Lição inaugural do XXIV Encontro de Petrarca – Parte III

(Por Jean-Claude Milner, in site fabriquedesens.net, 20/07/2017)

Em segundo lugar, o reinado do capitalismo financeiro confirmou, no espaço financeiro, o surgimento material do que chamarei a importância de “qualquer um tecnocratazeco”. Qualquer um deles pode enriquecer ao fazer não importa o quê. Não eram apenas os especuladores [nas salas de mercados e os especuladores fora delas] que acreditavam nisso.. Eu também acredito que esta visão do mundo se impôs muito para além do setor stricto sensu da bolsa e de outros produtos financeiros.

Lição inaugural do XXIV Encontro de Petrarca – Parte II

(Por Jean-Claude Milner, in site fabriquedesens.net, 20/07/2017)

Os produtos financeiros estão-se a tornar cada vez mais complexos. Quanto maior é o caminho a fazer entre a primeira mão que coloca dinheiro e a última mão que o recolhe , em princípio os superlucros , além do efeito de alavanca, como eles dizem, quanto mais este caminho aumenta maior é o efeito multiplicador. Por outras palavras, está construído um labirinto. O labirinto não contém uma máquina para produzir ouro, é o próprio labirinto que, pelos seus desvios, produz o ouro.

Lição inaugural do XXIV Encontro de Petrarca – Parte I

(Por Jean-Claude Milner, in site fabriquedesens.net, 20/07/2017)
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Na minha opinião, a questão não existe. A primeira questão que deve ser feita é a seguinte: para o capitalismo financeiro ter imposto a sua dominação por tantos anos, cerca de um quarto de século, o que é muito na escala na escala de vida dos homens, essa forma deve ter correspondido a uma necessidade objetiva. Devemos nos fazer a pergunta: que tipo de necessidade? Por outras palavras, o que aconteceu durante os trinta anos que acabamos de deixar?

Lição inaugural do XXIV Encontro de Petrarca – Apresentação

(Por Jean-Claude Milner, in site fabriquedesens.net, 20/07/2017)

Mais precisamente, deve-se lembrar que Jean-Claude Milner pertence a esta subcategoria da geração 68, que pode ser chamada de “lacano-maoistas”, um pequeno grupo diferenciado, muitos deles da École Normal, marcado tanto pela prosa de Mao-Tse-tung como pelas frases do psicanalista Jacques Lacan. Dois legados, a que se acrescenta, em Milner, a linguística, própria a Noam Chomsky, que foi outrora seu mestre, na década de 1960, nos Estados Unidos.

Em torno de uma série sobre o trabalho, uma pequena nota informativa

.(Júlio Marques Mota, 02/10/2017)

“Uma vez que o pêndulo político regride e oscila para o lado da desregulamentação, é expectável que as instituições financeiras pressionem para alcançar a maior liberdade possível. Mais cedo ou mais tarde, o antigo comportamento de orgulhosa auto-confiança, de vulnerabilidade e de crise ressurgirá, e outro canário irá morrer.”

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. XVI – « Superação» ou desaparecimento do partido socialista (2012-2017)? – Parte II

(Por Rémi Lefebvre, in Revue Mouvements,  2017/1, n° 89)

O PSF arrisca-se a perder a sua situação de renda de situação dominante à esquerda e de começar um processo “de pasokisação” mas ainda assim é necessário que uma alternativa organizacional se desenhe, e o PS demonstrou no passado uma resiliência organizacional sempre muito forte nas crises que atravessou.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. XVI – « Superação» ou desaparecimento do partido socialista (2012-2017)? – Parte I

(Por Rémi Lefebvre, in Revue Mouvements,  2017/1, n° 89)

Esta viragem à direita não surpreendeu uma parte da esquerda ou os intelectuais de esquerda ou críticos sempre inclinados a pensar que os ” sociais-traidores” estão sempre disponíveis para trair. A sua dimensão é ainda um enigma para o cientista político, porque ela desafia a racionalidade eleitoral de um partido que, devido à sua conduta política, perdeu desde 2012 a maioria de seus eleitos e do seu eleitorado.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. XV – O vazio ideológico do Partido Socialista – Parte II

(Por Rafaël Cos, in Revue Mouvements,  2017/1, n° 89)

A ausência de corpus ideológico original, a dependência crescente das representações do adversário e a interdependência em crescendo  das suas elites com o campo do poder económico são mais outros  fatores que fazem com que o socialismo possa   aparecer hoje como   sendo apenas uma etiqueta  dos que procuram demarcar-se dele.