o resultado de recomposições  ideológicas do Partido Socialista desde o fim da era Mitterrand e do desinvestimento do trabalho programático pelos seus quadros responsáveis.  A ausência do corpus doutrinal original, a crescente dependência sobre os esquemas dos adversários  e o crescente entrelaçamento das elites partidárias com o campo do poder económico são todos  fatores que conduziram ao  esvaziamento da palavra ‘socialismo’ de todo e qualquer conteúdo identificável.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. XIV – O que se deve reter do discurso socialista aquando da viragem para a política de rigor – Parte III

(Por Thierry Barboni — 08/07/2017)

Implicitamente, o partido é pensado sobretudo como uma organização de mobilização do eleitorado, em detrimento das outras funções atribuídas a um partido político, como nomeadamente a função doutrinal. Se as necessidades do momento fazem lei, uma tal postura sublinha igualmente o sentimento de não ser ainda plenamente reconhecido como legítimo para governar.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. XIV – O que se deve reter do discurso socialista aquando da viragem para a política de rigor – Parte II

(Por Thierry Barboni — 08/07/2017)

Pode-se considerar que o PS é submetido nesta ocasião a uma verdadeira domesticação que se traduz seguidamente por uma “glaciação” do jogo político interno [22]. De um lado, porque o partido é excluído do processo de decisão quanto ao conteúdo das políticas seguidas. Por outro lado, porque a latitude que lhe é permitida é, finalmente, reduzida dado que o partido se limita a organizar o apoio ao governo. Qualquer tentativa de saída deste esquema opõe-se então às regras do jogo político que passaram a estar em vigor.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. XIV – O que se deve reter do discurso socialista aquando da viragem para a política de rigor – Parte I

(Por Thierry Barboni — 08/07/2017)

Uma espécie de efeito de clic ter-se-á dado a partir de 1982, privando o PS de qualquer possibilidade real de discutir a política proposta. Numa primeira fase, a política de rigor apareceu como uma necessidade económica, face à qual um governo socialista responsável não podia fazer face de uma outra forma que diferente da que foi adotada, no prolongamento das medidas iniciadas em 1982.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. XIII – O falhanço de uma política

(Por Jacques Sapir — 08/07/2017)

Mas também é necessário que os opositores à política de Emmanuel Macron e Edouard Philippe compreendam que, além das divergências que tenham e que podem ser legítimas, eles também têm uma responsabilidade na situação atual. Porque o poder de Emmanuel Macron reside mais na fraqueza e impotência política de seus oponentes do que numa qualquer adesão por parte dos franceses.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. XII – Reforma do mercado de trabalho: as empresas serão também perdedoras

(Por David Cayla — 09/06/2017)

Se o capitalismo francês sofre de alguma coisa não é certamente de demasiado  diálogo social. Pode-se, a esse respeito, recordar que as empresas industriais alemãs devem precisamente uma parte dos seus desempenhos ao seu modelo cogestão  que dá largos poderes aos sindicatos, o que obriga os empregadores a negociar com os representante do pessoal a maior parte das suas decisões estratégicas.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. XI – Reforma do Código do Trabalho: a caminho de um “capitalismo western «

(Entrevista com David Cayla— 09/06/2017)

Emmanuel Macron prevê legislar por despacho presidencial  para reformar em profundidade o direito do trabalho francês. Este novo projeto intervém menos de um ano após a entrada em vigor das principais medidas previstas pela Lei El Khomri. Quais são as implicações desta primeira Lei Trabalho?

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. X – Código do trabalho: o que prepara verdadeiramente o governo

(Luc Peillon et Alexia Eychenne — 06/06/2017)

Desde a lei EL Khomri, uma empresa pode já desencadear despedimentos económicos desde que as suas encomendas ou o seu volume de negócios comece a descer. Única exigência, temporal: esta baixa deve ser perceptível sobre um trimestre para uma empresa de menos de 11 assalariados, até quatro trimestres consecutivos para uma empresa com mais de 300 trabalhadores. O juiz deixa de ter o poder de calibrar o motivo económico, mas este último permanece enquadrado pela lei.