Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF. I – Macron no Congresso, o rei no seu Parlamento

(Laurent Joffrin, Directeur de edição no jornal Libération — 26 Junho de 2017)

Noutros tempos, ter-se-ia gritado à cacofonia. Mas desta fez estamos perante uma forma de imunidade macroniana. Os defensores da democracia parlamentar e participativa devem refletir sobre este paradoxo: toda a gente pede um governo cada vez mais aberto e representativo; mas os mesmos consideram o poder não pelos seus métodos mais ou menos democráticos, mas sim pelos seus resultados.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF – Introdução, Parte III

Júlio Marques Mota

Mas no caso de Macron não se trata verdadeiramente de coragem, trata-se de ser coerente consigo mesmo. O poder foi-lhe dado para cumprir o dito memorando não assinado, de resto por Macron bem desejado. É esta a coerência a que me refiro. Os textos sobre o reforço da lei El Khomri aí estão a prová-lo claramente. E é neste homem que os meus amigos me aconselhavam a votar!

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF – Introdução, Parte II

Júlio Marques Mota

Um outro grande marco para toda esta trajetória encontramo-la em Hollande I  na sua política de submissão ao grande capital francês e internacional, depois de ter ganho as eleições em plena crise (2012), garantindo que o seu principal inimigo era a alta finança. Logo que eleito, nomeou como secretário-geral do Eliseu um homem da alta finança, e esse homem era nem mais nem menos que Macron.

Autópsia de uma morte já anunciada, a do PSF – Introdução, Parte I

Júlio Marques Mota

A história de uma morte anunciada e pelos vistos bem desejada pelos altos quadros do PSF tem dois grandes marcos bem claros a assinalar o seu começo como tragédia e o seu fim como farsa: a posição de Mitterrand I em Março de 1983 quando faz a sua viragem à direita, para as políticas de rigor, faltando às promessas eleitorais que lhe deram o cargo de Presidente e a sua opção consequente foi então optar por satisfazer a Alemanha  de Helmut  Kohl  contra a maioria de todos aqueles que o elegeram.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte VI

(Por Guy Hocquenghem)

O romantismo afetado, dizia Hegel, é um cinismo estético; e é o reverso de um cinismo da ação profissional, que não tem nada de heróico mas se quer viril e virtuoso. “Verdadeiros homens”, “verdadeiros revolucionários”, depois, “verdadeiros proprietários” ou “verdadeiros reporters”, este papel permanente de agente secreto, como o Canadá Dry em relação ao uísque, tem a cor da virilidade, mas não é da virilidade.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte V

(Por Guy Hocquenghem)

Os jovens leões, ainda adolescentes, a julgar pelos etólogos, sabem qual o efeito de certo cerimonial de submissão para desarmar a agressividade dos velhos machos irritados; os jovens leões colocam-se de costas e urinam, mostrando o seu medo e admitindo-se vencidos, antecipadamente. A vossa solene apostasia, mais que uma conversão de ideias, é um ritual de submissão: a nossa geração de jovens leões mija-se de costas ou lambe os pés dos adultos da política (Mitterrand e Reagan, Aron, etc.).

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte IV

(Por Guy Hocquenghem)

Eternos jovens, jovens velhos que estendem o negro manto da sua impotência sobre o futuro, última geração de uma demografia esgotada! Eternos jovens de quarenta e mais anos, jovens velhos de penas eternamente suspensas, eternos dirigentes estudantis, pequenos chefes que da juventude guardaram apenas aquilo que de pior ela lhes oferecia: a imaturidade sentimental e a fascinação pelos os métodos da ambição, mas nem o gosto da confrontação nem o da rebelião.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte III

(Por Guy Hocquenghem)

Este economismo e este liberalismo com que vocês agora se apresentam são ideologicamente “duros”, são geradores de  outros  princípios. Este oportunismo é de aço, é de betão tanto quanto as antigas dialéticas, e a sua língua é de madeira, como a das antigas brochuras vermelhas.