(Dominique Méda, publicação da OIT, 2016, Tradução Júlio Marques Mota)
E se a verdadeira questão não fosse mais a distribuição de ganhos derivados de produtividade, mas a própria oportunidade de ter estes citados ganhos? E se o verdadeiro progresso já não passasse hoje pelos mais elevados ganhos de produtividade, mas por alcançar ganhos de qualidade e sustentáveis? Se uma análise retrospetiva dos ganhos de produtividade alcançados durante os anos Trinta Gloriosos pôs em evidência uma sobre-exploração do ambiente e dos trabalhadores de que agora teríamos de reparar os danos? Se esses ganhos de produtividade se explicavam em grande parte pela dilapidação de fontes de energia e de recursos não-renováveis (Pessis, Topçu e Bonneuil, 2013)? Teríamos então de dedicar todos os nossos esforços para ao desenvolvimento de organizações produtivas cujo objetivo já não seria, como antes, a eficiência medida pela noção clássica de produtividade, esta mesma que Adam Smith tinha elogiado na sua apresentação da fábrica de produção de alfinetes mas sim a qualidade e a durabilidade medida por outros indicadores.
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