15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte V

(Por Guy Hocquenghem)

Os jovens leões, ainda adolescentes, a julgar pelos etólogos, sabem qual o efeito de certo cerimonial de submissão para desarmar a agressividade dos velhos machos irritados; os jovens leões colocam-se de costas e urinam, mostrando o seu medo e admitindo-se vencidos, antecipadamente. A vossa solene apostasia, mais que uma conversão de ideias, é um ritual de submissão: a nossa geração de jovens leões mija-se de costas ou lambe os pés dos adultos da política (Mitterrand e Reagan, Aron, etc.).

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte IV

(Por Guy Hocquenghem)

Eternos jovens, jovens velhos que estendem o negro manto da sua impotência sobre o futuro, última geração de uma demografia esgotada! Eternos jovens de quarenta e mais anos, jovens velhos de penas eternamente suspensas, eternos dirigentes estudantis, pequenos chefes que da juventude guardaram apenas aquilo que de pior ela lhes oferecia: a imaturidade sentimental e a fascinação pelos os métodos da ambição, mas nem o gosto da confrontação nem o da rebelião.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte III

(Por Guy Hocquenghem)

Este economismo e este liberalismo com que vocês agora se apresentam são ideologicamente “duros”, são geradores de  outros  princípios. Este oportunismo é de aço, é de betão tanto quanto as antigas dialéticas, e a sua língua é de madeira, como a das antigas brochuras vermelhas.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte II

(Por Guy Hocquenghem)

Os maoistas‑esquerdistas‑contestatários, cuspindo sobre o seu próprio passado, aproveitaram-se da hipocrisia nacional que foi o poder socialista. Sob o poder socialista, eles enfiaram-se sobre todos os queijos. Mais do que ninguém, enfartaram até mais não. Combinaram-se assim duas renegações : a “de ex” maio de 68 tornados conselheiros ministeriais, patrões de choque ou novos guerreiros em descanso e a do socialismo que se passou de tal modo que ficou  mais à direita que a própria direita. A vossa apostasia serviu de aguilhão à da esquerda oficial.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club- Prefácio de Serge Halimi; Parte I

(Prefácio à obra por Serge Halimi, 29/05/2008)

O hedonismo deu lugar ao medo, o culto “da empresa” deu lugar ao “culto” da polícia. Favorecidas pela ganância dos rendimentos e dos lucros e pelo exibicionismo mediático, novas renegações irão ocorrer. Ler Guy Hocquenghem arma-nos pois para aí responder, em conjunto,  com aqueles que sabem doravante para onde nos querem levar. 

14. A desmundialização inquieta os defensores de um liberalismo em desespero de causa

(Aquilino Morelle, 07/09/2011)

Face à crise da mundialização, o socialismo redistributivo, apoiado no Estado providência, é um impasse; o socialismo do acompanhamento, enfermeiro da economia liberal, é uma impostura; o socialismo da transformação, o que quer alterar as regras da finança e da economia, é doravante um imperativo.

13. A semana onde a esquerda virou à direita – PARTE IV

(Por François Ruffin, Abril de 2013)

Podia-se compreender esta escolha em 1983: Reagan acaba de ser eleito nos Estados Unidos, Thatcher na Grã-Bretanha, Kohl na Alemanha. E sobretudo: é de modo ideológico que o neoliberalismo está com o vento em popa, as teses de Hayek e de Friedman invadem e dominam, na imprensa francesa, nas universidades, nos intelectuais. Enquanto o socialismo, sem falar já do comunismo, torna-se sinónimo de nulidade, de mediocridade .

13. A semana onde a esquerda virou à direita – PARTE III

(Por François Ruffin, Abril de 2013)

A França não exclui sair do sistema monetário europeu”, coloca em título o jornal diário. O país é assim “ tentado, como o desejam abertamente alguns, a praticar ainda mais uma política a contracorrente, passando por um desenvolvimento económico mais autocentrado, – apoio da procura interna – pronto a tomar medidas temporárias de salvaguarda para proteger o seu mercado.