Em 1999, uma criança nasceu, de parto prematuro e com deformidades congénitas: o Euro 20 anos depois – alguns textos sobre a sua atribulada existência. Texto nº 14. Uma análise sobre a criação da União Europeia e sobre a sua trajetória até aos dias de hoje – Parte II

(Entrevista a  Olivier Delorme por GALAAD WILGOS, 04/12/2018)

Dito isto, acredito agora que a dissolução da UE deixará de ter lugar de forma pacífica, negociada e regular, como seria desejável. Devido à falta de coragem de todas as forças políticas constituídas, da sua recusa em explicar claramente porque razão é necessário sair deste impasse, da sua teimosia em cultivar ambiguidades e artifícios (Plano A – Plano B, desobediência aos tratados…), o que reflete quer a trágica ilusão de que tudo pode ser mudado neste edifício, quer o desejo de esconder que nada será mudado.
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Em 1999, uma criança nasceu, de parto prematuro e com deformidades congénitas: o Euro 20 anos depois – alguns textos sobre a sua atribulada existência. Texto nº 14. Uma análise sobre a criação da União Europeia e sobre a sua trajetória até aos dias de hoje – Parte I

(Entrevista a  Olivier Delorme por GALAAD WILGOS, 27/12/2018)

Na realidade, a UE é apenas a expressão de vinte e sete cobardias, vinte e sete renúncias a existir por si própria; a UE só pode ser um monstro brando, um gigante indeciso, sem vontade, incapaz de decidir seja o que for e sem agilidade. Hoje como ontem, e talvez mais do que ontem, é melhor ser uma potência média, ágil, que sabe o que quer e coopera em todas as direções com os outros, com base na igualdade e nos benefícios mútuos, do que uma parte impotente de um Império impotente – mais a cana do que o carvalho, parafraseando La Fontaine.

Em 1999, uma criança nasceu, de parto prematuro e com deformidades congénitas: o Euro 20 anos depois – alguns textos sobre a sua atribulada existência. Texto nº 13. Joseph Stiglitz : « Será talvez necessário abandonar o euro para salvar o projeto europeu »

(Entrevista a Joseph Stiglitz por Benoit GEORGES, 16/09/2016)

Normalmente, existem várias formas de responder a uma crise: baixam-se as taxas de câmbio, baixam-se as taxas de juro, diferentes países podem agir de forma diferente. Com a moeda única, estes mecanismos foram suprimidos. E nada foi posto em prática. Ao fazê-lo, a Europa está de mãos atadas: não se pode utilizar taxas de câmbio, instrumentos de política monetária, fiscalidade… porque se tem de limitar os défices a 3% do PIB. Todos os instrumentos de ajustamento foram suprimidos. E, pior ainda, não foram criadas as instituições necessárias.

Em 1999, uma criança nasceu, de parto prematuro e com deformidades congénitas: o Euro 20 anos depois – alguns textos sobre a sua atribulada existência. Texto nº 12. Como a governação da zona euro alarga as diferenças de riqueza entre os países europeus

(Jérémy Giraud, 4 de Novembro de 2018)

O euro forte permite à Alemanha exportar seus veículos, máquinas-ferramentas e produtos químicos a preços mais altos para mercados que são relativamente menos sensíveis aos preços do que os mercados de exportação de empresas francesas, italianas ou espanholas. Ao mesmo tempo, o euro forte tornou as indústrias dos países do Sul mais precárias ao reduzir a sua competitividade pelos  preços, reforçando assim a polarização industrial da Europa em torno do eixo do Reno.

Em 1999, uma criança nasceu, de parto prematuro e com deformidades congénitas: o Euro 20 anos depois – alguns textos sobre a sua atribulada existência. Texto nº 11. O euro já tem 20 anos: a zona euro está condenada ao sucesso.

(Martin Wolf, 27 de Janeiro de 2019)

Em segundo lugar, como é que o euro se tem comportado? Obviamente, sobreviveu, apesar dos grandes choques e das divisões dolorosas. Fê-lo porque os custos da dissolução, ou mesmo da partida de membros individuais, parecem aterradores. Fê-lo também porque, no fundo das crises, os decisores políticos fizeram o suficiente para o manter vivo.

Em 1999, uma criança nasceu, de parto prematuro e com deformidades congénitas: o Euro 20 anos depois – alguns textos sobre a sua atribulada existência. Texto nº 10. Como é que a crise não resolvida na zona euro nos põe a todos em perigo

(Grace Blakeley, 23 de Janeiro de 2019)

A crise da zona euro é, no fundo, uma crise política. O principal obstáculo à sua resolução é a recusa da Alemanha e dos seus aliados do norte da Europa em apoiar uma política macroeconómica inflacionista – maior despesa pública e reduções fiscais – em toda a UE.

Em 1999, uma criança nasceu, de parto prematuro e com deformidades congénitas: o Euro 20 anos depois – alguns textos sobre a sua atribulada existência. Texto nº 9. No 20º aniversário do euro, a homenagem de Draghi perpetua mitos há muito rejeitados

(Ashoka Mody,  25 de Janeiro de 2019)

O problema com a UE e o Euro é que se baseiam em mentiras sob a presunção de que, se repetidas com suficiente frequência, se tornarão realidade. Isto funcionou bem durante algum tempo, mas como disse Abraham Lincoln: “Você pode enganar todas as pessoas em algum momento do tempo, e algumas pessoas o tempo todo, mas  não pode enganar todas as pessoas durante todo o tempo. O número de pessoas que  pode enganar está a afundar-se   muito rapidamente.

Em 1999, uma criança nasceu, de parto prematuro e com deformidades congénitas: o Euro 20 anos depois – alguns textos sobre a sua atribulada existência. Texto nº 8. O euro, 20 anos de cegueira

(Romain Masson , 10 de Janeiro de 2019)

Os defensores dos “Estados Unidos da Europa” também ignoram ou fingem ignorar que o federalismo implica uma política fiscal comum para permitir transferências das regiões mais ricas para as mais pobres, como está a acontecer  dentro das nações. No entanto, desde a criação do euro, a Alemanha recusou-se categoricamente a avançar para uma união de transferências que os teria obrigado a subsidiar os outros Estados-Membros e continua a opor-se-lhe.