Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. IV – Macron, um tão velho presidente

( Por Jérôme Leroy, Revista Causeur, Macron, 31/05/2017)

Com efeito, Emmanuel Macron é velho. A impressão é vaga, ainda, mas persistente desde a sua chegada ao poder. É certo, tem apenas 39 anos mas frequentemente, tal como os primeiros da classe, é mais velho que os seus professores. A megalomania tranquila da cerimónia do Louvre em Maio de 2017 fazia-nos recordar a de Mitterrand no Panteão em Maio de 81.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. III – Emmanuel Macron, mais realista que socialista

(In Le Point, 20/08/2016)

“A democracia comporta sempre uma forma de incompletude, porque não se basta a si-mesma” responde, na verdade, Emmanuel Macron. “Há no processo democrático e no seu funcionamento um ausente.” Na política francesa, este ausente é a figura do rei, do qual eu acredito fundamentalmente que o povo francês não queria a morte.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. II Emmanuel Macron pensa que ” nos falta um rei em França” : uma enorme regressão ideológica

(Francis Métivier, filósofo)

Rousseau, tinha no seu “Contrato Social”, uma bela fórmula: “uma nação e o seu líder” Primeiro as pessoas, o povo, depois o líder. Mas Macron, numa enorme regressão ideológica, inverte a hierarquia, primeiro o líder, depois o seu povo.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. I – Macron no Congresso, o rei no seu Parlamento

(Laurent Joffrin, Directeur de edição no jornal Libération — 26 Junho de 2017)

Noutros tempos, ter-se-ia gritado à cacofonia. Mas desta fez estamos perante uma forma de imunidade macroniana. Os defensores da democracia parlamentar e participativa devem refletir sobre este paradoxo: toda a gente pede um governo cada vez mais aberto e representativo; mas os mesmos consideram o poder não pelos seus métodos mais ou menos democráticos, mas sim pelos seus resultados.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF – Introdução, Parte III

Júlio Marques Mota

Mas no caso de Macron não se trata verdadeiramente de coragem, trata-se de ser coerente consigo mesmo. O poder foi-lhe dado para cumprir o dito memorando não assinado, de resto por Macron bem desejado. É esta a coerência a que me refiro. Os textos sobre o reforço da lei El Khomri aí estão a prová-lo claramente. E é neste homem que os meus amigos me aconselhavam a votar!

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF – Introdução, Parte II

Júlio Marques Mota

Um outro grande marco para toda esta trajetória encontramo-la em Hollande I  na sua política de submissão ao grande capital francês e internacional, depois de ter ganho as eleições em plena crise (2012), garantindo que o seu principal inimigo era a alta finança. Logo que eleito, nomeou como secretário-geral do Eliseu um homem da alta finança, e esse homem era nem mais nem menos que Macron.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF – Introdução, Parte I

Júlio Marques Mota

A história de uma morte anunciada e pelos vistos bem desejada pelos altos quadros do PSF tem dois grandes marcos bem claros a assinalar o seu começo como tragédia e o seu fim como farsa: a posição de Mitterrand I em Março de 1983 quando faz a sua viragem à direita, para as políticas de rigor, faltando às promessas eleitorais que lhe deram o cargo de Presidente e a sua opção consequente foi então optar por satisfazer a Alemanha  de Helmut  Kohl  contra a maioria de todos aqueles que o elegeram.

Crónica sobre os anos 80, sobre “VIVA A CRISE! “

Júlio Marques Mota

“Eles enterraram tudo – a utopia, o pensamento crítico, a contestação, Marx, o comunismo e mesmo a história. O nosso mundo tornou-se um campo de ruínas, quando o deles se mostrava cheio de beleza e se afirmava com altivez, certo da superioridade das suas palavras de ordem: submissão ao mercado, à modernização tecnocrática, ao espírito de empresa e ao dinheiro-rei.